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Cultura

Latitudes aponta um novo caminho para fazer cinema no Brasil

16 março 2014 - 10h58Via Blog do Sadovski do Uol
Latitudes está em cartaz há poucas semanas no Brasil. É um romance simpático, em que a editora de moda defendida por Alice Braga conhece o fotógrafo interpretado por Daniel de Oliveira, e os dois desenvolvem um relacionamento atípico, em quartos de hotéis pelo mundo, quando o trabalho de ambos se cruza. Alice e Daniel tem uma química bacana em cena, e transmitem suas preocupações, angústias, sentimentos, dor e paixão. É um romance de verdade em um cenário lúdico. É também um filme ambicioso que pode sinalizar um novo modelo para fazer cinema no Brasil.

Um cinema, que veja só, sequer começa no cinema.

O projeto Latitudes, do diretor e roteirista Felipe Braga, foi bolado como uma experiência no YouTube. “Queria fazer algo sem as amarras de editais ou dos caminhos comuns do audiovisual nacional”, conta. A história de amor dos personagens de Alice e Daniel precisou de um planejamento de produção minucioso e de um roteiro bem amarrado. “Tínhamos a ideia, um bom time nos bastidores e os contatos para realizar os vídeos”, continua. Uma produção da House e Los Bragas em parceria com a O2, Latitudes se beneficiou de seus parceiros comerciais da produtora e de uma equipe esperta. “Na ponta do lápis, o custo do projeto seria astronômico”, explica Felipe, atualmente roteirizando a biografia Marighella, estreia na direção de Wagner Moura. “Mas conseguimos o apoio de todos os hotéis que procuramos. Eles entenderam o valor de uma permuta assim, principalmente com o Brasil sob os olhos do mundo.”

Assim, a produção de Latitudes, apoiada em três patrocinadores, desenhou uma agenda de filmagens global. A equipe filmou em oito países diferentes, acompanhando a trajetória fictícia de Olivia (Alice Braga) e José (Daniel de Oliveira). “O planejamento foi essencial”, aponta o diretor. “Viajávamos com uma equipe enxuta, recrutando técnicos em cada cidade quando necessário. E ficávamos todos hospedados nos hotéis em que a história se desenrola.” Em alguns casos, o texto foi adaptado para cada lugar, já que os luxuosos hotéis, de Paris a Veneza, passando por Londres e Istambul, traziam sua própria bagagem. Acidentes felizes, como a cena em que Olivia acompanha um desfile de alta costura em Londres, adicionam valores à produção. “O convite para ir ao desfile foi inesperado, e quase desistimos”, diverte-se Felipe. “No fim, fomos só eu e Alice, com a condição de que ela estaria lá o tempo todo como Olivia, o que a marca topou. Todas as reações dos presentes com ela são 100 por cento naturais.”

O canal para desaguar o projeto foi o YouTube, que contabilizou quase 470 mil views no episódio mais procurado, com o casal em um hotel espetacular em Paris. “Colocar Latitudes logo no ar, em uma plataforma global, foi essencial para o projeto respirar e também para mostrar a nossos parceiros que a iniciativa era viável”, continua Felipe. O canal de vídeos online, iniciado em julho do ano passado, exibiu cada um dos encontros de Olivia e José em episódios com 15 minutos em média. A série foi reeditada para a exibição na TV (pelo canal fechado TNT) e ganhou uma nova montagem e trilha para sua versão em cinema. Mantendo tudo em casa, a distribuição foi da O2 Play, recém criado braço da produtora para abraçar, produzir e colocar no mundo projetos e propostas que fujam do padrão que o audiovisual brasileiro segue desde a chamada retomada da produção nacional, quase duas décadas atrás.

Mas a teoria cairia por terra caso Latitudes não fosse um produto elegante e bem produzido. Alice e Daniel injetam veracidade a personagens atípicos para os padrões brasileiros (bem sucedidos, sem uma gota de discurso social forçado) e entregam um casal que vive em compartimentos, tendo uma mala como a única constante. Ambientar a história em hotéis – lugares impessoais, residências temporárias – ajuda no clima de incerteza que eles experimentam. O final feliz não é uma certeza, e a ausência de narrativa fora do núcleo aumenta ainda mais a sensação de desamparo dos dois. O elo mais fraco de Latitudes, não coincidentemente, é o encontro de Olivia e José com seus pares em sua “vida normal”. Os episódios no YouTube exploram estes elementos de maneira que o cinema não consegue.

De pretensões imediatas modestas, Latitudes representa um novo caminho, algo que o cinema brasileiro necessita desesperadamente para sair de sua espiral monotemática e impessoal onipresente nas telas atuais. Não que as comédias que arrastam milhões aos cinemas não sejam necessárias – na verdade, são até cruciais para levar um público ao cinema para ouvir sua língua natal. Mas este círculo, vinculado a orçamentos muitas vezes irreais, impede que o cinema respire em gêneros diferentes. Produtos multiplataforma como Latitudes representam uma direção em que novas ideias podem prosperar. Mesmo que seja no espaço árido de um quarto de hotel.
Rota do Pantanal

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