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Economia

Lucro da Petrobras cai 20% no 2º trimestre e fecha a R$ 5 bi

10 agosto 2014 - 05h43Via Terra
A Petrobras teve lucro líquido de R$ 4,959 bilhões no segundo trimestre do ano, queda de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com forte aumento das despesas e menores ganhos com desinvestimentos, informou a companhia nessa sexta-feira.

O resultado ficou muito abaixo das expectativas de analistas ouvidos pela Reuters, que estimavam elevação do lucro para R$ 7,04 bilhões. Em relação ao primeiro trimestre do ano, o lucro recuou 8%.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, somou R$ 16,25 bilhões entre abril e junho deste ano, abaixo da estimativa de R$ 17,2 bilhões e queda de 10,2% frente ao mesmo período do ano passado.

As despesas totais (vendas, gerais, administrativas, custos exploratórios, em pesquisas, entre outros gastos operacionais) aumentaram em R$ 2,8 bilhões, ou 38%, para R$ 10,17 bilhões.

Já a receita de vendas subiu 11,8% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 82,3 bilhões, com preços dos combustíveis maiores, enquanto o custo dos produtos e serviços vendidos subiu 15,2%.

Dentre as despesas, os custos exploratórios para extração de petróleo e gás subiram 49%, para R$ 1,8 bilhão, enquanto a linha "outras despesas operacionais líquidas" aumentou em 12 vezes, para R$ 2,1 bilhões.

A Petrobras teve perdas por baixas de poços comerciais ou subcomerciais e de ativos, por devolução de campos. Os ganhos com desinvestimentos caíram em R$ 3 bilhões no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para apenas R$ 185 milhões.

A empresa ainda amargou um aumento de 55% no prejuízo na Área de Abastecimento, de R$ 3,9 bilhões, devido à política do controle de preços dos combustíveis que mantém a defasagem nos valores de venda da Petrobras ante o mercado externo.

"Em paralelo aos aumentos de produção e redução de custos, buscamos a convergência dos preços de derivados no Brasil com os preços internacionais", reafirmou a presidente da empresa, Maria das Graças Foster, em comunicado, ressaltando que o fim da defasagem dos preços é necessário para que o nível de alavancagem da empresa recue aos limites impostos pelo Conselho de Administração.

Em relação ao primeiro trimestre, o prejuízo da área de Abastecimento caiu quase 20%, "devido à redução do dólar frente ao real (6%) e a maior produção de derivados (3%)", disse a empresa.

A produção total da Petrobras subiu 1,8%, para 2,6 milhões de barris de óleo e gás por dia, sempre na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. A empresa reafirmou sua meta de aumentar a produção em 7,5% neste ano em relação a 2013.

As importações de derivados de petróleo, que minam o desempenho da área de Abastecimento, subiram 54%, para 407 mil barris por dia no segundo trimestre na comparação anual, para atender o crescimento da demanda interna por combustíveis.

Nessa situação de demanda interna elevada, com maior processamento doméstico, as exportações de petróleo caíram 14,8% no segundo trimestre frente ao mesmo período de 2013, para 138 mil barris/dia. Na comparação com o trimestre anterior, houve queda de 29% das exportações de petróleo.

Investimento cai; alavancagem sobe
Os investimentos da companhia caíram 6% no primeiro semestre, para R$ 41,5 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado, puxado principalmente pelo recuo de 34% no total investido na área de Abastecimento, enquanto o total aplicado em Exploração e Produção subiu 12% no período.

O indicador de Endividamento Líquido/Ebitda ajustado caiu para 3,94 vezes ao fim do segundo trimestre, ante 4 vezes no primeiro trimestre. Essa relação estava em 3,52% no fim do ano passado. Já a alavancagem subiu para 40% ante 39% ao fim de 2013 e do primeiro trimestre deste ano.

Tais indicadores, que preocupam o mercado, estão acima do que a Petrobras considera como o adequado do ponto de vista de financiabilidade de seu plano de investimentos 2014-2018, de US$ 220,6 bilhões.

O programa divulgado no início do ano previu retorno dos indicadores aos "limites" da empresa em até 24 meses, para uma alavancagem menor que 35% e relação dívida/Ebitda menor que 2,5 vezes.

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