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Economia

Custo do milho no Brasil e no exterior pressiona mercado de carnes

04 setembro 2012 - 10h46Reprodução / Agência Brasil

O custo do milho nos mercados nacional e internacional, com a forte alta provocada pela quebra de safra nas principais regiões produtoras do grão que sofreram com a seca este ano, como os Estados Unidos e o Sul do Brasil, tem pressionado fortemente o mercado de carnes. Ao lado da soja (farelo de soja) o produto é a principal matéria-prima para a produção de carne bovina, suína e de aves nos Estados Unidos e de aves e suínos no Brasil.

O preço da saca de milho chegou a quase R$ 35 e o da soja a R$ 85, em média. O preço mínimo, usado como referência de mercado para garantia de aquisição pelo governo federal, foi R$ 13,02 para a saca de 60 quilos de milho e R$ 22,87 para a saca de soja.

No Brasil, onde a produção de aves e suínos é mais sensível ao problema, o governo tem usado o estoque regulador para amenizar os impactos. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 1,2 milhão de toneladas de milho estão disponíveis para regulação. Parte desse estoque tem sido disponibilizada no mercado a preços subsidiados em relação aos atuais.

As regiões Nordeste e Sul do país, que mais sofreram com a estiagem e que têm sentido mais fortemente os impactos dos preços de grãos na produção de carne, são prioridade.

Com a modalidade denominada Venda Balcão, voltada para pequenos produtores, o governo se compromete com a entrega das sacas comercializadas. “Mas estamos com problemas [nessa modalidade] porque a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] tem feito leilões de frete. Com o superaquecimento do mercado de frete, a Conab não está conseguindo contratar caminhões”, explicou Edilson Guimarães, diretor do Departamento de Comercialização e de Abastecimento Agrícola e Pecuário do Mapa.

Guimarães acrescentou que pela modalidade de Venda de Estoques Públicos [VEP], os produtores compram e levam o produto a preços mais baixos. “Na última quinta-feira (30), das 30 mil toneladas de milho que disponibilizamos, vendemos 18 mil para o Nordeste e Norte do país. Na próxima quinta-feira (6), vamos ofertar mais 30 mil toneladas e aí poderão entrar os produtores de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul”, disse.

As operações serão realizadas até o fim de dezembro, de acordo com a portaria que viabilizou as medidas. Para os produtores nordestinos, estão reservadas 400 mil toneladas de milho, e para os produtores do Sul, 200 mil toneladas. Guimarães explicou que esse volume ainda pode aumentar e que o governo vai manter as medidas de regulação depois do período previsto pela portaria.

Ainda assim, o próprio governo admite que o apoio não é suficiente para regularizar o mercado como um todo. O volume estocado e disponibilizado a baixo custo é residual ante a histórica quebra da safra norte-americana, estimada em mais de 130 milhões de toneladas de soja e milho.

“Não há como suprir o mercado todo. O preço de carnes ainda vai se manter e é o mercado que vai ajustar esse preço. Não temos condições de abastecer todo o mercado brasileiro com preço mais baixo e não é questão de ter ou não estoque”, explicou Guimarães.

Ainda que as medidas sejam voltadas prioritariamente para os produtores nordestinos e sulistas, agricultores do Centro-Oeste também têm conseguido adquirir milho e soja a preços mais baixos do que os cobrados no mercado.

Na unidade da Conab do Distrito Federal, a saca de milho tem sido comercializada a R$ 22. Do ponto de vista de produtores que têm conseguido se beneficiar das medidas de regulação, como Arnaldo Figueiredo, a atual crise de desabastecimento pode ser uma oportunidade estratégica para outros segmentos da cadeia.

“Sendo uma crise global, torna-se uma oportunidade para nós, que praticamos bovinocultura de leite e corte com menos dependências desses insumos. É uma oportunidade de retomar mercados perdidos”, avaliou.

Figueiredo ainda destacou que os frigoríficos tendem a adotar uma estratégia com prioridade às exportações, “em detrimento do próprio mercado interno”. A principal explicação é a queda do mercado bovino norte-americano, maior dependente de insumos como milho e soja e, por isso, com custo de produção mais onerado.

Via Agência Brasil

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