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Economia

Como Eike levantou R$ 12,3 bilhões na bolsa apenas com empresas promissoras

02 dezembro 2013 - 11h04Via IG
Lembre-se do slogan Brasil, o País do futuro. Corte para a capa da revista inglesa The Economist com o Cristo Redentor decolando, e termine com um Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, aliado a inflação zero em 2008.

É neste cenário, complementado por indícios do pré-sal, já anunciados pela Petrobras em 2006, que o país, estável e com o Plano Real completando uma década, aponta seu potencial de crescimento. Mas, para crescer, precisa melhorar sua infraestrutura.

Na ponta dos investidores o mercado estava repleto de liquidez e de crédito. Muitos fundos globais estavam sedentos por oportunidades, e tinham metas a cumprir para entregarem o retorno esperado para seus clientes.

Mas o governo tem atuação limitada, sem recursos suficientes para tocar grandes projetos. O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, resume: o Brasil precisava então de empreendedores. Então, surge Eike Batista. Questão de timing.

Filho de Eliezer Batista, ex-presidente da Vale por duas vezes, Eike havia criado a empresa canadense TVX Gold, com a qual adquiriu experiência em mineração e também acesso ao mercado de capitais.

Criou valor na empresa até que a vendeu por uma fração do que chegou a valer a Kinross em 2001. "Um fracasso ou parte do currículo?", questiona Rochman.

Receita de sucesso
Além do momento propício para captar no mercado, colocar o próprio pai e outros profissionais renomados em suas empresas, com bons salários, e mostrar que tinha experiência com investimentos são parte da receita para ter uma captação bem-sucedida, analisa Rochman.

Junte-se a isso a aplicação de boas práticas de governança corporativa, como criar conselhos de administração de respeito e evitar danos aos acionistas, as chamadas poison pills. "A gestão pode ser ruim, mas a governança das empresas sempre foi boa. Uma coisa é o discurso, outra é a prática."

"As empresas não criaram nenhum entrave para investidores que quiseram comprar uma fatia das empresas. Mais de 80% das empresas que lançam ações na bolsa têm proteções contra fusões e aquisições indesejadas", diz o professor.

Para finalizar, é necessário atrair bancos de boa reputação e experiência de mercado para coordenar o lançamento de ações das empresas e, se possível, a inclua no principal índice da bolsa de valores 12 meses depois.

Desta forma, será possível criar uma demanda natural, já que todos os fundos que se baseiam no índice deverão comprar as ações das empresas participantes. "Isso fez com que, mesmo quando as ações despencaram, havia gente comprando."

O caminho da bolsa
O grupo EBX acabou optando pelo lançamento de ações no mercado porque não restavam muitas opções para empresas como as do grupo, pré-operacionais.

Em geral, empresas buscam levantar capital para investir por meio do lucro retido (caixa gerado pela empresa), dívida tradicional (debêntures) ou conversível (que pode ser transformada em ações), e somente depois lançar ações preferenciais e ordinárias na bolsa.

Mas, além de não darem lucro, as empresas ainda não passavam por crivos para buscar a dívida tradicional (eram novas, não eram rentáveis, não havia histórico de capacidade de pagamento, garantias ou histórico de condições para pagamento em crises), apesar de fazerem parte de um conglomerado, que poderia "bancar" eventuais falta de pagamentos.

Além disso, Eike Batista surfou na onda de empresas que lançaram suas ações na bolsa. Em 2006 e 2007, foram, respectivamente, 24 e 64 novas empresas com ações na bolsa, respectivamente. Foi quando Eike lançou ações da MMX e MPX, respectivamente. Em 2008, veio a OGX e, em 2010, a OSX. Com as quatro, conseguiu levantar R$ 12,3 bilhões.
Girafa

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