OpiniãoDor crônica – como lidar com a dor e a doença de forma mais equilibrada
Sálua OmaisSegunda, 4 de Dezembro de 2017 - 16:17
Dor crônica – como lidar com a dor e a doença de forma mais equilibrada

A dor crônica não é apenas real, mas algo que afeta todo o círculo social do paciente, um sofrimento físico e mental que impacta todos aqueles ao seu redor, principalmente os membros da família. Viver com alguém que sofre dor crônica é altamente desgastante, levando os próprios cuidadores a experimentar o sofrimento físico e emocional. O custo da dor crônica não reflete apenas no bolso da família, mas de toda a sociedade tendo em vista a ausência frequente no trabalho, tanto da parte do paciente quanto do cuidador, perda de produtividade, dificuldades acadêmicas no caso de estudantes, custos em virtude dos cuidados de saúde, entre outros. 

A dor também torna a pessoa muito mais sensível psicologicamente, mais vulnerável. Pensamentos negativos, humor negativo, e até tentativas de suicídio podem ocorrer com mais frequência em pacientes com dor crônica do que na população em geral.

Mas não é apenas a dor física em si que causa o sofrimento, mas a maneira como os pacientes sofrem com a dor em sua própria mente também, os pensamentos gerados em razão da dor e da doença podem ser uma grande diferença na maneira como uma pessoa vai enfrentar e lidar com aquela situação.  A chamada “catastrofização” da dor, situação em que a pessoa só pensa o que de pior pode acontecer com ela e fazer o problema parecer muito maior do ele que realmente é, já é considerado um fator de risco para o resultado do tratamento médico, influenciando até mesmo na gravidade da dor. Ao invés de perceber a dor "como ela é", os "catastróficos " ficam imaginando todos os tipos de cenários horríveis que podem resultar daquela dor. Essa maneira de pensar equivale a uma profecia auto-realizável, uma vez que os catastróficos baseados na dor se acham mais doloridos, incapacitados e angustiados do que outras pessoas que estão passando pela mesma situação.

O cérebro humano é naturalmente programado para usar emoções negativas, como o medo por exemplo, para protegermos de riscos e ameaças. No entanto, a intenção é que essa defesa seja usadas por um período curto, e, por isso, o corpo humano não está preparado para resistir por muito tempo aos efeitos que essas emoções negativas causam biologicamente quando a pessoa mantém emoções negativas por muito tempo.  É algo improdutivo permitir que pensamentos catastróficos invadam a nossa mente diante de momentos difíceis. O mais sensato é a aceitação, a busca do melhor que se pode fazer naquele determinado momento com os recursos e tratamentos disponíveis, ao invés de se apelar ao desespero, à negação, e à reclamação. As pessoas devem ser treinadas a desenvolver a resiliência, bem como compreender e aceitar fatos que estão fora do seu controle, pensando de forma mais funcional e aprendendo a discernir o real do imaginário afim de criar uma perspectiva mais positiva do que pode acontecer no futuro.

*Sálua Omais é Psicóloga com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Trainer em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL. É titular do site www.psicotrainer.com.br onde escreve artigos diversos sobre Psicologia Positiva, Coaching e Inteligência Emocional.

 

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