Menu
Busca segunda, 15 de julho de 2019
(67) 99647-9098
COLUNA

Comportamento

Sálua Omais

Fome emocional

21 junho 2019 - 09h29

Comer. Uma necessidade ligada à sobrevivência, mas que, pode nos levar à morte tanto pela falta, quanto pelo excesso. Mais do que uma necessidade física, o ato de comer está intrinsicamente relacionado a questões emocionais, culturais, sociais. A comida faz parte de momentos onde vivenciamos os sentimentos mais diferentes possíveis, sejam positivos ou negativos. A tristeza, a raiva, a ansiedade, podem ser gatilhos para a comida, como forma de confortar ou aliviar a dor, assim como a alegria e a diversão também, porém com outro intuito: comemorar ou celebrar, já que as melhores lembranças da vida são sempre acompanhadas de comida: aniversários, casamentos, festas, almoços, reuniões de família, entre outros.

O ser humano busca a felicidade basicamente por dois caminhos. O da gratificação imediata, que traz a sensação de conforto e segurança. E o outro, o caminho da felicidade mais duradoura, da excelência, que vem da busca de algo maior, de um propósito. Muitas pessoas utilizam a comida e a bebida como válvula de escape para dor, para lidar com frustrações, decepções, ou também, para se consolarem em momentos de solidão. E aí, chega um ponto, onde a comida se torna, para muitos, uma das poucas fontes de alegria na vida.

A fome emocional é muito mais exigente que a fome real. Ela não aceita ‘’qualquer’’ tipo de comida, mas somente aquelas mais ‘’especiais’’ e ‘’saborosas’’. Um dos sinais da fome emocional é que, ao invés de satisfação e saciedade, a pessoa é envolvida por emoções e sentimentos de culpa, vergonha, remorso, e raiva de sua própria impotência e descontrole sobre a comida. E aí começa o ciclo: emoções negativas despertam a vontade de comer, e após comer, outras emoções negativas surgem, fazendo com que o processo se inicie novamente. A fome emocional tem suas raízes em aprendizados e associações que fazemos desde a infância, porém, não se restringe somente a isso, mas também a costumes e hábitos socialmente disseminados pela cultura e pelo meio em que vivemos.

A questão que inicia o processo emocional da fome é: qual é a sensação que estou tentando não sentir? Qual o problema que não estou conseguindo resolver ou então, o que está faltando e que estou tentando preencher com a comida? Emoções nos levam à comida porque não sabemos lidar com elas de formas diferentes. Não aprendemos e ninguém nos ensinou a agir de forma inteligente com nossas emoções, mas sim de forma instintiva e primitiva, e aí, quando emoções negativas nos afligem, a comida se torna uma fuga, um consolo e uma forma de alívio.

Dietas, a longo prazo, são fadadas ao fracasso se o indivíduo não aprender a lidar com suas emoções ou enquanto não desconstruir crenças e associações que fazem esse processo ser algo tão automatizado. Identificar os gatilhos que estimulam a fome, exige autoconhecimento e percepção, além de autocontrole, equilíbrio e aceitação de suas próprias fragilidades. Permitir-se sentir emoções desconfortáveis pode ser muito desafiador, porém reprimir, resistir ou tentar fugir delas, pode ser muito pior.

Sálua Omais é Psicóloga, palestrante e professora da UFMS, com Mestrado em Psicologia da Saúde e Saúde Mental e Master Trainer em Psicologia Positiva, Neurossemântica e PNL e titular do site www.psicotrainer.com.br onde escreve artigos diversos sobre Psicologia Positiva, Coaching e Inteligência Emocional

Deixe seu Comentário

Leia Também

Férias: uma pausa necessária
Fome emocional
Relacionamentos afetivos positivos
Perdão: um desafio para poucos
Violência Contra a Mulher