Um estudo publicado nesta quarta-feira (24) no periódico cientifico Plos One revelou que, entre 2010 e 2018, o Brasil enfrentou de 3 a 11 ondas de calor por ano, quase quatro vezes mais que na década de 1970, com consequências fatais, ceifando a vida de em torno de 48 mil brasileiros.
O estudo, realizado por 12 pesquisadores de sete universidades e instituições brasileiras e portuguesas, utilizou de um padrão conhecido como Fator de Excesso de Calor (EHF na sigla em inglês), que leva em consideração fatores como intensidade, duração e frequência de aumentos para na temperatura para prever níveis considerados nocivos à saúde humana.
Para a pesquisa, foram analisados os dados de 14 áreas metropolitanas mais populosas do Brasil, onde estima-se viver 35% da população brasileira, um total de 74 milhões de pessoas.
Foram analisadas as cidades de Manaus e Belém, no Norte; Fortaleza, Salvador e Recife, no Nordeste; São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, no Sudeste; Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, no Sul; e as regiões metropolitanas de Goiânia, Cuiabá e do Distrito Federal, no Centro-Oeste.
Para chegarem ao número de óbitos, os pesquisadores analisaram mais de 9 milhões de registros de óbitos de períodos durante ondas de calor, que apontaram para em torno de 48 mil brasileiros mortos em consequência do calor entre 2010 e 2018.
Problemas circulatórios, doenças respiratórias e condições crônicas agravadas pela alta temperatura foram algumas das razões responsáveis por mortes causadas pelo calor.
Outro ponto levantado pelo estudo foi a presença de grupos mais vulneráveis a esses períodos de extremo calor, como os idosos, mulheres, pessoas negras e com baixo nível de escolaridade.
Em primeiro lugar entre os grupos que mais sofrem estão os idosos, com as mulheres se destacando nesse grupo.
"Pela questão fisiológica, sabemos que os mais velhos são os mais vulneráveis, por terem corpos com menor capacidade de regulação térmica e por apresentarem mais comorbidades", explicou Renata Libonati, professora do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coautora da pesquisa.
Segundo o estudo, a vulnerabilidade de mulheres também se justifica por questões fisiológicas.
Também foi notado que pessoas pardas, pretas e menos escolarizadas também estão entre esse grupo de pessoas mais vulneráveis, conforme a pesquisa aponta. “Os eventos climáticos extremos não são democráticos, eles atingem muito mais aqueles que não têm acesso a recursos de adaptação", comentou o físico Monteiro dos Santos, da UFRJ.
"Situações socioeconômica precárias, que atingem as faixas mais pobres, levam a acesso também precário a condições de moradia, sistema de saúde e meios de prevenção”, completou.
Um dos exemplos dados por Santos foi na diferenciação, por exemplo, de sensação térmica entre regiões consideradas mais nobres e localidades mais pobres de cidades. "Quando a sensação térmica é de 45ºC na Zona Sul do Rio de Janeiro [onde estão bairros de famílias mais ricas], aí é de 58ºC em Bangu, na Zona Oeste [área mais pobre]", exemplificou.
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