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COLUNA

Rosildo Barcellos

Rosildo Barcellos

Setembro Amarelo

17 setembro 2019 - 15h46

A morte não é contrário da vida, e sim sua consequência. Historicamente a palavra suicídio (etimologicamente sui = si mesmo; - caedes = ação de matar) foi utilizada pela primeira vez por Desfontaines, em 1737 e significa fenecimento auto-inflingido, isto é, quando a pessoa, por desejo de escapar de uma situação de sofrimento intenso, decide tirar sua própria vida.

A tensão nervosa culmina em conflitos intrapsíquicos que transtorna a tal ponto, que a morte torna-se único acalento e a inevitável solução dos problemas. E uma segunda vertente aponta para  que o suicida deposite a culpa de sua morte nos outros indivíduos que compõem seu ambiente social. Neste caso o suicídio funciona como um ''castigo''. É como revidar uma agressão do ambiente que o envolve. Por isto os recados dizendo “agora você vai se lembrar de mim o resto de sua vida”

Na civilização romana, importante era a forma de morrer: com dignidade e no momento certo. Para os primeiros cristãos, a morte equivalia a libertação, pois a doutrina pregava que a vida era um "vale de lágrimas e pecados". Nesse momento a morte surgia como um atalho ao paraíso. Nos séculos V e VI, nos Concílios de Orleans, Braga e Toledo, proibiram as honras fúnebres aos suicidas, e determinaram que mesmo aquele que não tivesse obtido sucesso em uma tentativa deveria ser excomungado. Os familiares dos suicidas eram deserdados e vilipendiados, enfrentando os preconceitos sociais. Apenas na Renascença a humanidade dos suicidas foi reconhecida, o romantismo desse período forjou  uma nova  áurea de aceitabilidade.

Não obstante, em outras culturas, o suicídio era um ato de bravura, como quando os kamikazes direcionaram seus aviões-bomba aos contratorpedeiros americanos em Pearl Harbor. Por outro lado, quando buscamos uma solução bíblica encontramos "nenhum homicida tem permanentemente nele, a vida eterna" (1 João 3.15). O Marquês de Maricá dizia: “Os nossos maiores inimigos existem dentro de nós mesmos” uma fronteira tênue.

Outrossim, o que precisamos mesmo, independente do conceito técnico ou histórico é contribuir, independente das dificuldades que cada um de nós temos, possam identificar, que determinado indivíduo, possui um problema que pra ele ou ela é grandioso e devorador, e que se deprime ou se anula como pessoa, podendo desenvolver um quadro de depressão, que na minha percepção, é o mal do século: pois as famílias não conversam mais, não almoçam juntas e não vejo mais cadeiras nas calçadas. Acredito ainda, que o suicidado quer verbalizar a todos, que sua palavra precisa ter valor; que precisa de atenção, claro, como todos nós! Por isso nunca esqueça do seu próximo, de responder as mensagens, os emails, ou simplesmente... agradecer pelo que “fez ou faz”,(isso mesmo: não ser ingrata nem egoísta)...isso “faz  e fará”, uma diferença incomensurável: acredite!

Articulista, no Jornal de Domingo desde fevereiro de 1992.

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