Morreu a mulher Yanomami fotografada em estado grave de desnutrição, costelas aparentes e corpo debilitado. A morte dela foi divulgada neste domingo (22) pela associação Urihi. Ela era da comunidade Kataroa, onde há forte presença de garimpeiros ilegais e casos de dezenas de crianças doentes.
Ao informar o óbito, a associação pediu que a imagem dela não seja mais compartilhada, em respeito à cultura Yanomami.
"Durante a visita a comunidade Kataroa, nesta última semana, recebemos a informação que a senhora Yanomami da imagem, veio a óbito por conta do seu grave estado de desnutrição. Gostaríamos de pedir a todos que evitem a partir deste momento o compartilhamento da imagem dela", pediu a Urihi, que tem como presidente o ativista e líder indígena Júnior Hekurari Yanomami.
A foto mulher foi divulgada em dezembro do ano passado pela Urihi junto à outras imagens que denunciavam a crise sanitária na saúde do povo Yanomami.
A imagem mostrava a vítima com o corpo debilitado, enquanto era sustentada em pé por uma agente de saúde ao pesá-la numa balança.
Ao pedir que as pessoas não compartilhem mais a imagem da vítima, Hekurari disse entender a importância de levar ao mundo a situação drástica, no entanto, a cultura do luto deve ser respeitada.
"Na cultura Yanomami, após o falecimento, não pronunciamos o nome da pessoa. Queimamos todos os seus pertences, e não permitimos que fotografias permaneçam sendo divulgadas. Estamos vivenciando uma crise humanitária, e sabemos que o governo se mobilizou buscando ações que ofereçam todo o suporte que a população necessita neste momento", reforçou.
Hekurari também presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana (Condisi-YY) e acompanha equipes do Ministério da Saúde nos atendimentos emergenciais que têm sido feitos desde o dia 16.
Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami registra nos últimos anos agravamento na saúde dos indígenas, com casos graves de crianças e adultos com desnutrição severa, verminose e malária, em meio ao avanço do garimpo ilegal.
Por conta desse agravamento, o Ministério da Saúde decretou estado de emergência e acionou a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) - ação voltada à execução de medidas de prevenção, assistência e repressão a situações epidemiológicas, de desastres ou de desassistência à população quando for esgotada a capacidade de resposta do estado ou município.
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Crianças yanomami com sinais de desnutrição na região de Surucucu, na Terra Yanomami (Foto: Reprodução/Instagram/urihiyanomami)



