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COLUNA

Comportamento

Sálua Omais

Nomofobia e a dependência digital

18 maio 2019 - 08h00

O nome ainda é diferente, mas é mais comum do que imaginamos e está relacionado ao medo que uma pessoa tem de ficar sem o telefone celular. O termo nasceu de um estudo realizado no Reino Unido, que descobriu que quase 53% dos usuários de celulares naquele país, tendem a ficar ansiosos quando perdem o celular, ficam sem bateria ou crédito, ou não têm cobertura de rede. Para muitos, isso sempre pareceu algo mais ligado ao público jovem, no entanto, nos últimos anos, observou-se que o problema atinge a todas as idades, inclusive idosos.

O smartphone é a ferramenta que mais usamos para navegar e organizar nossas vidas diárias. Agenda pessoal, monitoramento físico, games, filmes, revistas, jornais digitais, cursos online, uso para transporte, transações bancárias, obtenção de direções e endereços, monitoramento do trabalho, dos filhos, comunicação com clientes e pessoas próximas, ou simplesmente uma mega enciclopédia que fornece respostas para quase toda e qualquer pergunta. O celular é, para muitos, algo muito mais do que uma ferramenta, mas também um objeto afetivo, uma ferramenta social, que também é usada em situações de tédio, tristeza, solidão ou monotonia. Um tédio que vem desde esperar em filas até o tédio da solidão, de não ter com quem conversar e compartilhar tristezas e alegrias.

A nomofobia possui duas características principais: sentimentos de ansiedade ou angústia quando o indivíduo não tem o telefone, e o grau de dependência do telefone para concluir tarefas básicas ou atender a necessidades importantes. As consequências são semelhantes a qualquer outro vício, fazendo com que indivíduos se preocupaem com o telefone e se voltem para ele ao se sentir deprimidos, ansiosos ou solitários, tornando-se uma espécie de refúgio do mundo. É uma dependência que traz importantes conseqüências psicológicas. O problema vai tão longe, a ponto de alguns utilizarem o aparelho até mesmo para tomar banho ou em outros momentos inadequados .

Para os jovens, o vício em smartphones pode ter influência no desempenho acadêmico, resultando em dificuldade de foco e atenção, tanto em sala de aula, quanto em momentos individuais de estudo,e afetando as habilidades cognitivas de modo geral. Nos relacionamentos, a tendência ao isolamento, tanto familiar quanto social em geral, se torna maior, além de reduzir as chances do indivíduo conhecer pessoas novas. Isso faz com que muitos prefiram ‘’pegar o celular’’ do que ‘’puxar uma conversa. 

A dependência digital não afeta apenas a mente, mas também os relacionamentos, nos quais a pessoa está fisicamente presente, mas psicologicamente ausente. O fato de termos o apoio da tecnologia à nossa disposição, acaba reduzindo, de certo modo, a capacidade de adquirir e reter conhecimentos sobre um assunto específico a longo prazo. Além disso, no passado, as fontes primárias de informação das quais poderíamos depender para terceirizar nosso conhecimento eram outras pessoas, enquanto que hoje, o aparelho celular por si só supre grande parte desses conhecimentos. A dependência do telefone também pode colocar em risco empregos e negócios, se as pessoas não puderem resistir a checar mensagens durante o trabalho. Segundo especialistas, a redução de foco pode adicionar até duas horas a mais para que seja necessário concluir uma tarefa no trabalho, e isso gera ainda mais stress, tanto no trabalhador, quanto no gestor.

Apesar de reconhecer o quanto telefones celulares, tablets, computadores e outras tecnologias facilitam nossas vidas, é importante saber coloca-la no lugar certo para não sermos servos de aparelhos digitais e conseguirmos manter o equilíbrio das telas com o mundo ao nosso redor.

Sálua Omais é Psicóloga, palestrante e professora da UFMS, com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental, Master Coach e Master Trainer em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL e titular do site www.psicotrainer.com.br onde escreve artigos diversos sobre Psicologia Positiva, Coaching e Inteligência Emocional

 

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