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COLUNA

Rosildo Barcellos

Rosildo Barcellos

Aonde está essa mãe?

12 maio 2011 - 08h44

Amanda  era uma garota de expressão triste. Procurava estudar muito. Na hora do recreio ficava afastada dos colegas, como se estivesse  pensando no infinito, conversando com anjos. Mas ela tinha uma particularidade : Todas as outras meninas zombavam dela, por causa das suas meias em tom laranja – da Defesa Civil .
Um dia, alguém incomodado com aquela mesmice  lhe perguntou porque ela só usava meias daquela cor. Com a singeleza de seu coração expressa nas palavras balbuciou: "no ano passado, quando fiz aniversário,minha mãe me levou ao circo;lá aonde hoje existe  um grande hipermercado e colocou em mim essas meias laranjas. Eu ponderei e até argumentei que pessoas iriam rir de mim justamente porque eu usaria aquelas meias.Entretanto ela com aquele olhar de ternura disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as tais  meias. Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse uma menina de meias amarelas...claro lá estaria minha Amandinha !."
"Ora", disse a colega retrucando. "mas você não está num circo. Por que não tira essas meias esquisitas e as joga fora? Você está totalmente fora de moda!"
Amanda  olhou para os próprios pés, talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou: "é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias . Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja, ela vai me encontrar e me levará com ela."
Assim sendo caro leitor; há de convir que muitas pessoas  existem, nessa cidade, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi ou as oportunidades perdidas. Colocam as tais  meias laranjas  na expectativa de que alguém as identifique, em meio a multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração e de sua imanente existência e fazer parte de sua essência humana.
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios, e têm sede de carinho e fome de afeto.São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas. Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas, aguardando que alguém identifique as suas já desbotadas meias alaranjadas.
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas. Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita, do aniversário, da festividade, do reencontro especial.
Aguardam...esperam...imaginam...sonham...
São mulheres que  se levantam todos os dias, saem de casa, andam pelas ruas, sempre a espera de alguém que partiu, retorne. Andam atrás de emprego, de notícias e muitas vezes de um lar. São mulheres que esperam que o filho que tomou o rumo do mundo e enveredou pelo caminho das drogas, da delinqüência e da intolerância volte para o seio de sua família e retome os trilhos da prosperidade.
Por isso nesse dia das mães se por acaso você perceber alguém que  estiver usando meias laranjas , por gentileza: pensemos se não é esse o momento de reconstruir a esperança e a fé . E como gonzaguinha disse: hoje é a semente do amanhã.

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