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Cultura

'É triste ainda estarmos falando sobre isso', diz ator de beijo gay pioneiro na TV

03 fevereiro 2014 - 12h19Via BBC Brasil
Os atores Daniel Barcelos e Rai Alves, que protagonizaram um beijo gay pioneiro na TV brasileira em 1990 em uma minissérie da TV Manchete, dizem ter ficado decepcionados com a reação de parte do público ao beijo entre os personagens Félix e Niko da novela Amor à Vida.

Segundo Alves, a cena da novela da Globo, que acontece cerca de 24 anos após o beijo de seu personagem, respondeu à pressão da sociedade. "A Globo não fez isso de bobeira. O mercado impôs, a sociedade impôs".

"É muito triste num país como esse, com uma diversidade tão grande, ainda estarmos falando sobre isso como algo curioso. Pessoas são pessoas. Não fomos educados para conviver com as diferenças, este é o problema", disse à BBC Brasil.

"Acho uma perda de tempo discutirmos a homossexualidade. Temos que discutir, sim, o combate à homofobia."

Para Daniel Barcelos, chamou atenção o "radicalismo" de muitos comentários em portais de notícias e redes sociais. "Fiquei chocado com alguns comentários ultra-religiosos, que falavam como se aquilo fosse coisa do demônio."

Na série Mãe de Santo, que relacionava os orixás de religiões afro-brasileiras com histórias do cotidiano, os personagens de Barcelos e Alves se apaixonaram e viveram um romance.

De acordo com Barcelos, a cena do beijo foi surpreendente também para os atores, que só foram avisados que ela aconteceria na hora da gravação.

"Não teve nenhuma preparação emocional, foi no impacto", disse o ator à BBC Brasil.

O ator diz, no entanto, que a cena não teve grande repercussão na época - a minissérie era exibida às 22h30 e teve baixa audiência.

"A repercussão foi maior para mim mesmo, porque sabia que tinha feito uma cena que era importante", recorda.

"Sempre achei que aquilo era um passo à frente, na época. Eram dois tabus, porque também era um beijo interracial."

Piadas nas ruas
Apesar da pouca atenção que o episódio recebeu, Barcelos diz que se orgulha do trabalho. A história mostrava não só o beijo, como o relacionamento do casal até a morte de um deles.

"Na história, fazia sentido (o beijo). O (personagem) Rafael não era feliz no casamento dele e foi buscar a felicidade, o encantamento", diz.

Rai Alves, que interpretava Lúcio, lembra que chegou a sofrer preconceito em Salvador, onde se passava a minissérie, na época.

"Não recebi ameaças, mas ouvi piadinhas. Também por ser negro em uma sociedade preconceituosa como a nossa", disse à BBC Brasil.

"Ouvi comentários do tipo 'além de negro, é viado'. Isso refletia a cabeça das pessoas naquele instante. Hoje, o discurso é outro. Dizem: 'É viado, mas longe de mim tudo bem'."

Requisitados após a exibição do beijo gay na Globo, os dois atores acabaram retomando o contato pelo Facebook e trocaram impressões sobre a época.

"Sabíamos do que a história se tratava, mas não sabíamos do desfecho", relembra Alves.

"O bom da direção foi que a cena tinha uma coisa muito romântica, lírica. E a sombra que aparece é o truque. Nos aproximamos muito, mas foi uma espécie de selinho. O diretor pediu que não caíssemos no território do vulgar."

O beijo entre os personagens de Barcelos e Alves pode ser considerado o primeiro beijo de um casal homossexual na TV aberta brasileira.

Antes deles, em 1963, duas atrizes teriam se beijado em Calúnia, um teleteatro da TV Tupi de São Paulo, mas não há registro da cena.

Em 1985, na novela Um Sonho a Mais, da Globo, os atores Ney Latorraca e Carlos Kroeber trocam um "selinho". No entanto, o personagem de Ney Latorraca está travestido de mulher, assumindo a identidade da secretária Anabela.

Outros beijos entre homens foram veiculados na TV aberta, como o selinho de Silvio Santos em Gilberto Gil no Teleton de 2001, e o de Danilo Gentili no baixista Mingal no programa 'Agora é Tarde', da Band.

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