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Agricultores estimam que reflexos das chuvas nas plantações serão sentidos pelos próximos 30 dias

10 março 2011 - 09h01
Os produtores de verduras e legumes de Mato Grosso do Sul já começam a contabilizar os prejuízos após as fortes chuvas. Na maioria dos municípios choveu continuamente por mais de sete dias. E a estimativa dos produtores é de que as perdas sejam ainda maiores, e continuem por pelos próximos 30 dias. Produtores dizem que há mais de 10 anos não viam tamanho prejuízo. “É daqui para frente, quando vier o sol, que vamos começar a sentir os prejuízos e ver os estragos na plantação”, diz a produtora Aurora Medina, de 54 anos. As folhagens, de todos os tipos, foram as mais afetadas pelas chuvas, de acordo com os agricultores e comerciantes que frequentam a Ceasa em Campo grande. O produtor Valério Crepaldi, de 52 anos, contou que na última semana já foi até a Central de Abastecimento três vezes com o caminhão sem hortaliças porque não tinha o que colher. “Eu vim para tentar comprar alguma coisa para não deixar os meus fregueses de Sidrolândia sem o que vender. Perdi muita horta com as chuvas”, conta. Também por causa da água, ele diz que os produtores da mesma região estão tendo dificuldades para buscar e entregar mercadorias, devido às más condições de estradas e pontes de acesso a Sidrolândia. Situação semelhante enfrenta o produtor Valdir Sorrilha, de 50 anos. “Estamos produzindo apenas 30% do normal, e ainda assim, porque temos o cultivo em estufa. Se não fossem as folhagens da estufa, nem isso teria para vender”, afirma. Valdir mostra a diferença de um pé de alface crespa produzida na estufa e das outras da horta. “A folha fica toda queimada, ela não cresce bem e os fungos tomam conta na umidade”, explica. As caixas com alface da horta que antes eram vendidas por R$ 20 cada, agora serão comercializadas pela metade do preço. Já as hortaliças da estufa ainda devem ser repassadas para o comprador pelo valor antigo. “Se eu subir o preço agora eles começam a comprar dos caminhões de São Paulo, aí perco mais ainda”, esclarece. Feirante diz que está diminuindo sua margem de lucro para conseguir vender. (Foto: João Garrigó) Para o feirante Yutaca Kudo, de 42 anos, a falta de verduras e legumes nas hortas dos produtores também é sinônimo de prejuízos. “O preço subiu e a oferta de mercadoria diminuiu. Mas para conseguir vender tive de diminuir a margem do meu lucro, porque senão o freguês não leva a mercadoria e o meu prejuízo é maior ainda”, revela. Ele ressalta que ainda há todo tipo de hortaliça para comprar. “Não tá faltando nenhuma, mas a qualidade diminuiu muito”. Perdas – Mas além das folhagens, os estragos das chuvas também estão causando prejuízos no bolso de produtores de legumes e frutas do estado. Jesulino de Souza, de 57 anos, perdeu mais de meio hectare da plantação em Sidrolândia. “As chuvas lavaram o solo, não para o adubo na terra e as pragas aproveitaram pra tomar conta. Minha plantação ainda é pequena, imagino o prejuízo de grandes produtores”, afirma. Já uma fazenda que cultiva mais de 40 mil mamoeiros na região de Rochedo teve 2 hectares perdidos. “A água encharca o solo e apodrece toda a raiz, além das doenças que atingem o mamão. Vai mais uns 20 dias, no mínimo, de prejuízos até acabar com as pragas e replantar os mamoeiros”, explica o representante de produtor, Admilson dos Santos, de 36 anos. Para diminuir o impacto no orçamento e continuar abastecendo seus clientes, o produtor mandou trazer 600 caixas da fruta do nordeste do país nesta quarta-feira (9). Por causa do frete, o preço da caixa de mamão vai subir de cerca de R$ 19 para R$23, em média. Admilson lembra que em 10 anos de cultivo do fruto nunca foi preciso trazer mercadoria de fora do estado. “Isso nunca aconteceu. Em 10 anos não lembro de um período com tanta chuva assim”, ressalta. O bananal da mesma fazenda também ficou debaixo d’água. Resultados – A falta de mercadorias dos produtores já provoca a diminuição de praticamente metade do fluxo diário que o pavilhão do produtor do Ceasa recebe das cidades do interior do Estado, segundo o gerente do departamento, Edmilson Bandeira. “Muitos comerciantes já estão pedindo mercadoria de fora”, diz. O valor de legumes como o jiló, maxixe e a vagem já aumentou cerca de 30% a 40%. O mesmo vale para as hortaliças e demais verduras. “O consumidor final já está sentindo o aumento do preço na hora de ir ao mercado. Mas a tendência é de que o prejuízo seja sentido ainda mais daqui pra frente, pelo menos até que as hortas sejam recuperadas”, ressalta. A Ceasa é responsável por abastecer cerca de 80% de Campo Grande com frutas, legumes e verduras. Diariamente, cerca de 5 mil pessoas passam pelo local. Fonte: CG News
PMCG Refis

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