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Cultura

4.000 cinemas são inaugurados a cada ano em cidades chinesas

23 abril 2014 - 11h54Via Revista Samuel
Quando Diao Yinan venceu o Urso de Ouro e Lou Ye o prêmio de melhor fotografia no Festival de Berlim de 2014, Zhou Tiedong – presidente do órgão oficial China Film Promotion International – anunciou com um tuíte que o cinema tinha entrado na “década chinesa”. Em 2013, as bilheterias da República Popular faturaram mais de 2,6 bilhões de euros, 28% a mais do que o ano anterior. E há quem preveja que o mercado chinês supere o americano até 2020.

Segundo Wang Jianlin – fundador e presidente do poderoso grupo Wanda, que investirá mais de seis bilhões de euros na China, na construção dos maiores estúdios de cinema do mundo – esse domínio vai chegar ainda mais cedo. O magnata está convencido de que as bilheterias chinesas superarão as dos Estados Unidos em 2018, e que em 2023 elas já serão o dobro do faturamento no país de Hollywood. Wang diz se guiar por duas ideias fundamentais em seu projeto: o “soft power” e o mercado. Se o primeiro agrada o governo, é principalmente para o mercado que todos olham com interesse.

“São um bilhão e trezentos milhões de pessoas chinesas, e elas são cada vez mais ricas. Quatro mil novos cinemas são inaugurados a cada ano na China”, declarou Wang durante o anúncio de seu projeto. Uma visão compartilhada pelos franceses, que em 2013 promoveram seu cinema na China e chegaram ao ótimo resultado de 5,2 milhões de ingressos vendidos. Até a Itália começou a se mover nesse sentido através da ANICA – Associação Nacional de Indústrias Cinematográficas Audiovisuais e Multimídias – que em junho de 2013 abriu um escritório em Pequim também para facilitar a distribuição de filmes italianos no mercado chinês.

Os Estados Unidos tentam há tempos. Mas o ponto é que somente 34 blockbusters e pouquíssimos filmes independentes foram admitidos no mercado chinês até hoje. E os produtores têm como retorno uma cota muitas vezes inferior a 25% do faturamento das bilheterias. Apesar disso, o investimento deve valer a pena. Frequentemente as versões dos filmes norte-americanos destinadas ao mercado chinês têm cenas a mais ou a menos com relação às versões originais. Uma maneira de agradar o público chinês ou de evitar a censura.

Santo de casa

Mas o verdadeiro ponto de interrogação são os filmes chineses. É como se o governo quisesse manter duas estradas destinadas a não se cruzarem. Os filmes direcionados ao mercado interno não funcionam no exterior. Ano passado, “Lost in Thailand”, uma comédia chinesa que segue a fórmula do sucesso hollywoodiano “Se beber não case”, faturou quase 140 milhões de euros dentro da China. Não teve o mesmo sucesso nos Estados Unidos, onde embolsou somente US$ 43 mil.

Dos 640 filmes produzidos na China em 2013, somente 45 receberam autorização para serem exibidos no exterior. O resultado é um lucro magro, se comparado ao que se fatura dentro de casa: parcos 125 milhões de euros. O governo quer que os produtos chineses sejam universalmente reconhecidos como dignos de valor, mas ao mesmo tempo permanece atento à maneira como a China é narrada nas telas. Mesmo um reconhecimento como um prêmio internacional não é garantia de boa acolhida do lado de cá da grande muralha. Um exemplo? “A Touch of Sin”, a última empreitada do multipremiado diretor Jia Zhangke, que levou o prêmio de melhor roteiro no festival de Cannes em 2013, ainda não recebeu a autorização para ser exibido nas salas chinesas.

Felizmente, o filme “Black Coal, Thin Ice” parece não estar seguindo o mesmo caminho. O diretor Diao Yinan disse à revista The Economist que passou oito anos inserindo elementos mais comerciais em sua trama. Esforço que talvez seja recompensado dentro de casa. “Eu inclusive já vi o certificado de aprovação”, declarou, confiante de que seu filme será exibido nas salas chinesas nos próximos meses. Se a história lhe der razão, poderemos de fato concordar com Zhou Tiedong. Também no cinema, estamos entrando na década chinesa.

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