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Cultura

Sem chuva, desfile das escolas de samba da Capital atrai cerca de 8 mil pessoas

08 março 2011 - 08h53
Até a chuva contínua por mais de uma semana em Campo Grande parou para ver as escolas de samba passarem no primeiro dia de desfiles da Capital. E com o público não foi diferente. Cerca de 8 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, lotaram a Avenida Alfredo Scaff para prestigiar e animar a noite de Carnaval. “O Carnaval nunca foi tão prestigiado como agora. Nunca vi tanta gente pra ver os desfiles”, afirma o jovem Maicon Nogueira, de 25 anos. A presença da população superou todas as expectativas da organização. A estrutura montada para as arquibancadas neste ano, no novo local de desfiles localizado no bairro Santo Amaro, comporta 4 mil pessoas e ainda assim não foi suficiente. O número de assentos é quase o dobro do desfile de 2010, que aconteceu na Via Morena. “Por conta do espaço aqui ser maior conseguimos montar mais arquibancadas, mas não esperávamos todo esse público, até por conta da chuva. Ano passado a arquibancada acomodava cerca de 2.500 pessoas”, disse o presidente da FUNDAC (Fundação Municipal da Cultura), Roberto Figueiredo. Mas a polêmica sobre a mudança dos desfiles para a área no Santo Amaro ainda gera reclamações sobre a organização do evento e de detalhes da estrutura, como a iluminação. A falta de um cordão de isolamento para separar os integrantes das escolas da área do público também foi um dos problemas constatados. “Para o ano que vem precisamos melhorar alguns detalhes na estrutura, principalmente a iluminação, mas a perspectiva nossa é aperfeiçoar esse espaço a cada ano”, afirmou o presidente da Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande), Eduardo de Souza Neto. Ele ainda levanta a possibilidade de finalmente concretizar uma antiga reivindicação das escolas de samba da Capital, com a criação de um sambódromo. “Tem tudo para esse local se tornar o espaço do Carnaval em Campo Grande”, ressaltou. Enredos das escolas de samba animaram o público. (Foto: João Garrigó) Aprovado – E o público que foi curtir o Carnaval 2011 aprovou o novo local de desfiles. “Aqui é bem melhor. Tem mais espaço entre as arquibancadas, bem mais espaçoso. Eu e minha família aprovamos o local”, afirmou o vendedor ambulante Edilson Carlos Amorim, de 37 anos. Ele e sua família prestigiam os desfiles das escolas de samba há vários anos, sempre juntos, por uma “questão de tradição”. Para a proprietária de uma barraca de pastel, Elen Cristina Manzano, 27 anos, a mudança para o bairro Santo Amaro foi sinônimo de mais lucratividade. ‘Até que enfim acertaram alguma coisa. Muito mais gente aqui, mais tranqüilo. Aumentou muito os clientes”, concluiu. Mas também houve quem reclamou, como a freqüentadora assídua dos carnavais da Capital, Mirtes Monteiro, de 79 anos. “Ah, não gostei daqui. Achei muito escuro, longe”, reclamou. Entretanto, a foliã não perdeu a empolgação para ir até a avenida ver as escolas de samba. “Assisto os desfiles desde quando eles eram na 14 de julho. Gosto de samba e nunca perdia um Carnaval, já fui até rainha”, contou. Ela ainda aproveita para ressaltar que o “Carnaval de Campo Grande não pode parar, e para isso, precisa de investimentos e de um sambódromo, urgente”. Animação e colorido fizeram parte dos desfiles. Comissão de frente da Igrejinha. (Foto: João Garrigó) Desfile – Na primeira noite de desfiles na Capital quatro escolas de samba passaram pela avenida, levando seus enredos e cores. As primeiras a entrarem foram a Unidos do Aero Rancho e a União do Buriti, do grupo de acesso. Logo após, desfilaram a Unidos do Cruzeiro e a Igrejinha, do grupo especial. A apresentação marcada para às 19h só foi começar por volta das 21h30. O motivo do atraso teria sido a chuva forte que caiu durante à tarde desta segunda-feira (7) e atrapalhou algumas escolas, que tiveram dificuldade para chegar até a avenida. “O deslocamento até aqui foi complicado. As escolas pegaram chuva no trajeto, mas até agora nenhuma comunicou algum grande prejuízo”, disse o presidente da Lienca. Abrindo o desfile, as crianças da Herdeiros do Samba encantaram o público. Logo após desfilou a escola Unidos do Aero Rancho, com o enredo “Rastros de um Boemio”. Em seguida a União do Buriti cantou o enredo “Terra das quatro estações, maloca de Sucuri”. Abrindo o desfile do grupo especial, a Unidos do Cruzeiro entrou na avenida e animou a arquibancada com seu enredo “Panteão dos Orixás – Os deuses africanos e suas forças”. Com as cores amarelo, azul e verde predominando, os integrantes contaram a história dos Orixás. Encerrando a noite, por volta das 2h, a Igrejinha levantou os foliões que ainda permaneciam na avenida. Nem a garoa que começou a cair na Capital atrapalhou a folia. A Igrejinha contou a história do movimento Rota das Monções, ocorrido no século XVIII, por meio do enredo “Minha escola vale ouro, na rota da Monções, a história é o tesouro”. Confusão – Um tumulto na entrada da Igrejinha quase atrapalhou o desempenho da escola na avenida. O carnavalesco parou de cantar o enredo e reclamou no microfone de “pedras e ovos” que estavam sendo arremeçados contra a escola. De acordo com informações preliminares da Lienca, o motivo da confusão foi um desentendimento entre os integrantes da escola e a Unidos do Cruzeiro. Para o desfile de hoje, devem ser feitas adequações na segurança para o isolamento da escola de samba que estiver desfilando. Os policiais tiveram dificuldade em impedir que o público invadisse a área de desfile. Em alguns pontos o andamento das escolas foi prejudicado. A segurança da área foi garantida por 70 PMs e 35 policiais da Guarda Municipal. De acordo com o major da PM, Marcio Ávalos, nenhuma ocorrência grave foi registrada, apenas alguns foliões mais exaltados e embriagados tiveram de ser autuados. É lamentavel ver dinheiro público sendo investido numa festa que se diz popular, tantos policiais para atender os bebados de plantão enquanto falta segurança nos bairros mais afastados do centro. Agora estão querendo criar um sambódromo em Campo Grande, pelo o amor de Deus! Tantas ruas com buracos, casas sendo levadas pelas contantes chuvas, gente que ainda não tem moradia e que por incrivel que pareça ainda passam fome. Se os que dizem que amam o carnaval, querem realmente criar um sambódromo na Cidade Morena, eles que tenham suas próprias iniciaciativas e que não venham usufruir do dinheiro público, já que carnaval, por meios de dados, só dá prejuízo para o Estado. Fonte: CG News
Athus Ingles

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