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COLUNA

Mondovino

Donizetti Vicentin

Barris de carvalho

03 abril 2017 - 05h57

Assim como um chef de cozinha pode colocar mais ou menos temperos para diferenciar e dar um sabor especial em seus pratos, os vinicultores usam barris de carvalho para envelhecer e deixar melhores ou diferenciados seus vinhos.



Tradicionalmente são usados barris de carvalho franceses da região de Limousine e esses barris têm 228 litros, também existem os barris americanos de 225 litros, o vinho fica de 6 meses até 5 anos ou mais dentro desses recipientes. Esses barris se diferenciam dos seus concorrentes americanos pelo sabor. Claro, nem todos os vinhos  podem passar por carvalho porque ele também deixa aroma e sabor além de alterar a cor. Os brancos, por exemplo, raramente passam por este estágio em carvalho.



Mas afinal, para que serve esse estágio em barris de carvalho? Princialmente os vinhos com mais tanino, aquela substância que eu já expliquei a vocês que amarra, digamos assim, a boca, eles se tornam mais agradáveis ao paladar com esse estágio em carvalho, que é uma madeira porosa e que permite uma lenta  troca de oxigênio com o meio ambiente. Essa troca se faz por meio das paredes do barril e torna o vinho mais agradável quebrando um pouco do tanino e envelhecendo, muitas vezes, de maneira maravilhosa.



Os produtores por todo o mundo usam barris de carvalho em sua maioria franceses, porém também existe o carvalho americano que tem características diferentes do carvalho da França.



Obviamente, os produtores visam ao lucro e é claro que, se um vinho é produzido e imediatamente mandado para o mercado ele terá um valor menor, pois o produtor tem que comprar o barril, colocar o vinho e aguardar de 2 a 5 anos.



Dependendo do que se pretende para ter lucro mais o custo em relação, há um vinho que não passou por este estágio em madeira e muitas vezes compensa. É interessante procurar por um vinho que tenha sido entregue, digamos, imediatamente após a produção e um que tenha passado por barril de carvalho. Pesquise, na mesma vinícola, essas duas opções e sinta a diferença, tenho certeza de que você vai se surpreender. Como eu sempre digo na minha coluna, o mundo do vinho é muito vasto e sempre é tempo de aprender e explorar.



Nas antigas vinícolas do Velho Mundo, principalmente, não existia preocupação com a renovação dos barris, essa tendência existe, praticamente, há 60 anos, quando os barris foram adotados de uma maneira mais eficaz. Eles são usados apenas para três safras, em média. Esses barris têm um custo bastante elevado; um barril de carvalho francês custa em torno de 4.000 dólares ao passo que um barril de carvalho americano custa algo em torno de 700 dólares. 



Mas, o que é feito com esses barris após o terceiro uso? Eles são vendidos a indústrias que produzem uísque e conhaque, para que as bebidas produzidas por essas empresas envelheçam, passando, assim, dependendo do vinho que foi envelhecido nos barris, aromas e sabores para o uísque ou o conhaque ou qualquer outra bebida que entra em contato com a madeira. Existem vários casos clássicos desse casamento, como por exemplo destilarias escocesas que compram barris de carvalho francês no qual foram envelhecidos os vinhos espanhóis da região Jerez, dando cor e toque de doçura ao uísque.



Bons vinhos a todos!



“O vinho é como uma criança, absorve nosso humor, nossos gestos, nosso caráter, não há como enganá-lo”.



Josko Gravner, produtor vinícola italiano


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