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Rota da Celulose começa com serviços imediatos e pedagios só entram em vigor após obras essenciais

A cobrança só poderá ocorrer após 12 meses e mediante cumprimento de exigências contratuais, como limpeza das rodovias, reparos emergenciais, sinalização e implantação completa dos serviços de atendimento ao usuário

02 fevereiro 2026 - 14h50Taynara Menezes e Sarah Chaves

A concessão da Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul já começa com frentes de trabalho imediatas, mas a cobrança de pedágio só poderá ser iniciada após 12 meses, apenas se a concessionária cumprir todas as obrigações previstas em contrato. A tarifa, que deve variar entre R$ 15 e R$ 15,50, dependendo do trecho, ainda não teve o valor confirmado e oficializado.

De acordo com Luiz Fernando Do Donno, presidente da concessionária 'Caminhos da Celulose', a concessão nasce com abrangência estadual e impacto nacional. Segundo ele, o projeto marca uma nova fase da infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul, tendo como eixo central a segurança viária e a facilidade do escoamento da produção agrícola, considerada a espinha dorsal da economia regional.

"Nos primeiros 100 dias, estão previstos 2 milhões de metros quadrados de roçada, poda e capina, além de 22 mil metros de sinalização horizontal, serviços de limpeza e drenagem, remoção de lixo e entulho e reparos emergenciais no pavimento. Já no primeiro ano de concessão, será feita a implantação dos sistemas operacionais, com uma câmera a cada 1,8 quilômetro, além das estruturas de apoio ao usuário", explicou. 

O contrato estabelece que o pedágio só poderá ser cobrado após a entrega de itens essenciais, como atendimento médico de resgate, guinchos para veículos leves e pesados, inspeção de tráfego, caminhões-pipa, caminhões guindauto e veículos operacionais para a Agência Estadual de Regulação (Agems), responsável pela regulação e fiscalização do serviço.

Ao falar sobre o papel estratégico da infraestrutura no desenvolvimento do país, Simone Tebet,  ministra de Planejamento e Orçamento, destacou que o Brasil precisa aproveitar seus ativos estruturais. Ela lembrou que o país perdeu oportunidades no passado, como no pré-sal, e ressaltou a importância da energia limpa, das terras raras e da logística para que o Brasil avance além de um crescimento limitado.

"Que projeto nós queremos de exploração dessas terras raras? Nós fecharemos um ciclo onde o Brasil vai entrar para o cenário, que infelizmente, vai ser um cenário de ser sempre um país que no máximo chegou à classe média. Mas, a rota da celulose, este é mais um passo de muitos que precisarão vir. Nós estamos falando de desenvolvimento que vamos trazer ainda mais e ainda melhor para o nosso querido Estado de Mato Grosso do Sul", enfatizou a ministra.

O modelo da concessão foi detalhado pelo governador do Estado, Eduardo Riedel, que explicou que Mato Grosso do Sul é sócio do projeto. “O Estado é sócio desse projeto. Se o resultado for acima de 10%, o Estado participa e esse retorno é revertido para o próprio projeto, seja na diminuição da tarifa ou na criação de novas obras. Da mesma forma, se houver prejuízo por mudança completa no fluxo, o Estado também participa para equilibrar o contrato”, explicou.

O governador também destacou a evolução dos modelos de concessão e a importância da regulação. “A mudança de conceito garante segurança jurídica, flexibilidade e a certeza de que o usuário vai pagar e receber exatamente o que foi contratado, com uma agência de regulação forte”, concluiu.

O contrato prevê 115 km de duplicações, 457 km de acostamentos, 245 km de terceiras faixas, 12 km de marginais, 38 km de contornos urbanos, além de dispositivos viários, acessos, passagens de fauna, alargamento de pontes e novas obras de arte especiais.

A Rota da Celulose contará com 100% de acostamento em todo o sistema rodoviário e passa pela região central e neste do Estado, contemplando os municípios de Água Clara, Anaurilândia, Bataguassu, Campo Grande, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo e Três Lagoas. 

Expectativa do Governo do Estado é beneficiar 1,2 milhão de pessoas, com garantia de mais segurança aos usuários das estradas, instalação de pontos de parada e descanso, câmeras e ambulâncias à disposição.

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