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OpiniãoO aquário, as desculpas, o ministro
Alicio Mendesquinta, 28 de dezembro de 2017 - 16:42
O aquário, as desculpas, o ministro

Quem passa pelos altos da Avenida Afonso Pena e conhece a historia e sobre ela, as ideias de Gestores que por aqui passaram, sabe que eles acreditaram em seus projetos, para transformar o Parque das Nações Indígenas, num maravilhoso POLO TURÍSTICO para o futuro.  Inicialmente, além da majestosa topografia criada que envolve o lindo lago artificial, por onde, em suas margens, e em seu cavalo corre o Índio Guaicuru, ali se instalaram a própria Secretaria Estadual de Turismo, o Museu das Culturas Dom Bosco, mais conhecido como Museu do Índio, o maravilhoso Museu de Arte Contemporânea, o MARCO, a Concha Acústica e agora renovada, a Encantadora Cidade do Natal.  Essas instalações passaram a fazer parte da vida das pessoas que aqui vivem,  e para ali ocorrem, em busca de um sadio lazer.
 Mas voltando a falar das pessoas que passam pela avenida, elas ali se deparam com uma obra de características arrojadas que nos arremete para um mundo fantástico e futurístico- o Aquário.                   

Em que pese o profundo respeito que se deva ter com as pessoas, em especial com aquelas investidas em cargos públicos de relevância, acho que a população do Mato Grosso do Sul, especialmente da Capital, deveria ser melhor informada sobre o que acontece com as obras do Aquário do Pantanal. Já vai completar quatro anos que um verdadeiro jogo de empurra acontece sobre a paralisação daquela obra.   Já escrevi vários artigos sobre esse tema, e não vou me cansar em fazê-lo porque, contrariando muitas opiniões, especialmente de quem não entende do assunto, e que tem dado palpites os  mais irrelevantes, aqui estou novamente, como cidadão para continuar dizendo sobre o meu inconformismo com o que estão fazendo com aquele Projeto, baseado no que ele representaria para a ciência, para o turismo, para a economia e principalmente para o ameaçado Ecossistema Pantaneiro. E me arrisco a falar mais uma vez sobre isso, pela experiência vivida junto aos dois maiores aquários do País, o Grande Aquário de Santos e o Ácqua Mundo do Guarujá, em São Paulo, obras maravilhosas, mas que nem se aproximam do que representa o projeto sul mato grossense.

Meu inconformismo é porque até agora só se pensou no dinheiro que envolve a estória dessa história. O que aconteceu com o dinheiro, hoje deveria interessar apenas a quem teria a obrigação de investigar sobre isso, e me parece que esses,  se deitaram sobre o moribundo para não deixá-lo morrer, tão pouco sobreviver. Só se fala, se fala e se fala, e o monumental projeto vai se deteriorando, como uma majestosa vitrine abandonada pela irresponsabilidade. Aprendi que não se deve chorar pelo leite derramado, e isso é o que estamos fazendo anos a fio.  Não se levou em conta a grandiosidade da obra nem as importantes e inúmeras finalidades que englobam a magnitude do projeto que se constituirá num marco socioeconômico, científico-cultural e turístico e que será um divisor de águas para se considerar o Estado antes e depois da sua efetivação. O fato é que muitos recursos foram investidos para construir o que lá existe, e que representa quase que a totalidade do projeto, e então se resolveu que a obra deveria ser interrompida para se apurar entre outras coisas, responsabilidades ou irresponsabilidades. Seria o mesmo que parar de cuidar de  um doente porque se tem dúvidas sobre o diagnóstico. De início, O Governo atual, dentro de seu propósito de considerar obras inacabadas zero, resolveu dar continuidade, mas  esbarrou na burocracia e a coisa seguiu parada.  Outras investidas aconteceram, mas continuamos ouvindo que para terminar a construção o Governo continua dependendo de uma decisão da Justiça que não podemos saber quando irá acontecer, a ponto de esta semana o Governador afirmar que o termino daquela obra, poderá ficar para futuras gerações.

Não tenho condições para opinar nada sobre Justiça, pois minha formação é outra e me permite apenas afirmar que estão fazendo uma judiação, ao privar não só o Estado, mas o País, e até o turista estrangeiro, dos enormes benefícios de natureza social, econômica, científica, ambiental e turística, previstos no Projeto. Ainda, e como cidadão, admito  que se busque apurar o que de fato aconteceu sobre os recursos aplicados, e que até agora não sabemos ao certo do que se trata e que se houverem responsáveis que sejam cobrados. Mas que isso não possa se estender a ponto de vir a causar um enorme prejuízo para a sociedade do Mato Grosso do Sul que ali vê o seu dinheiro aplicado e quem sabe ter aquelas modernas instalações se transformando num corroído elefante branco. Que fiquem de lado as paixões de qualquer natureza, para que o Parque das Nações Indígenas se complete não apenas como um local aprazível, mas onde jovens estudantes, técnicos, professores e cientistas da área biológica, possam contar com oportunidades e meios adequados para desenvolverem seus projetos científicos, especialmente em defesa de um fantástico Bioma, hoje desassistido e desprotegido, vítima da biopirataria e de atividades predatórias, a caminho de uma iminente degradação. 

Felizmente nosso Estado acaba de ganhar um presente. O Ministro Marun passou a ser festejado em todos os segmentos da sociedade e certamente tem conhecimento do que acontece com essa obra e poderá se interessar em resolver a questão , ou será que ele preferirá aguardar, para quem sabe, o Andre acabar a obra , como assim prometeu? 

Alicio Mendes – Médico Veterinário, Ambientalista e Educador Ambiental

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