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Cultura

Quadro do Zorra Total explora assédio sexual para fazer rir

21 abril 2014 - 07h12Via Terra
Os comediantes pedem que não haja censura para o humor. É uma reivindicação legítima. Desde que não se leve em consideração o festival de baixarias do 'Zorra Total'. O programa acaba de completar 15 anos em sua pior fase. A audiência declinante — entre 14 e 17 pontos de média nos últimos dois meses — reflete a decadência do conteúdo. A principal novidade para 2014 estreou há duas semanas: o quadro Ônibus na Marginal Parada.

Personagens excêntricos se acotovelam dentro de um coletivo, em uma das vias de maior congestionamento de São Paulo. A premissa é boa, assim como era interessante o argumento inicial do Metrô Zorra Brasil. Porém bastam alguns minutos para constatar que os roteiristas ainda recorrem aos preconceitos de sempre para tentar fazer rir.

Estão lá o manifestante emo sendo chamado de 'bicha' e, ao mesmo tempo, em busca de alguém para encoxá-lo. A passageira ninfomaníaca que, do nada, senta no colo do vizinho de banco e pergunta se ele é bom de cama. A motorista lésbica que assedia passageiras com sua 'mão boba' e as convida para o sexo. Um desfile vergonhoso de estereótipos.

A crítica feita aqui não está fundamentada no puritanismo. Piadas sexuais fazem parte do repertório de qualquer pessoa. Mas quando ditas em tom propositalmente depreciativo, na faixa nobre da principal emissora do país, prestam um desserviço à sociedade. Apesar de não viver o seu melhor momento, a televisão ainda exerce influência direta no pensamento de milhões de pessoas.

É possível ironizar comportamentos sem descambar para o mau gosto, o sexismo, a homofobia e o bullying. Basta não cair na armadilha da piada pronta, do sarcasmo baseado na desmoralização de tipos já tão visados e frequentemente agredidos.

Não há problema em a comédia conter o politicamente incorreto. Contudo, corroborar as mais variadas formas de preconceito — racial, gênero, crença, orientação sexual — resulta em prejuízo para humoristas e telespectadores. A Globo tem estrutura (atores, roteiristas, diretores) para fazer uma produção popular com qualidade.

Ao tentar cumprir a missão de divertir, o novo quadro do Zorra Total apenas constrange. O programa tem um elenco com grandes talentos, como Rodrigo (Valéria), Thalita Carauta (Janete) e Katiuscia Canoro (Humberlinda). Tomara que o trânsito da Marginal comece a fluir para que os passageiros desse ônibus tomem outro rumo — menos apelativo e realmente engraçado.

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