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Economia

Argentina amplia acordos contra inflação e critica Shell por aumentos

04 fevereiro 2014 - 11h16Via Terra
O governo argentino anunciou nessa segunda-feira a extensão a todo o país de um programa de "preços cuidados" para produtos básicos em uma tentativa de frear a inflação e criticou a multinacional Shell por aumentar os valores de suas tarifas.

O acordo de preços para duas centenas de produtos que regia na capital argentina e na província de Buenos Aires será ampliado a supermercados de toda a Argentina, informou nessa segunda-feira o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, que antecipou que o governo trabalha para fechar novos acordos em materiais escolares e de construção.

Capitanich, em seu pronunciamento diário perante a imprensa, também atacou a companhia petrolífera anglo-holandesa Shell, que elevou em 12% os preços em seus postos de gasolina da Argentina. "A atitude da Shell e de seu mais alto diretor na República Argentina sempre é conspirativa, sempre é atentatória contra os interesses do país", denunciou.

"Me parece que somente a cobiça, que a estratégia de impor condições e decisões como grupo econômico são os que os levam a tomar este tipo de decisões", acrescentou Capitanich, que já tinha acusado a Shell de supostas manobras especulativas nos mercados para derrubar o peso argentino.

O presidente da filial argentina da Shell, Juan José Aranguren, defendeu o aumento em uma emissora local e assegurou que os custos da companhia petrolífera "aumentaram 23%" e só fizeram "uma mudança parcial nos preços de 12%".

Apesar dos esforços do governo, a queda do peso, que perdeu mais de 22% de seu valor no último mês, impactou nos preços finais aos consumidores. "O sistema de preços do governo não dá nenhum resultado e seguramente não vai dar", denunciou nessa segunda o titular da facção opositora da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano.

Moyano destacou que mais de meio milhão de pessoas caíram na pobreza no último mês, segundo os dados do Observatório Social da CGT, o que significa que 12,5 milhões de argentinos, 30,9% da população, não conseguem bancar a cesta básica familiar, estimada por esse observatório em 6.396 pesos (US$ 797,50).

Antecipando-se aos dados oficiais, este organismo calculou que a inflação de janeiro foi de 4,26%, motivo pelo qual Moyano afirmou que buscarão compensar a perda de poder aquisitivo nas próximas negociações paritárias, nas quais serão pactuadas as altas salariais para 2014.

Os alimentos e o transporte público sofreram incrementos em janeiro, mas as maiores altas serão registradas em produtos importados, como os eletrônicos e os eletrodomésticos, e no setor turístico, que avalia em dólares as passagens turísticas e transfere diariamente seu preço ao equivalente em pesos.

O setor energético, cujas importações estão nominadas em dólares, é um dos mais afetados pela desvalorização da moeda argentina.

Cálculos de analistas indicam que, após a desvalorização, o já por si só avultado custo das importações energéticas do Estado argentino crescerá 45% sobre o preço médio das compras do ano passado, que totalizaram cerca de US$ 13 bilhões.

Necessitado de divisas estrangeiras, o governo argentino se reuniu com as principais empresas agroexportadoras do país para pedir a liquidação dos cereais armazenados antes da próxima colheita.

Após o encontro, Capitanich ressaltou através do Twitter que "existem condições objetivas para a liquidação da colheita acumulada em forma imediata" e destacou que as perspectivas da colheita futura "são auspiciosas".

O Executivo liderado por Cristina Kirchner confia que a situação melhore com a liquidação das exportações de soja, pelo menos de 8 milhões de toneladas, o que equivaleria a cerca de US$ 4 bilhões, uma quantia suficiente para dar ar à economia por alguns meses.

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