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Entrevista

"Desde o início da pandemia é uma classe que está atuando"

Entrevista com o presidente do Conselho Regional de Farmácia, Flávio Shinzato

28 fevereiro 2021 - 07h00Joilson Francelino

O farmacêutico bioquímico, empreendedor e presidente do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul (CRF-MS), Flávio Shinzato, é o entrevistado desta semana no Jornal de Domingo. À frente da classe, Shinzato fala sobre a atuação dos profissionais de farmácia durante a pandemia, a necessidade de imunizar esses profissionais que, unidos a outros segmentos, então na linha de frente do combate ao novo coronavírus (Covid-19), além de como está a mobilização do conselho junto aos secretários de Saúde para a garantia da vacinação dos profissionais, entre outros assuntos.

JD1 Notícias - O que os farmacêuticos já fizeram nesta pandemia?

Flávio Shinzato - No início da pandemia, farmácias e drogarias foram os primeiros estabelecimentos a serem procurados pela sociedade. São os únicos lugares que estão sempre de portas abertas para atender a população, principalmente no início, onde começou aquela procura muito grande por medicamentos para a prevenção contra o coronavírus e assim por diante, e o farmacêutico é o profissional que está ali, na linha de frente, cara a cara com a população, atendendo com balcão de portas abertas. A gente entende, com isso, que ele é um profissional que está diretamente e altamente exposto a situações de contato com o coronavírus. Desta forma, o Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul (CRF-MS) sempre atuou para que os farmacêuticos e sua equipe, onde eles estiverem, nos diversos locais de atuação, fosse coberto pelo plano de vacinação. Diante disso, desde o início a gente já cobrou as autoridades, mesmo antes do Programa Nacional de Imunização que foi publicado em janeiro. Em meados dezembro do ano passado, nós, como autarquia, representando a classe dos farmacêuticos e de todos os segmentos acionamos o Ministério da Saúde, todos os secretário de estados e municípios, de forma que incluísse os farmacêuticos e suas equipes dentro desse plano como prioridade dentro das prioridades, por entendermos que as farmácias, drogarias, laboratórios, eram estabelecimentos de saúde de linha de frente, onde a gente atende a população de portas abertas. Diante disso o CRF-MS sempre frisou e cobra das autoridades essa efetividade da vacinação.

JD1 Notícias - Como o senhor avalia essa campanha de vacinação?

Flávio Shinzato – A gente tem acompanhado a campanha bem de perto, junto com os secretários e também avaliando o interior. O CRF-MS envolve todo o Estado, então, os 79 municípios são nossa preocupação, pois nos 79 municípios temos farmacêuticos, farmácias, laboratórios e estamos atentos a isso. Até a gente criou um “vacinômetro” dentro do CRF-MS onde ele nos fornece dados em tempo real, por semana, por dia, para que saibamos qual o índice de vacinação entre os profissionais de farmácia. Com esses dados, a gente fomenta e entra em contato com as secretarias de cada município para posicionar com dados atuais, para que forneçamos e ele [secretário] possa cumprir o Programa Nacional de Imunização (PNI) atendendo todos os requisitos. A gente sabe que o limitante de todas as questões vacinais é o número de doses que cada município ou cada estado recebe. A gente entende da dificuldade de cada secretário, que é o detentor dessa decisão de como vai se processar a vacinação, mas nós, como Conselho, frisamos e cobramos o tempo todo que o profissional de linha de frente, incluindo o farmacêutico, deve ser contemplado nessa vacinação.

Então, diante disso, a gente tem se posicionado abertamente de modo a auxiliar todas as secretarias prestando informações e dados atuais da classe farmacêutica e de suas equipes dos diversos segmentos, de maneira que esses possam ter dados e informações que possam auxiliar no PNI. Inclusive, isso já foi pauta no nosso Conselho Federal, e contínua aqui no Regional, de forma que, se a gente pudesse comprar as vacinas, nosso Conselho Federal disse que poderia disponibilizar verbas para aquisição para a classe farmacêutica. Mas a gente sabe que a produção toda está direcionada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Diante disso a gente fomenta através de legislação, ofícios, cobranças ao setor executivo para que haja inclusão do farmacêutico no setor da imunização. Entendemos que o profissional da linha de frente nas farmácias e drogarias devem estar protegidos para atender a nossa população. Desde o início da pandemia é uma classe que está atuando e nós, como Conselho, apoiando esse profissional. No início, inclusive, a gente forneceu, naquela falta de material, EPI, álcool, junto com outros profissionais e empresários e instituições, produzimos álcool 70% e distribuímos para essas farmácias, drogarias e hospitais na hora que mais precisaram. Em parceria também com o Conselho Federal, conseguimos disponibilizar verbas para a compra de EPI’s quando estavam em falta.

JD1 Notícias - Como está a vacinação dos farmacêuticos em Mato Grosso do Sul?

Flávio Shinzato – Hoje tivemos 519 respostas no nosso “vacinômetro”, de onde 62,6% já receberam a vacina e desses 62,6%, 86,6 receberam a primeira dose. Com isso, vai dando a informação de qual região no Estado e qual cidade está sendo mais abrangente na vacina e a gente entende que, determinado município recebe a vacina e imuniza muito mais rápido alguns segmentos, tanto público como privado, mas é de acordo com o tamanho do município, o número de doses e, então, o gestor faz essa classificação. Campo Grande, por ser uma cidade muito maior, a gama de profissionais de saúde nessa linha de frente é muito maior porque engloba várias profissões. Então, com isso, em percentagem, hoje o universo farmacêutico de Campo Grande pode ser menor que das cidades do interior, mas isso a gente tenta equalizar, formando dados e fornecendo a SESAU para que veja os dados do índice de farmacêuticos sendo vacinados nesse sentido e nós, atuando e cobrando esses segmentos.

Na última semana, a gente fomentou uma conversa com as autoridades de Campo Grande para que a gente possa ter inserido também os farmacêuticos e sua equipe dos laboratórios clínicos que fazem o exame de covid. Então, já estamos avançando nesse sentido, ou seja, o Conselho sempre está atuando para abranger qualquer segmento que fique exposto ao covid, tanto as farmácias e drogarias, quanto os laboratórios clínicos, ou seja, todo aquele profissional que for inscrito no Conselho de forma regular, nós como autarquias vamos cobrar junto às secretarias de saúde essa amplitude de vacinação para esses profissionais, por isso a importância de estar sempre vinculado ao seu conselho.

JD1 Notícias – Qual a visão do senhor sobre quanto tempo vamos conseguir vacinar toda a nossa população?

Flávio Shinzato – Pela nossa vontade e de todo o CRF-MS, seria hoje, amanhã no máximo, mas a gente sabe que o que nos limita é o número de doses ofertadas. Estamos acompanhando em tempo real a produção de vacinas das diversas instituições, no Brasil e no mundo, e a gente vê que, assim que as doses chegam ao nosso Estado, são distribuídas aos municípios e os gestores começam a ter a ação de acordo com cada segmento do PNI. Então, baseado nessas informações e na logística de abastecimento das doses, entendemos que, com palavras dos gestores executivos das secretarias que por volta de abril, maio, vamos atingir a primeira fase do PNI, que seria a imunização daqueles trabalhadores de saúde, e isso engloba os farmacêuticos e outras profissões que estão na linha de frente e também aquelas classes mais expostas. Os gestores estão baseados na ciência ofertada nos índices que a gente procura embasar essas questões, principalmente naquela população acima de 90 anos, onde o índice de mortalidade para quem é infectado pelo coronavírus é muito maior do que aquela faixa etária de 50 anos. Não que não aconteça morte nos 50 anos, mas é a questão da porcentagem em relação à decisão de gestão.  Mesmo assim nós continuamos cobrando para que haja a plenitude da cobertura vacinal a todos os farmacêuticos e sua equipe. Nós do Conselho temos muito orgulho dos nossos profissionais em Mato Grosso do Sul, por na hora da pandemia, eles mostraram seu valor, atendendo a população na hora que precisam.

Nós do Conselho não deixamos esse profissional sozinho, ofertamos o tempo todo material técnico vindo do Conselho Federal, Conselho Regional, nossas equipes de apoio técnico fomentando dados científicos, bulas, informações sobre medicamentos, conduta, normas de biossegurança para os estabelecimentos, ou seja, nós como autarquia de classe, protegendo a sociedade, municiamos e ofertamos a todos os profissionais, conteúdo técnico e cientifico de forma que eles pudessem atender a população da maneira mais adequada possível. E isso foi um feedback muito bom dos nossos profissionais que os aproximou mais do Conselho Regional de Farmácia.

JD1 Notícias – Nos Estados Unidos, as farmácias começarão a vacinar a população. Aqui no Brasil, elas estão preparadas para iniciar também, quando autorizadas forem pelo Governo Federal?

Flávio Shinzato – Acredito que em um futuro breve, sim. Nós farmacêuticos já fomos acionados em outras campanhas, vou citar como exemplo no ano passado com a vacinação da gripe, onde todas as farmácias e drogarias que estavam habilitadas e se inscreveram junto a Secretaria de Saúde foram pontos de vacinação para H1N1. Então, no momento, sempre quando as farmácias e drogarias são chamados pelo Ministério da Saúde, eles estão sempre prontos a atendê-los. E as farmácias e drogarias que atendem os requisitos mínimos de condições sanitárias para que faça esse tipo de serviço, trabalham nesse sentido. Em dados oficiais, tivemos mais de 30 farmácias no ano passado atuando na vacinação da vacinação contra a gripe.

Então, tão logo tenha essa disponibilidade de doses para o coronavírus, acredito que o Ministério da Saúde não vai deixar de acionar a classe farmacêutica para atuar e que a gente possa fazer, em massa, a cobertura vacinal da sociedade. Nós do conselho estamos atuando 24 horas por dia, pois essa pandemia já se estendeu por mais de um ano. Então, nós estamos aqui sempre atuando e buscando sempre as informações, atualizando profissional, fornecendo conhecimento técnico e tudo aquilo que é necessário para que ele possa fazer a execução da assistência farmacêutica plena.

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