A estudante de Arquitetura Kedma Oliveira, de 23 anos, que desapareceu após deixar um texto de despedida publicado no Facebook, foi encontrada, a cerca de 60 quilômetros de Cuiabá, na Chapada dos Guimarães pelos pais na tarde desta quinta-feira. De acordo com informações um taxista teria impedido que ela pulasse de um local conhecido como Portão do Inferno.
Rodrigo Flávio, de 35 anos, é taxista e conta que percebeu que havia algo errado. “Eu pressenti que ela queria fazer alguma coisa contra ela mesma. Ela me mandou ir embora, disse que queria ficar ali, mas eu voltei e quando voltei consegui evitar que ela pulasse do Portão do Inferno”.
Ele contou que estava abastecendo o carro quando foi surpreendido por um grito. “Era um rapaz perguntando se eu estava de serviço. Eu respondi que sim e logo uma moça saiu do carro e disse que queria ir para Chapada”, relatou o motorista.
O preço cobrado pelo taxista foi de R$ 300, mas jovem teria pedido desconto e ele acabou aceitando levá-la por R$ 200. “Eu disse que a levaria e o preço seria R$ 300. Ela (Kedma) disse que estava caro, então eu disse que a levaria por R$ 250. Ela quis mais desconto e pediu para levá-la por R$ 200. Eu aceitei e logo fomos. Ela entrou em meu táxi por volta das 14h20h, na região da Estrada do Moinho”, detalhou Rodrigo.
Segundo o taxista, no caminho ela estava muito abalada. “Estava com cara de choro e bastante aflita. Mas não falou nada comigo. Chegando perto do Portão do Inferno ela inventou uma história de que os parentes dela estavam lá e por isso teria que descer. Eu insisti para não parar, mas, mesmo assim, ela disse que eles estavam lá e até mostrou um carro que estava parado. Ela dizia que os familiares dela estavam esperando por ela”.
Rodrigo continuou a tentar convencer a moça de que ela tinha pagado uma viagem até Chapada, então ele a levaria até a cidade. Mas ela insistiu e logo pagou e desceu do carro. Ela falou que eu poderia ir embora. Então manobrei o carro e logo voltei para Cuiabá. Mas eu pressenti que ela queria fazer alguma coisa ruim com ela mesmo”, salienta.
Rodrigo conta que voltou após ter andado cerca de 200 metros. Foi quando avistou Kedma do lado de dentro do parapeito que define o limite entre a pista e o penhasco. Ele conta que desceu do carro gritando, mas ela pulou. “Eu peguei o cabelo dela, só a ponta do cabelo, mas os fios arrebentaram. Por conta do meu puxão, ela caiu na beirada do barranco e quando ela colocou a mão para se apoiar eu peguei os braços dela e pensei: agora ela não cai mais”, relatou Rodrigo.
Após segurar a estudante, o taxista gritou para outros carros que passavam para ajudar a tirar a moça do local. “Eu gritei: 'tentativa de suicídio! tentativa de suicídio!' Alguns carros pararam e logo um morador de Chapada me ajudou. Tiramos ela do despenhadeiro”, conclui.


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