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Economia

Centro-Oeste recupera o nível de atividade econômica, segundo Itaú

Sudeste tem desempenho abaixo da média do país por concentrar boa parte da indústria

28 julho 2019 - 16h20Prisciila Porangaba, com informaçõesa do Exame

O Brasil ainda não conseguiu recuperar o patamar da economia que registrou no pico de atividade antes do início da crise, há cinco anos. Ao redor do País, porém, o desempenho econômico não foi uniforme.

O Centro-Oeste e o Sul, segundo o índice Itaú para a atividade econômica, que reúne empregos formais, comércio, indústria e agricultura, foram as duas regiões que atingiram ou superaram o movimento que exibiam em março de 2014.

Foi nesse ponto, segundo o banco, que começou a espiral de decadência do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

“As commodities, que abastecem o mercado externo, beneficiaram o Sul e o Centro-Oeste, pois a demanda internacional foi mais alta do que a das atividades que dependem do mercado interno”, explica Paula Yamaguti, economista do Itaú Unibanco.

Nas demais regiões, Norte e Nordeste tiveram desempenho semelhante à média nacional, enquanto o Sudeste ficou na lanterninha. “A indústria foi o indicador com a pior performance nesses anos – e como a maior parte da indústria está em São Paulo, isso puxou o resultado para baixo”, ela diz.

Em todo o Brasil, segundo o levantamento do Itaú, a economia está pouco mais de 4 pontos porcentuais abaixo do nível que exibia cinco anos atrás. Entre as regiões, a única que, no primeiro trimestre de 2019, superava com folga a atividade de cinco anos atrás foi o Centro-Oeste. Já o Sul ficou no zero a zero no período (no fim de março, estava 0,25 ponto porcentual abaixo do nível de 2014).

O Estado de São Paulo, com desempenho abaixo da média nacional, foi prejudicado pelo próprio gigantismo, segundo o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados.

“São Paulo sofre porque concentra a maior parte das indústrias, mas não existe questão estrutural pressionando a economia paulista. Com a aprovação das reformas, há chance real de recuperação.”

Não se pode dizer o mesmo de Minas Gerais e Rio de Janeiro, de acordo com Mendonça de Barros. “O Rio, em especial, vive a tempestade perfeita, um esfarelamento do sistema regional, algo que vai demorar muito tempo para ser reconstruído.”

O Rio de Janeiro, ao lado de Bahia e Sergipe, está entre as economias mais frágeis. Segundo o índice de atividade do Itaú, o nível da economia nesses Estados está mais de 8 pontos porcentuais abaixo do exibido em 2014.

O Rio lidera o fechamento de empregos formais no País – de cada 100 postos de trabalho com carteira assinada que o Estado concentrava há cinco anos, 13 foram fechados. Os dados vão até março de 2019 e, portanto, já incluem a recente retomada da indústria fluminense de petróleo. 

Para Samuel Pessôa, pesquisador do Ibre/FGV, a situação da economia do Rio tem tintas políticas. Além de citar casos de corrupção no Estado, Pessôa lembra que as regras dos governos petistas para a exploração das reservas do pré-sal, que determinaram a Petrobrás como operadora principal de todos os campos de produção, prejudicaram a economia fluminense.

“Com medo dos gringos, os governos petistas seguraram os leilões do pré-sal. Agora parece que isso vai mudar, mas um efeito mais estruturado para a economia vai vir só daqui a uns cinco anos.”

Mendonça de Barros acrescenta outra camada que prejudicará, nos próximos anos, o desempenho de Estados como Rio e Minas Gerais: as dificuldades orçamentárias, com forte comprometimento da receita com folha de pagamento de servidores na ativa e aposentados.

“Os efeitos são perversos, pois não é algo que se nota da noite para o dia. Quando o Estado está quebrado, ele deixa de investir em hospitais e estradas. Na hora em que se percebe, as estruturas já foram desmontadas.”

 

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