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COLUNA

Rosildo Barcellos

Rosildo Barcellos

Então, existe um propósito?

24 março 2020 - 09h16

Raul Seixas (1945-1989) morreu em casa ouvindo música. Mas além dessa informação um questionamento: Raul Seixas seria um caso de lucidez e inteligência aguçada, capaz de se expressar com um simbolismo mágico que remetia diretamente a temas e problemas de seu tempo histórico ? A música tem papel de estimulador de sensações e de resgate da memória. Mas é importante ressaltar que a vida é feita de uma sucessão de fatos e de aprendizados Muita gente não sabe, mas Raul Seixas escreveu grandes sucessos e apoiaram artistas que estavam começando. Foi o caso de "Doce, doce amor" para o Jerry Adriani, e "Ainda queima a esperança" para Diana. Assim juntando o seu conhecimento de Brasil, pois viajou muito com o pai, engenheiro da NOB. Raul teve, na Bhagavad Gita, respostas repletas de conhecimento, capazes de anular a sensação de insuficiência ou de separação e isolamento completo que, por vezes, invadem os nossos corações.

Entrementes, para se entender melhor no capítulo XIII, Krishna, que durante o desenrolar do texto assume o papel de mestre, fala a Arjuna, seu discípulo, quais os valores fundamentais, para a compreensão de si mesmo como não separado do todo, como consciência além do corpo e da mente, ilimitado e pleno. Assim, se nós verificarmos os títulos das músicas  do Raul Seixas, as aflições do cotidiano em forma de versos são retratadas em Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, Eu Também Vou Reclamar, ele utilizava essa forma para que as pessoas que cantassem suas músicas,  a fizessem na primeira pessoa.  Numa cultura como a nossa que visivelmente tem priorizado reprimir a individualidade, em favor da massa, é muito mais importante que a pessoa aprenda a dizer Eu Faço , Eu sou Capaz. Principalmente cantando, que é uma forma de buscar a autoafirmação. Esta foi a intenção de Raul Seixas, que antes de tudo era alguém que entendia da essência da música e do sentimento humano, sabia da importância de Deus na vida as pessoas e tinha a convicção que o AMOR poderia quebrar as barreiras de credo, raça. religião, preconceitos, recursos financeiros e ser o caminho da felicidade e da paz.

E assim ele chegou em uma “previsão” do Coronavírus em “O Dia Em Que a Terra Parou”, escrita por Raul Seixas e Cláudio Roberto e lançada em 1977 E o aluno não saiu para estudar Pois sabia o professor também não tava lá E o professor não saiu pra lecionar Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar.   E assim, os dias de hoje remetem diretamente a esse sucesso. Quero lembrar apenas um detalhe: o álbum do cantor e compositor Raul Seixas foi lançado em 16 de março de 1977 e em 16 de março de 2020, o Presidente Bolsonaro decreta em edição extra do Diário Oficial da União "Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19". Com essa informação deixo meu  brado retumbante e  meu grito penetrante a todos os que  são considerados fora da curva e que como eu já foram taxados de esquisito, indigesto,  louco ou de outro mundo, e repito aos que sentem um gêiser interior de energia borbulhante, deixo muito claro que existe uma missão só sua nessa vida; e ressalto que, alguém preocupado com a sua imagem perante a sociedade tende a nunca fazer nada que alcance o íntimo de alguém. É impossível ser criativo e plenamente aceito, em todas as castas, e com todas as pessoas; mas aproveite essas oportunidades de amar “de novo”, reconciliar “de novo’, repensar seus atos, rever suas “ingratidões” e buscar a felicidade. Podemos até dispensar o elegante beijo na mão por uns tempos, mas a busca da sua essência de amar, respeitosamente digo que, eu não posso fazer isso, por sua pessoa, posso apenas escrever para que todos leiam!

*Articulista

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