A rede social mais conhecida do mundo, Facebook, de Mark Zuckerberg, está inovando com um aplicativo que vai além do Tinder, Happn, Bumble e outros de paquera.
O Facebook Daiting, passou a funcionar prometendo melhorar um setor que, na opinião de analistas e usuários, anda “um pouco encalhado”: o de aplicaticos amorosos para solteiros que querem um relacionamento sério.
O serviço ainda está em modo de testes recolhendo os perfis de usuários interessados em conhecer alguém novo e em um segundo momento, sugerir possíveis parceiros de acordo com interesses dos usuários, com ajuda de algoritmos criados.
Para participar, é preciso ter um perfil na rede social e usar o mesmo app ou site do Facebook. A sincronização é encerrada, o perfil do Dating é separado da rede pessoal e o serviço não vai mostrar amigos do usuário como sugestão para evitar constrangimentos.
O gerente de produtos Charmaine Hung explicou que a meta da empresa é ajudar 200 milhões de usuários autodeclarados como solteiros a encontrar um relacionamento sério, sem parar na “curtição” de uma noite. “Queremos que as pessoas não façam jogos, queremos formar relacionamentos significativos”, finalizou.
Jogo da conquista
É uma missão difícil: para analistas ouvidos pela reportagem, a rede social ainda não apresentou recursos que vão além do que é apresentado pelos concorrentes.
“Pelo que vi até agora, a interface é similar à dos concorrentes, com ênfase nas imagens dos usuários”, diz o consultor especialista em redes sociais Alexandre Inagaki.
É prática corrente na indústria apresentar potenciais parceiros pelas suas fotos, o que pode aumentar a superficialidade e a casualidade das relações dentro dos aplicativos.
Segredinho
A privacidade também pode ser uma pedra no caminho do Facebook Dating. Questionado, o Facebook ressalta que o Dating ficará em uma parte separada da rede social. Também alega que nenhuma das informações do serviço de namoro será usada para a criação de anúncios personalizados ou compartilhada com os amigos do usuário na rede social.
Outros afirmam que a privacidade é um valor discutível. “É um conceito que importa para pouca gente. Quem usa um serviço desses, na média, está mesmo interessado é em quantos encontros pode arranjar”, diz Michel Alcoforado, antropólogo e sócio da consultoria Consumoteca.
Bolha romântica
Na visão do especialista, outro ponto sensível que deve ser discutido é a criação de bolhas românticas. Isto é, que os apps só juntem pessoas parecidas: em pesquisa feita pela Consumoteca em 2018 com mil pessoas, 46% dos entrevistados disseram usar os apps em busca de um perfil predeterminado. Quando os interesses dos usuários passam a ser usados como fator de aproximação por algoritmos, como no OKCupid e promete o Facebook no Dating, ainda que pouco palpável, isso se torna ainda mais sensível.
Na visão de Alexandre Inagaki, o OK Cupid é hoje o aplicativo que melhor reúne as condições para formar relacionamentos duradouros. “O grande diferencial é que ele oferece uma enxurrada de perguntas, de ética e religião a questões do cotidiano – e aí calcula a afinidade das pessoas”, afirma.
Para Alcoforado, porém, a discussão é complexa. “Pode ser cada vez mais difícil se apaixonar por alguém diferente”, afirma. “É o fim dos opostos que se atraem.”
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Para participar, é preciso ter um perfil na rede social e usar o mesmo app ou site do Facebook (Reprodução/Internet)


