A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda responsável pela regulação e fiscalização do mercado de capitais, abriu na última sexta-feira (19) novos processos contra a JBS. As investigações se somam a outras seis que apuram irregularidades na empresa no órgão. Três delas foram abertas em apenas uma semana, nos dias 12, 17 e 18 deste mês.
Os processos instaurados hoje investigam indícios de eventual prática do crime de insider trading, detectados em operações realizadas no mercado de dólar futuro e em negócios com ações de emissão da JBS realizados no mercado à vista, bem como analisa a atuação da companhia no mercado de dólar futuro, informou a CVM. Insider trading é a negociação de valores mobiliários baseada no conhecimento de informações relevantes que ainda não são de conhecimento público, com o objetivo de auferir lucro ou vantagem no mercado.
Há informações de que o grupo J&F – que controla a JBS – operou no mercado financeiro para lucrar com os efeitos da delação premiada de seus controladores, que veio à tona ontem (18) e levou à forte queda na Bolsa de Valores e alta de 7,9% do dólar.
Em outros dois processos, também movidos nesta sexta-feira, é investigada a atuação do Banco Original, controlado pela J&F Participações, no mercado de derivativos; e analisadas negociações do acionista controlador da JBS, a FB Participações S.A., com ações de emissão da companhia.
A JBS é alvo da Operação Lava Jato e de outras operações deflagradas pela Polícia Federal para investigar possíveis desvios, pagamentos de propina e fraudes na liberação de recursos públicos.
Monitoramento
A Assessoria de Análise Econômica e Gestão de Riscos da CVM tem monitorado os principais indicadores de mercado e possíveis impactos sobre as atividades das companhias fiscalizadas, incluindo exposição da indústria de fundos a ativos afetados pelas últimas movimentações de mercado.
JBS
Em nota divulgada no começo da tarde, a JBS informou que gerencia de maneira minuciosa e diária sua exposição cambial e de commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado exterior).
“Tendo em vista a natureza de suas operações, a JBS tem como politica e prática a utilização de instrumentos de proteção financeira visando, exclusivamente, minimizar os seus riscos cambiais e de commodities provenientes de sua dívida, recebíveis em dólar e de suas operações.”
Na nota, a empresa acrescenta que as movimentações no mercado de câmbio feitas nos últimos dias estão “alinhadas à sua política de gestão de riscos e proteção financeira”.
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