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Falta de álcool anidro pode aumentar preço da gasolina mais uma vez

16 abril 2011 - 15h45Arquivo

A disparada do consumo de gasolina, em detrimento do etanol, já está provocando em Mato Grosso do Sul um quadro semelhante ao de estados como São Paulo e Mato Grosso, onde o abastecimento começa a ficar complicado. Distribuidoras já estariam racionando combustível e, pior para o consumidor, preparando novos aumentos.

O problema, diz o setor, não é falta do combustível a base de petróleo, mas sim do álcool anidro (puro), que é misturado à gasolina. Como o consumo do produto aumentou muito, as usinas não estariam dando conta de suprir a demanda de álcool puro.

Enquanto isso, as bombas de álcool, o etanol, estão lotadas do combustível, que não está compensando em Mato Grosso do Sul dado o alto preço perto da gasolina.

A fila de caminhões na distribuidora da Petrobras de combustível em Campo Grande, na Vila Eliane, é um reflexo da situação. Nesta tarde, ao menos 30 caminhões deixaram o local sem conseguir abastecer de gasolina e outros cerca de 70 saíram com menos de 50% do tanque carrego do combustível. Diariamente mais de 100 caminhões passam pelo local para buscar gasolina.

Estratégia

Mas entre os motoristas dos caminhões, que esperavam para tentar conseguir o combustível na distribuidora, a versão para incomum falta de gasolina nesta sexta-feira (15) é outra.

Para os motoristas, o real motivo do combustível estar sendo “segurado” é para esperar um novo aumento, que seria feito à 0h hoje, e repassar a gasolina já com o preço reajustado. A estratégia de “segurar” o combustível seria uma pratica comum entre as distribuidoras na véspera de aumentos.

“Amanhã é que vamos saber realmente a verdade, pode ser que esteja mesmo faltando o anidro. Falaram pra gente que amanhã cedo vai ter combustível, vamos ver se o preço vai ter mudado e o combustível vai reaparecer nos tanques da distribuidora. Somos apenas motoristas, o pessoal aqui não dá satisfações do que está acontecendo, mas é sempre assim: quando vai ter aumento seguram o combustível um dia antes para abastecermos com o reajuste”, afirma o motorista identificado como Jeferson, que veio da cidade de Corumbá para buscar gasolina.

Ele chegou à distribuidora por volta das 5h e saiu do local somente às 18h, sem conseguir abastecer o caminhão de gasolina.

“Ia abastecer 20 mil litros, mas só liberaram 5 mil litros. Para o meu patrão não adianta, é uma viagem muito longa para voltar com o tanque quase vazio e trocar pro diesel ou álcool também não adianta, as bombas do posto já estão cheias desses. Vou pernoitar na Capital e amanhã ver ser consigo abastecer”, diz.

Outros motoristas, de cidades do Interior e da Capital, também relataram a mesma situação, sendo que alguns não conseguiram nem 1/3 de gasolina que pretendiam abastecer.

De acordo com os motoristas, hoje pela manhã, ao chegar à distribuidora, eles foram informados de que o cronograma de abastecimento de cada veículo não estava mais valendo e o fornecimento da gasolina ia ser feito de acordo com a disponibilidade da distribuidora, que determinou a quantidade de combustível que cada caminhão poderia levar.

“O que não faz sentido é o fato de alguns poderem abastecer e outros não. Se não tem combustível, não tem pra ninguém, por que só alguns postos podem sair com gasolina? Os postos da Capital são privilegiados, sabem que se faltar combustível aqui o barulho é maior e no Interior é mais fácil passar despercebido”, questiona um motorista que não quis se identificar.

Os funcionários da distribuidora não quiseram falar com a reportagem e informaram que o responsável está viajando. A reportagem também não conseguiu contato com a assessoria da Petrobras, no Rio de Janeiro.

Justificativa

O diretor de comunicação do Sinpetro (sindicato que reúne os postos de combustíveis no Estado), Marcos Vilalba, admite que pode haver aumento para o consumidor, mas diz que essa é a única alternativa do setor.

Segundo ele, os postos são os mais prejudicados na situação, pois o consumidor, mesmo que precise procurar mais, vai encontrar gasolina.

“O revendedor que fica sem o produto acaba sendo o mais penalizado” Vilalba afirma que, em situações assim, cabe ao governo federal adotar medidas. Uma delas, afirma, seria reduzir o percentual de álcool anidro na gasolina, hoje em 25%.

Com informações do jornal Campo Grande News.

CertFica

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