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COLUNA

Rosildo Barcellos

Rosildo Barcellos

O valhacouto da Poesia!

17 novembro 2020 - 11h36

O vestibular UFMS 2021, apresentou uma relação de nove obras de autores da literatura de língua portuguesa, para que sejam estudadas e sirvam como base para questões e conhecimentos dos candidatos. Os livros são: “Marília de Dirceu”, de Tomás Antonio Gonzaga; “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis; “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto; “Viagem e Vaga Música”, de Cecília Meireles; “Sagarana”, de Guimarães Rosa; “O Encontro Marcado” de Fernando Sabino; “Seminário dos Ratos”, de Lygia Fagundes Telles; “Cinzas do Norte”, de Milton Hatoum; e Vias do Infinito Ser, de Rubênio Marcelo.

 Publicado pela Editora Letra Livre, o livro de Rubenio Marcelo traz 115 poemas em versos livres Aprovado pelo FIC/MS, foi seu 11ª livro autoral; (“Vias do Infinito Ser”).  Apresenta poemas dosados de efeitos metafóricos, tendo como corolário, a sintonia abrangente da linguagem filosófica coadunando com aspectos da espiritualidade humana – a obra expõe também mensagens voltadas para reflexões acerca da virtude e aspectos existenciais além do imediatismo premente estrênuo do cotidiano. A orelha traz alusões enfáticas e precisas, de pesos pesados da literatura do nosso Estado. O escritor, jornalista e acadêmico Henrique de Medeiros aponta: “Neste novo livro, Rubenio Marcelo veleja, filosofa, canta, expõe o verbo poetar em sua essência, e principalmente busca o essencial: o ser”. Entrementes o escritor J. P. Frazão, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, assevera: “Ao desvendar o fenômeno das intuições e do fantástico místico incorporado neste livro ‘Vias do Infinito Ser’, testemunhamos que a infinitude poética se confirma em cada verso, filosoficamente criado, como um fio de sensações cósmicas interligando astros, que acarreia-nos ao misterioso e indecifrável eflúvio do alfa/ômega da existência”. A poesia que oferta o titulo a obra reproduzo em fragmento: VIAS DO INFINITO SER - sem a ordem do dia,do sobrenatural;não haveria a natural ordem das coisas da noite…da noite para o dia, silentes instantes tornam-se eternos…do dia para a noite, palavras saltam muralhas e viram estrelas…

 Se por um lado não há óbices para um homizio “eu lírico” em cumprir sua sina, por outro, sua escrita não se reduz à emotividade, pois promove um diálogo profícuo entre a tradição poética e os silentes instantes que se tornam eternos. Outrossim, o pensamento romântico abarca para a poética moderna o ideal do lirismo ígneo, como essencialmente subjetiva. Dessa maneira, o poeta passa a manifestar sua experiência individual e o eu lírico a expressar não somente a realidade, mas a maneira como a interioridade dialoga na facúndia loquacidade com a tal realidade.

A importância da abordagem existencial apresenta seu embate, a  nosso ver, no alcance que pode trazer à compreensão da experiência humana. Vejo através dessa escolha efusivo beneplácito, no aquecimento da literatura regional, nitidificando um fortalecimento para todos nós escritores, com novos livros saindo do recôndito das prateleiras para as praças e pontos de estudo. Por derradeiro, Descartes, pela aplicação da dúvida metódica, assumiu a existência do cogito, isto é, da sua existência como ser pensante. demonstrou a existência de Deus; a partir do fato de que não nos podemos conservar a nós próprios. Se não podemos garantir a nossa existência, mas apesar disso existimos, é porque alguém  pode garantir-nos essa existência e essa completude se torna eterna … através da poesia. E graças a Deus sou um poeta ainda que aprendiz, sim; eu sou!

*Articulista

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