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Apenas um caso das cinco crianças vítimas de bala perdida esse ano foi concluído

Polícia não chegou à autoria em nenhum dos casos

27 setembro 2019 - 12h30Vitória Ribeiro, com informações O Globo

Já são cinco o número de crianças mortas esse ano vítimas de balas perdidas no Rio de Janeiro. Em nenhuma das investigações chegou à autoria. Segundo dados da Secretaria de Estado da Polícia Civil do Rio, no homicídio mais antigo dos cinco, o da menina Jenifer Cilene Gomes, de 11 anos, morta em 15 de fevereiro, a vítima teria sido atingida durante troca de tiros entre "traficantes de facções rivais", numa comunidade no bairro da Triagem. A polícia informou que, "até o momento", não há indícios da participação de policiais.

Jenifer estava na porta do bar da família, na Triagem, quando foi atingida por uma bala perdida. Na época, parentes da menina acusaram policiais militares. Socorrida por moradores, ela foi levada para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu aos ferimentos e morreu antes de dar entrada na unidade. Em 2012, dois irmãos de Jenifer já tinha sido assassinados num baile funk.

O segundo caso do ano ocorreu em 16 de março. A vítima foi Kauan Peixoto, de 12 anos, baleado quando deixava a comunidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense,  para comprar um lanche, segundo a família do garoto. De acordo com testemunhas, havia uma operação policial no momento em que ele foi atingido. Apesar de socorrido, ele morreu no Hospital Geral de Nova Iguaçu. A Polícia Civil informou que o caso ainda está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

O menino Kauã, de 11 anos, foi baleado na Vila Aliança em maio deste ano. O tiro foi disparado durante confronto entre policiais militares e traficantes. O menino ficou internado durante uma semana no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, mas não resistiu aos ferimentos quando foi constatada morte encefálica.

Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, morreu ao ser atingido na cabeça por um disparo no Complexo do Chapadão em 7 de setembro. Na época, a Polícia Militar acusou o menino de trocar tiros com a polícia. A família contestou essa versão. O caso foi classificado como morte em decorrência de atividade policial, ou seja,  auto de resistência e o inquérito seguiu para a Justiça. 

Ágatha Vitória Sales Félix tinha 8 anos e levou um tiro nas costas no Complexo do Alemão na última sexta-feira (20). Contrariando a versão dos moradores, a Polícia Miitar diz que os agentes de segurança foram atacados por traficantes e, por isso, revidaram.

A tia de Kauê, Nádia Santos, cobra uma investigação baseada numa perícia das armas dos policiais militares que estavam na operação na favela,  no dia em que o menino foi baleado:

—  Os PMs sempre dizem que são vítimas. Então, provem que estão dizendo a verdade. Basta entregar suas armas para serem periciadas. Queremos um laudo, uma prova técnica. Para isso, a Polícia Civil tem que investigar, pois testemunhos não são suficientes. Quem na comunidade vai prestar depoimento? Todos têm medo.

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