Para o ministro, as estimativas do FMI foram influenciadas pelo baixo crescimento da economia mundial, marcada pela lenta na recuperação nos Estados Unidos e pela manutenção do baixo crescimento na Europa. Ele acredita ainda que o fraco desempenho da economia no primeiro semestre interferiu na projeção.
“A projeção parece pessimista por parte do fundo. Tivemos um primeiro semestre mais fraco, porém estamos observando recuperação da economia brasileira no segundo semestre. A partir de julho, temos uma aceleração moderada do crescimento”, declarou Mantega.
Oficialmente, o governo brasileiro prevê que o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) crescerá 0,9% em 2014. Segundo Mantega, a projeção está mantida até o fim de novembro, quando o Ministério do Planejamento divulgará a nova versão do Relatório de Receitas e Despesas Primárias, documento com estimativas sobre o Orçamento federal.
O ministro mostrou diversos indicadores que mostram a recuperação da produção e do consumo no segundo semestre. Segundo ele, as vendas de veículos saltaram 13,7% em setembro, e as vendas nos supermercados aumentaram 2,53% acima da inflação em agosto.
De acordo com Mantega, outro fator que contribuiu para o baixo crescimento no primeiro semestre foi o aumento de juros pelo Banco Central para segurar a inflação. Segundo Mantega, a estabilização dos índices de preços permitiu que a autoridade monetária anunciasse medidas que aumentarão o volume de crédito, como redução do compulsório e melhorias na regulação.
“Temos vários indicadores de que está havendo retorno do crédito com a redução do compulsório e o aumento [do prazo] do crédito consignado. O crédito está retornando rapidamente, o que levará a crescimento moderado da economia até o fim do ano”, disse.
Destacando a estagnação da economia global, o ministro atribuiu ao cenário econômico internacional peso maior nas previsões do FMI do que fatores internos. “Das economias avançadas, apenas os Estados Unidos e o Reino Unido estão crescendo. O Japão parou de crescer, a Alemanha está com dificuldades. Tem gente querendo atribuir esses fenômenos a problemas brasileiros, mas são problemas mundiais”, argumentou.
Segundo o ministro, o governo entregará a economia no fim do ano em situação sólida, com baixa dívida externa, altas reservas internacionais e desemprego em níveis mínimos. “Ao contrário de outros países, temos parâmetros econômicos saudáveis. O nível de emprego está alto, o mercado consumidor intacto, e a massa salarial crescendo. É um privilégio do Brasil enquanto muitos países enfrentam desemprego e queda dos salários”, rebateu.Reportar Erro
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O ministro da Fazenda, em entrevista sobre previsão do FMI. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) 



