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Cultura

Fotógrafo mostra em livro estudantes em salas de aula ao redor do mundo

17 setembro 2012 - 10h53Julian Germain / Divulgação / Prestel Publishing

Entre a classe equipada com um computador por aluno em Tóquio, no Japão, e o casebre sem luz elétrica em Gambela, na Etiópia, o artista britânico Julian Germain capturou, em um livro com 87 fotografias, retratos de salas de aula produzidos nos últimos oito anos em 19 países. A obra "Classroom portraits 2004-2012" ("Retratos na sala de aula", em tradução livre), lançada nesta segunda-feira (17) no Reino Unido, reúne uma seleção dentre as mais de 450 imagens feitas por ele em mais de 20 países. Duas delas foram tiradas no Brasil. A capa do livro mostra alunos de uma classe da Escola Estadual Nossa Senhora do Belo Ramo, de Belo Horizonte.

Em entrevista ao G1, Julian afirmou que seu projeto não é científico e que a proposta é artística, mas serve para provocar reflexões. "As fotos fazem você pensar sobre infância, adolescência, o crescimento. Existem muitas similaridades, se você pensa na ideia de que pode ir a qualquer país do mundo e, se vir uma escola, vai reconhecer essa construção como uma escola, mesmo que as crianças não estejam lá", afirmou.

Embora alguns alunos tenham sido retratados após aulas de música em salas específicas, ou no pátio do colégio durante atividades de educação física, a grande maioria dos retratos foi feita dentro da sala de aula e mostra elementos universais da educação.

"Em praticamente todos os países que você vai, a sala de aula tem, em algum local, um quadro negro, ou algum lugar onde o professor vai escrever. E de frente a esse quadro estarão as carteiras onde os alunos sentarão."

Outra coincidência notada por ele é a presença do retrato de algum político marcante na história do país. As crianças britânicas, segundo Julian, aprendem suas lições sob o semblante de Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Já no Bahrein, é o retrato do rei Hamad ibn Isa Al Khalifa que observa as aulas.

"Ao mesmo tempo, é possível ver uma enorme diferença no ambiente do entorno das escolas de cada país, e em regiões dentro de um mesmo país. É muito bom ver a série de fotos de crianças do Qatar, Bahrein, Europa, América do Norte..."

As imagens foram dispostas em ordem cronológica, mas, mesmo assim, há muitos contrastes. Em uma página, um grupo de alunos ingleses, com uniforme que inclui gravatas, aparece entre os computadores na aula de tecnologia da informação. Na página seguinte, também com camisa e gravata, mais de 50 crianças nigerianas se apertam em uma sala de aula com móveis de madeira provenientes de doações.

Coreografia
Julian estima que milhares de alunos de cinco a 18 anos tenham esperado, imóveis e pacientes em suas carteiras, ou de pé ao lado de colegas, pelas lentes de Julian. Os olhares sérios nas fotos mostram que todos entenderam a proposta do artista de coreografar a turma para que a câmera os capturasse coletiva e individualmente.

O processo era complexo, mas, de acordo com ele, durava cerca de 15 minutos, sempre no fim da atividade. Ele conta que que se apresentava aos estudantes antes do início da aula, acompanhava a lição silenciosamente enquanto montava seu equipamento e, ao fim dela, levava cerca de dez minutos para dispor as crianças e adolescentes pelo campo de visão da câmera, e outros cinco para realizar as fotos.

A alta exposição necessária para manter o foco exigia que as crianças não se movessem durante o tempo de captura das lentes. "As crianças esperaram por mim, e eu esperava por elas. Era como nos retratos de tempos antigos. Naquela época, o tempo de exposição era ainda mais alto, e se alguém se movesse, a foto saía completamente borrada."

Segundo ele, as poses e o cenário são autênticos. "Não lhes dizia o que fazer. O que você vê nas fotos é o que eu vi."

Durante os oitos anos, Julian tocou seu projeto de forma independente e paralela ao seu trabalho remunerado como artista e fotógrafo. "Não é um projeto financeiro, fui aproveitando oportunidades com o passar dos anos", diz. Ele afirma que recebeu patrocínios pontuais para viajar a alguns países em busca de retratos escolares.

Com a ajuda do Conselho Britânico, ele conseguiu apoio financeiro e contatos em nove países da Ásia, Oriente Médio e África, principalmente os muçulmanos. Museus e fundos culturais o auxiliaram durante sua passagem pela Holanda, Rússia e Cuba.

Classes aleatórias
O autor do livro explica que a escolha dos colégios foi aleatória e, na maior parte das vezes, ele chegou até elas por meio de "um conhecido que conhecia algum professor de uma escola". A única visitada propositalmente foi o Centro Escolar Público Maria Auxiliadora, em Cuzco, no Peru. "Um fotógrafo que admiro imensamente, Martín Charnbi, fez uma foto linda de uma classe lá em 1927. Eu fiz um tipo de homenagem 80 anos depois."

No Brasil, Julian tem amigos em Belo Horizonte e costuma viajar a Minas Gerais uma vez por ano para atuar em um projeto com crianças de rua chamado No Olho da Rua. Por isso, as três escolas visitadas por ele são mineiras. Duas delas, a Escola Estadual Nossa Senhora do Belo Ramo, na capital do estado, e a Escola Estadual Francisca Josina, na zona rural de Serra do Cipó, no norte de Minas, foram incluídas no livro.

"Não sou um especialista em educação brasileira, mas me pareceu claro que, nas escolas que visitei, a educação oferecida é muito básica. Meus amigos me contam que as famílias de classe média matriculam seus filhos na escola privada, já quem estuda na escola paga pelo governo tem menos acesso à universidade. A oportunidade de mobilidade social através da educação é reduzida por causa disso", afirma Julian.

O Brasil foi o terceiro dos 19 países a participar do projeto. As 11 garotas e 12 garotos da sexta série da escola de Belo Horizonte foram fotografados em 17 de novembro de 2005, depois da aula de matemática. No dia seguinte, foi a vez da turma de 28 alunos da quarta série da escola rural de Serra do Cipó de ter seu retrato feito, após a aula de geografia.

Ele afirma que um dos efeitos mais desafiadores e interessantes do livro é sentir, ao virar cada página, "um acúmulo de pessoas jovens olhando fixamente para você ao mesmo tempo em que você olha para elas".

No caso dos retratos mais antigos, como os do Brasil, há ainda outro fator. "Eu vejo as fotos e imagino que as crianças nas imagens agora são sete anos mais velhas. Algumas delas já até saíram da escola", conta.

Para ver mais fotos, clique aqui.

Via G1

Senar - agosto2020

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