Menu
Busca domingo, 09 de agosto de 2020
(67) 99647-9098
Governo 01
COLUNA

Rosildo Barcellos

Rosildo Barcellos

Qui pourra te dire combien je t'aime

28 janeiro 2020 - 10h56

Esta semana fui provocado a escrever sobre algo que também é parte de mim. É a fotografia!. Por isso o título "Qui pourra te dire combien je t'aime." (quem pode dizer quanto amo)  Realmente, a fotografia faz parte da minha vida. Acredito na  transmutação histórica do tempo quando estamos fotografando. Quando olho uma foto,não vejo as cores nem tampouco o ambiente. Vejo o tempo detido, percebo a memória.As fotografias valorizam e eternizam o momento solene do registro do estado de felicidade. Por isso me preocupa a ameaça de extinção a que está submetida a profissão de "lambe lambe," e este pensamento me fez  recordar, que longe dos  grandes estúdios fotográficos e das máquinas digitais, encontramos uma figura especial, ligada à esse passado não muito distante, mas considerado arcaico por muitos,:o fotógrafo lambe-lambe_.Assim comecei a indagar  ao redor sobre o tema e constatei que cada vez menos pessoas se aventuram a este ofício.

Agora pasmem os leitores que  a máquina que deu origem a esta profissão foi fabricada no Brasil. Surgiu no início do século pela necessidade de um homem, Francisco Bernardi, de transportar com maior comodidade, todo o equipamento necessário para se obter uma foto em preto e branco. Essa atividade  é tão diferente pois consegue aliar  criatividade a uma natural e aguçada sensibilidade tátil, que foi o  ponto de partida para o desenvolvimento do ofício, cuja nomenclatura foi sugerida por abarcar um gesto  incomum no exercício da profissão, isto é, o teste que se faz para verificar de que lado está a emulsão de uma chapa, filme ou papel sensível. Para evitar o erro de colocar a chapa com a emulsão voltada para o fundo do chassis o que deixaria fora do plano focal e portanto com falta de nitidez, costumava-se  molhar com saliva a ponta do indicador e do polegar e fazer pressão com esses dois dedos sobre a superfície do material sensível num dos cantos para evitar manchas.

Não podemos deixar que esses verdadeiros artistas sejam esquecidos em nossa memória e não podemos apenas  contemplar as imagens desses “desconhecidos íntimos” e apenas guardar em nossa gaveta do passado, devemos,sim lembrar que das milhares de fotografias esmaecidas produzidas pelos lambe-lambes e que hoje estão esquecidas em velhas caixas; posto que cada uma delas representam os fios que tecem a história de sua família,de sua juventude, de sua cidade e por fim da sua vida. E quando estamos em uma fotografia, devemos ter a certeza de que quando ela estiver pronta não podemos enxergar apenas com os olhos; pois necessitamos amiúde do auxílio da alma, Quando olharmos uma foto com a alma deixamos de ser pessoas para sermos,lágrima, sorriso, história e elementos do cenário da vida. Quero exaltar a importância da fotografia, neste momento, porque nem sempre aquele adeus poderemos dar e muito menos tatear um semblante com a ponta do nariz. Uma foto permite isto e muito mais, inclusive sorriso e lágrimas, pra sempre!

 *Articulista

Deixe seu Comentário

Leia Também

A Mãe retifica, o Pai ratifica!
ECA 30 anos!
A Recôndita Sedução da Depressão !
Retrato em Preto e Branco
Nó Górdio