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Entrevista

'Nada na vida é improvável', diz Marisa Serrano

03 julho 2011 - 05h21Roberto Medeiros

Marisa Serrano renunciou ao mandato como senadora e agora é a nova conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Após 40 anos de vida política, ela se desfiliou do PSDB e a partir de agora fiscalizará as contas públicas de Mato Grosso do Sul sem viés partidário. Porém dá alguns palpites sobre o futuro tucano. No TCE, ela diz que permanecerá isenta para relatar as deliberações da casa com a maior dignidade. E, acredita que se dará muito bem no cargo que ocupa ao lado de outros sete conselheiros. Veja a entrevista na íntegra:

Jornal de Domingo - A interrupção de sua carreira é uma quebra de compromisso?

Marisa Serrano – Não considero uma quebra de compromisso. O tempo todo que eu passei no Senado eu procurei trabalhar muito e honrar cada voto que eu recebi. Tenho ouvido de muitas pessoas, muitos amigos, que a minha carreira política e a minha vida pública nesses mais de 40 anos sempre foram pautadas pela seriedade e pelo trabalho. Portanto, as pessoas apostam em mim e acreditam que eu vá continuar trabalhando. Eu pretendo continuar trabalhando mesmo com a mesma dignidade, força e determinação. Até o cumprir do meu mandato aqui no TCE (Tribunal de Contas do Estado). Então, pra mim é uma sequência de vida. A vida toda foi determinada pelo trabalho e eu não acredito que haja nenhuma quebra, por que não há quebra na obrigação que eu tenho com Mato Grosso do Sul. Eu continuo movida pelo trabalho e pela força que eu tenho em fazer do nosso estado, um estado melhor.

Jornal de Domingo - A senhora terá independência para julgar processos oriundos do governo?

Marisa Serrano – Claro. Aqui nós não podemos ter no Tribunal de Contas viés partidário. Nós estamos aqui para analisar contas e acredito que toda e qualquer conta oriunda da prefeitura do governo do estado, de fundações e de outras entidades, todas terão de mim a isenção que eu sempre tive na minha vida. Hoje ainda estamos arrumando os processos para começar a dar os votos. Acredito que a partir de amanhã já estaremos a par de tudo. Estamos revendo durante a semana que passou tudo aquilo que foi acordado para ver se não falta nada e, se está tudo okay, para começar a dar os votos, então eu acredito que a partir de segunda-feira.

Jornal de Domingo - Estava nos seus planos uma mudança precoce de cenário?

Marisa Serrano – Não. Não estava, por isso que eu digo que certos caminhos do destino a gente tem que respeitar. E ninguém ia imaginar que iria abrir uma vaga no Tribunal como abriu com a morte da Celina Jallad. Não havia nenhuma pessoa com pré-disposição ou já prevista para esta vaga. Por exemplo, nós sabemos que o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos, pretende vir para o Tribunal de Contas, em 2014, parece que ele vai pleitear a vaga que abrirá pela Assembleia. Mas, nessa vaga não havia ninguém pleiteando. A Celina faleceu subitamente e abriu essa possibilidade, e eu não tinha pensado nisso. Mas, pra mim foi muito bom. Deus coloca os momentos certos na vida da gente e esse foi o momento certo na minha vida. Pensei muito, refleti muito e achei que eu poderia fazer uma substituição do meu trabalho no Senado e continuar trabalhando por Mato Grosso do Sul de uma outra maneira e algo que eu acredito muito que é a fiscalização das contas públicas.

Jornal de Domingo - E o PSDB de MS como ficará sem seu mandato mais importante?

Marisa Serrano – Vai continuar com os mesmos projetos e propostas para o futuro. Temos aí no PSDB um grupo muito bom de parlamentares e pessoas que trabalham pelo partido e eu tenho certeza absoluta que o partido terá propostas para o futuro e que vai seguir com a mesma determinação. Parlamentares excelentes que são do partido. Portanto, não tenho nenhuma preocupação com o futuro do PSDB, sei que sempre será um partido de idéias, propostas e vai colocar, tenho certeza em 2012, 2014, idéias novas para o povo de Mato Grosso do Sul. Uma das cláusulas para ser conselheira pela legislação é que um conselheiro não tem atividade partidária. Deixei o PSDB, semana retrasada, pedi desfiliação ao partido. Portanto, a partir de agora não tenho mais filiação partidária.

Jornal de Domingo – É possível que o partido lance candidato próprio na próxima eleição?

Marisa Serrano - Eu acredito que sim. O presidente do partido, Reinaldo Azambuja, que está fazendo essa negociação em todo o estado. Vendo em todos os municípios, os nossos pré-prefeitos do PSDB e ele tem mais condições de dizer como é que o PSDB vai se sair em 2012. Mas eu acredito que se saia muito bem.

Jornal de Domingo – O Azambuja pode ser candidato a prefeito de Campo Grande?

Marisa Serrano – Ele tem essa vontade e digo que para ele vai ser importante e para o partido também. Ele é um jovem que foi o deputado estadual mais votado do estado, foi o segundo deputado federal mais votado, portanto ele tem uma tradição de ser bom de voto. Tem uma experiência administrativa como prefeito oito anos de Maracaju, portanto, ele tem condições sobejas de chegar a prefeitura de Campo Grande com conhecimento, além disso, com o conhecimento que ele está adquirindo nacionalmente como deputado federal. Ele tem todas as configurações necessárias para ser candidato a prefeito. Não é improvável. Nada na vida é improvável.

Jornal de Domingo - A senhora já tomou pé do Tribunal?

Marisa Serrano – Estou há uma semana no Tribunal. Já participei de duas comissões de duas sessões plenárias. Uma comissão e outra plena e analisamos vários processos, montei vários processos e achei muito interessante e a partir de agora vou me empenhar muito mais no conteúdo dos processos a serem julgados. Estou me sentindo aqui em casa. Tenho certeza disso. É uma turma muito boa, os conselheiros são pessoas extremamente gentis, aplicados e são só sete conselheiros, portanto é um número muito pequeno e unido. E eu tenho certeza que eu vou me dar muito bem.

Jornal de Domingo – No Senado, a senhora tem em andamento mais de 50 processos. O que ficou combinado entre a senhora e o senador Antônio Russo?

Marisa Serrano – É claro que eu vou acompanhá-los. Não tem como deixar os filhos que a gente faz ao longo do tempo. Então, o gabinete do Antônio Russo vai acompanhar para mim em Brasília, e eu também vou estar acompanhando o andamento dos processos que são importantes para o país, e importantes para Mato Grosso do Sul.Tenho certeza que se alguns desse projetos forem aprovados foi ficar muito feliz. Vai ser o coroamento a minha carreira política aqui no estado. Acredito que muitos projetos nossos que estão em andamento são importantes. Todos são importantes, mas tem alguns que se destacam mais. Na semana que eu deixei o Senado foi aprovado pela Comissão de Educação do Senado, o projeto de lei que cria aposentadoria para artistas que hoje não tem essa facilidade de ter uma aposentadoria, porque a vida deles é muito esporádica e rarefeita e eles precisam ter essa segurança jurídica que não tem hoje. Então, fiz um projeto de lei garantindo a eles junto ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), o seguro desemprego pelo menos por quatro meses. Para que eles tenham oportunidade de garantir um novo trabalho porque para artista não é fácil, principalmente os artistas de mais idade tem muito mais dificuldade. Então, esse é um projeto importante. Fizemos um outro que foi aprovado também na semana retrasada, foi um prêmio de Ciência, Tecnologia e Inovação para garantir que os nossos cientistas todos aqueles que tem pendor para a ciência possam ser estimulados a trabalhar mais e a produzir mais. O prêmio Brasil Ciência e Tecnologia é justamente para fomentar a pesquisa no país. Eu acho que isso é importante também. Fizemos inúmeros projetos para a criança, para a escola que é também a minha área de atuação contra violência, contra pedófilos, todos esses projetos são propostas que interagem com a sociedade. Não deixei de fazer projetos sem garantir o apoio da sociedade para que ela possa viver através deles cada vez melhor. Foi essa a forma que eu tive, num projeto que eu falei de violência as crianças é justamente para garantir segurança nas escolas e no entorno das escolas, porque hoje, há um problema seríssimo de violência enfrentado pelas nossas crianças de aluno contra aluno e de aluno contra professor e não está fácil. A idéia é para se possa ajudar a escola a se tornar um lugar mais sereno.

Jornal de Domingo – Como pedagoga, a senhora aprova as medidas aplicadas por Sérgio Harfouche dentro da escola?

Marisa Serrano – Pedagogicamente, cientistas educacionais acreditam que o aluno trabalhar na escola como monitor junto com o professor, ser o responsável em cuidar da limpeza da escola, ser um fiscal da limpeza, ajudar na secretaria, uma série de ações que o aluno possa fazer na escola como resultado de uma medida sócio-educativa. Há alguns cientistas que acreditam que esse não é o melhor caminho. Mas eu acredito também que a forma também do aluno sentir que a escola é dele e ele tem a obrigação de atuar e ajudar.

Há dois pesos aí que eu não posso aquilatar se isso realmente dá resultado. Eu não tenho pesquisa sobre isso. Há alguns que são violentamente contra. E outros que dizem não. O aluno tem que trabalhar e passar por medidas sócio-educativas para que ele dê valor a educação. Como não tenho pesquisa nenhuma a respeito não sei se isso dá resultado. É uma medida que não vai machucar o aluno, que não vai tirar do convívio da família, fica na escola, mas em contrapartida tem que oferecer o serviço. A pedagogia ainda é a minha paixão.

Jornal de Domingo – Quais os planos para o futuro? Agora a senhora ficará ‘escondida’?

Marisa Serrano – Talvez eu não tenha mais muita visibilidade para o público principalmente através da imprensa. Mas é um trabalho que há muito o que fazer nos Tribunais de Contas do país. Nós fazemos aqui a fiscalização das contas públicas, mas nem sempre às vezes, uma prestação de contas na área da saúde ou na educação, por exemplo, entrou tanto de recurso, saiu tanto, então ótimo. Está tudo bem, está aprovada a prestação de contas e às vezes o serviço não foi bem feito, ou mesmo não foi realizado o serviço. Às vezes, a população não teve melhoria de vida com aquela obra, então, a gente tem que analisar não só, o dinheiro que entrou e o dinheiro que saiu, mas também o benefício que a aplicação desse dinheiro trouxe a população.

Acho que é uma forma também de se começar a discutir isso nos Tribunais de Contas é uma coisa que eu pretendo discutir principalmente na área de educação. O Fundeb que é o Fundo de Valorização ao Magistério e do Desenvolvimento Educacional traz aplicação de recursos específicos para a educação. Ele não é oriundo da prefeitura ou do estado, é separado, então, a gente vê se o recurso que está sendo aplicado está melhorando a educação. Essa questão de valores também é importante não só o financeiro e é o que eu pretendo analisar aqui.

Alessandra Messias

pmcg - prestação de contas

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