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Economia

Com argumento econômico, empresários de Israel defendem paz com palestinos

18 fevereiro 2014 - 12h13Via Uol
Um grupo formado por alguns dos maiores empresários de Israel lançou uma campanha pública defendendo um tratado de paz com os palestinos.

Eles argumentam que um acordo com os rivais históricos seria vantajoso economicamente para os dois lados envolvidos no conflito.

O grupo, denominado BTI, sigla de Breaking the Impasse ("Rompendo o Impasse", em tradução livre) publicou anúncios de páginas inteiras nos principais jornais israelenses e também colocou grandes cartazes em locais estratégicos das maiores cidades do país.

"Bibi, sem um acordo não conseguiremos reduzir o custo de vida, só você pode", diz um dos cartazes, dirigido ao primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu.

"A campanha é totalmente financiada pelos empresários, que são responsáveis por uma grande parcela do PIB de Israel", disse à BBC Brasil Tal Speer, porta-voz da campanha.

De acordo com ele, a campanha é "inédita". "Esta é a primeira vez em que grandes empresários israelenses se organizam e aparecem publicamente, para convencer a sociedade e o governo de que a paz é necessária para a prosperidade do país", afirmou.

Os anúncios veiculados nos jornais apresentam um abaixo-assinado com os nomes dos executivos e de suas respectivas empresas, exortando a liderança política do país e o público a "aproveitar a janela de oportunidades, que foi aberta para nós, para chegar a um acordo que ponha fim ao conflito".

"Não se trata de um beco sem saída, a solução depende de todos nós, mas acima de tudo, primeiro-ministro Netanyahu, depende de você", afirmam os assinantes.

A campanha ocorre em meio a negociações de paz mediadas pelo secretário de Estado americano, John Kerry, que nas próximas semanas deverá apresentar um esboço do acordo para a avaliação dos líderes israelenses e palestinos.

A aproximação desse momento, considerado crucial no chamado processo de paz, eleva a tensão no país. Partidos de extrema-direita vêm organizando manifestações contra o acordo e contra a retirada de Israel dos territórios ocupados.

Esquerda?
A proposta dos empresários israelenses também causou surpresa porque, tradicionalmente, a defesa de um acordo de paz - e da retirada de colonos judeus de territórios palestinos - sempre foi uma bandeira política associada a grupos de esquerda.

"O BTI não é um grupo de esquerda, não é um movimento político, nossa mensagem é dirigida a todos os setores da sociedade", ressalva Speer.

"Todas as pesquisas de opinião indicam que a maioria dos israelenses apoia um acordo de paz baseado no princípio de dois Estados. Os argumentos econômicos, que tiveram pouco destaque no passado, podem fortalecer o apoio do público ao acordo", acrescentou.

Segundo o general da reserva Danny Rothschild, que também faz parte do grupo, "nós dizemos a Netanyahu - faça um acordo e assim será possível resolver o problema do custo de vida, pois os recursos do país poderão ser distribuídos de maneira totalmente diferente".

"A quantidade de dinheiro que se desperdiça para fortalecer o Exército e proteger os colonos é muito maior do que podemos nos permitir", afirmou Rothschild à BBC Brasil, "um acordo levará não só a uma distribuição diferente dos recursos que possuímos, mas também ao aumento significativo dos recursos pois, se houver paz, novos mercados se abrirão para Israel e a exportação crescerá".

Para Oren Most, presidente da empresa Golan Telecom, uma das grandes provedoras de telefonia celular de Israel, "(John) Kerry está fazendo um trabalho muito sério nas negociações, acredito que o esboço de acordo que ele está elaborando incluirá vantagens para os dois lados (israelenses e palestinos) e nenhum deles deverá vetá-lo".

"Estou otimista, acho que estamos indo na direção certa e que haverá um acordo. Também acho que nossa campanha está surtindo um efeito positivo, tanto sobre o público como sobre o governo", disse Most.

De acordo com um comunicado do BTI, "precisamos chegar a um acordo urgentemente, o conflito afeta o bolso de todos os cidadãos e o acordo terá um impacto de longo alcance sobre a economia e a sociedade dos dois lados".

"O mundo começa a perder a paciência e as ameaças de sanções (contra Israel) crescem a cada dia que passa, temos uma janela de oportunidade graças à atuação de John Kerry e devemos aproveitá-la", conclui o grupo.

Outro lado
A campanha, no entanto, divide opiniões dentro do governo de Netanyahu.

Recentemente, o ministro israelense da Economia, Naftali Bennett, declarou que "um Estado palestino destruirá a economia de Israel".

Na avaliação de Bennett, a concessão da soberania aos palestinos sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza "provocaria uma onda de foguetes ao centro de Israel".

Ele diz temer que outras partes do país enfrentem rotina semelhante à de cidades como Sderot e Ashdod, alvos de foguetes lançados pelos palestinos.

Para comprovar sua tese, Bennett cita o exemplo da Segunda Intifada, que, segundo ele, interrompeu um período de bonança na economia israelense.

Já o ministro das Finanças, Yair Lapid, afirmou que o acordo de paz representaria uma economia de 20 bilhões de shekels (R$ 13,6 bilhões) ao país, além de elevar em 16 bilhões de shekels (R$ 11 bilhões) as exportações.

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