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COLUNA

Miss Suite

Miss Suite

EDITORIAL

09 fevereiro 2019 - 10h00

Apresento-lhes Erika Espíndola, cantora e compositora de talento incomparável, que ora (neste momento) pratica a sua formação em jornalismo e escreve pelas próprias mãos parte da sua história de amor e coragem em busca de fazer cumprir o seu merecimento.

ERIKA. A MULHER QUE PAGA BOLETOS COM UM SONHO!
Fui perseguida por arte a vida toda e descobri só aos 24 anos de idade que dá pra pagar os “boleto tudo” com ela. Consegue imaginar a cara daquele tio chato concursado?! Então...
Descobri só aos 29 que dá pra compor e que tudo bem odiar as próprias composições. Dá até pra usar o tiozão como inspiração. Ano passado, aos 31, consegui me orgulhar de uma letra, melodia, harmonia... Foi tipo achar dinheiro na rua. Que felicidade!
Enquanto isso as crises existenciais mais profundas batem à porta junto com o carteiro entregando a fatura do cartão de crédito. “Ha-ha”, soltou o tiozão apontando o dedo para mim. “Vai pagar isso aí com showzinho?”
VOU! Mas cada um com seu fardo, certo, people? Querendo ou não, eu acabo levando um cadim de algum sentimento para quem me assiste, seja ele bom ou ruim, então o rolê vale a pena. Eu só quero que as pessoas sintam qualquer coisa nesse mundo que vende cada vez mais todo tipo de anestésico.
Nunca imaginei um dia querer TANTO gravar um disco, pois eu tava sossegada participando de discos de amigos. Porém ano passado senti um sopro na nuca (literalmente) seguido da frase “where is the guy with a halo?”
Que pergunta petulante, né?  Gosto assim.
Como resultado, em cima da base harmônica do meu amigo e produtor Júlio Queiroz, saiu “Guy with a halo” (em inglês mesmo, pois me sinto menos vulnerável, rs).
E depois vieram outras, tantas, muitas mais... E eu gostei de todas. Parece que eu tinha criado minha própria “manha” pra compor e  o que era para ser só um single evoluiu para um EP de 4 músicas.
Mais pra frente fui arrebatada por uma vontade que eu descreveria como etérea de registrar essas coisas que tenho sentido, criado e vivido em um disco. Só 4 faixas seria pouco para o caldeirão de sopa de letras de música que eu tava cozinhando. Dito isso, minha rotina tem sido assim:
1. acordo pensando no álbum;
2.tenho ideias que julgo geniais;
3.depois jogo essas mesmas ideias no lixo;
4. depois pego as ideias de volta e amo todas;
5. depois sinto um medão de não atingir a meta;
6. finalizo dormindo sorridente por saber que minha parte eu tô fazendo.
7. repito tudo no dia seguinte.
Tô jogando para o mundo lá fora muito do meu mundo interno. Experimento, tento, aposto, sonho, solto.
Ensaio, produção, exaustão, inspiração, transpiração, piração, altos, baixos, sonhos que fui obrigada a deixar pra trás, sorrisos e lágrimas são exemplos de palavras rotineiras desde o lançamento da minha campanha pelo Catarse. Para quem não sabe, criei um financiamento coletivo para custear a gravação do meu primeiro álbum. E vocês não fazem ideia da montanha-russa que isso é!


O LADO “D”ELES NO CENÁRIO MUSICAL DE CAMPO GRANDE.
A difícil vida de ser músico de rock em Campo Grande:

“Escolha um trabalho que você ame, e nunca terá que trabalhar um dia de sua vida!”. Abro este artigo com essa bela frase, verdadeira em muitos casos: fazer aquilo que se gosta é um prazer, e se você tiver retorno financeiro sobre isso, melhor ainda. Mas não é a realidade dos artistas de nossa cidade. Muitos gostariam de poder viver exclusivamente de sua arte, mas o caminho até atingir este patamar é árduo e, muitas vezes, inatingível.
Não há dúvida sobre a qualidade dos artistas que temos, são inúmeros exemplos de gente que diz ao que veio, artistas solo, duos, grupos e bandas, algumas big bands também, que animam as noites de Campo Grande. Focando no rock e suas vertentes, e no blues, que é a grande influência da maioria dos artistas de rock, a cidade conta com dezenas de atrações em atividade. Em comum, todas tem dificuldade em se manter unicamente de música. 
Começa pela dificuldade de vender seu trabalho na noite, agravado pela crise econômica, o movimento dos bares, restaurantes e casas noturnas caiu bastante, e com isso, os empresários tem dificuldade de contratar e pagar um cachê justo. Muitos artistas acabam montando projetos paralelos de menor custo, mais fáceis de serem vendidos, como opções de voz & violão, duos e power trios. É o caso do Haiwanna, banda com mais de 20 anos de estrada, e que conta, atualmente, com 4 integrantes: Hugo Carneiro, Danilo Souza, Diegomar Ciaparini e Maycon Scudeller. Para conseguir manter-se vivendo exclusivamente de música, o líder Hugo oferece souvenires como camisetas, canecas, além de comercializar os dois CDs já gravados pela banda, nos seus shows. Paralelamente, ele mantém um projeto de voz & violão, onde atua junto com um parceiro que toque violão, por ser mais fácil oferecer esta atração do que a banda completa. A prioridade é sempre a banda, mas se o contratante não puder arcar com os custos, ele também oferece o projeto de voz & violão, sendo esse mais viável.
Além da luta por espaços para tocar que ofereçam um pagamento justo, os artistas também precisam suar para conseguir produzir material de ajuda na divulgação de seu trabalho, como CDs, DVDs, clipes e músicas soltas, além, obviamente, de todo o material criativo que acompanha os produtos, como peças de divulgação nas redes sociais e mídia impressa.
E é na hora de produzir um CD ou DVD que a coisa começa a ficar ainda mais complicada: são investimentos altos e nem sempre sobra dinheiro das apresentações. Por conta disso, sempre que sai um edital relacionado à cultura, é grande o interesse dos artistas em buscar recursos públicos, esbarrando aí em outra grande problemática: muitos não sabem como apresentar o projeto para captação de recursos e nem sempre tem toda a documentação necessária, fazendo com que as tentativas fracassem, por insuficiência de informações e documentações obrigatórias. Em meio a tantas dificuldades, sobra a alternativa de promover eventos e buscar apoio dos parceiros, amigos e fãs, numa espécie de crowdfunding, que nada mais é do que a colaboração mútua de pessoas, cujo objetivo é ajudar alguém a realizar seu projeto, com o intuito de gerar valor para si e para a sociedade, de um modo geral. 
É o que está fazendo, neste momento, a grande artista Erika Espíndola, uma das vozes mais poderosas da cena local, ela tem passagem por várias bandas locais importantes, passeia por vários estilos, sempre com maestria e atualmente está envolvida com seu projeto solo. Erika está angariando fundos para gravar seu disco e encontrou, na colaboração, um caminho para viabilizar o projeto.

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