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Economia

Produtor calcula perda de 20% da soja

06 janeiro 2012 - 13h27João Garrigó

Os produtores rurais da região sul do estado estão preocupados com a falta de chuva e já calculam uma quebra de 20% na produção de soja. A  preocupação se deve porque em dezembro as chuvas ficaram abaixo da média histórica. No Mato Grosso do Sul chove, em média, 4.816 milímetros no último mês do ano. Contudo, em 2011 choveu 41,7% menos do que a média.

O produtor rural do município de Naviraí, Donizete Pereira Melo, conta que enfrentou 38 dias de uma seca que começou no dia 20 de novembro e só terminou no dia 28 de dezembro, quando choveu, aproximadamente, 50 milímetros. “Deu uma recuperada, mas tem que vir chuva logo. Se não chover mais a situação vai ficar pior”.

Donizete revela que já fazia três anos que não tinha problemas com a falta de chuva. Mas, neste ano, acredita que a produção vai dar apenas para pagar as contas. Caso a chuva piore, seu Donizete vai ter que recorrer ao seguro, que é insuficiente para cobrir prejuízos. No ano passado, ele fechou a colheita com uma média de 59,74 sacas para cada um dos seus 205 hectares.

A agrônoma da Copasul (Cooperativa Agrícola Sul-Matogrosense), Thais Rubira, explica que até o momento a previsão é de que a perda chegue a 20%. Segundo ela, as chuvas não foram concentradas. Em uma mesma propriedade acontecia de chover em um talhão (pedaço de terreno) e não cair uma gota de água no outro. Desta maneira, a quantidade de água no solo não era suficiente para abastecer a necessidade do plantio. Além disso, ainda é preciso levar em conta que as temperaturas estão mais altas do que o normal, o que também prejudica a produção.

A região sul, nos municípios de Naviraí, Itaquiraí , Jateí e Juti, tem uma plantação de 84.153 hectares. A estimativa inicial era de colher 54 sacas por hectare, proporcionando uma produção de 4,3 milhões de sacas, em um total de R$ 176 milhões. Porém, com a falta de chuva, a Copasul acredita que os produtores devem colher 45 sacas por hectare, em um total de 3,6 milhões de sacas. Em Naviraí a saca está valendo R$ 41. Desta forma, a comercialização cairia de R$ 176 milhões para R$ 147 milhões. Grosso modo, é possível dizer que o prejuízo pode ficar perto de R$ 29 milhões.

O pesquisador do setor de soja da Fundação MS, Carlos Pitol, explica que nas regiões de Dourados e Maracajú a lavoura está boa e com um potencial auto. Por isso, mesmo que tenha chovido menos que a média e a necessidade da cultura, o prejuízo deve ficar entre 5% e 10%. Segundo ele, em Naviraí o prejuízo é maior porque o terreno é mais arenoso.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a área cultivada de soja entre 2011 e 2012 em todo o País seja de 24,35 milhões de hectares,o que corresponde a um crescimento de 0,7% ou 169,2 mil hectares sobre a área semeada na safra passada. No Mato Grosso do Sul a previsão é de que a área cresça 52,8 mil hectares, chegando a 1,8 milhão.

Senar - square junho21

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