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Entrevista

Sicredi teve crescimento estrondoso

09 maio 2011 - 05h23Jornal de Domingo

Celso Figueira, presidente da Central das Cooperativas de Crédito Brasil Central, que representa o Sicredi na região é o entrevistado da semana. Ele esclarece que a unidade de Campo Grande interliga 14 cooperativas a Brasil Central nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Bahia. No Estado o crescimento foi de 27% e gerou mais de 40 unidades de atendimento do Sidredi.

No planejamento estratégico a meta da central regional é de administrar R$ 4 bilhões dos associados nos próximos cinco anos, possuindo uma cartela de 80 mil associados que pretende dobrar até 2015. Confira a entrevista na íntegra.

Jornal de Domingo – Em primeiro lugar uma dúvida, o Sicredi não é um banco?

Celso Figueira – Não. O Sicredi não é um banco. Vamos desmistificar o que é um banco. Não é banco pela sua característica e pelo formato da sociedade. Os bancos são todos sociedades anônimas. As cooperativas de crédito são limitadas. E, tem portanto uma regulação oficial para isso, nós por exemplo, somos regulados pela lei nº 5764, ou a lei nº 130, mais usada recentemente, além de todas as resoluções monetárias que são reguladas pelo Banco Central. Então, as cooperativas de crédito se ocupam de fazer toda a movimentação financeira que um banco convencional faz. Todas as atividades financeiras de produtos e serviços que se encontra no banco, aqui no Sicredi nós temos isso também. O que nós temos de diferente nisso? O Sicredi não é um banco, mas tem um banco. As cooperativas de crédito e as pessoas jurídicas que formam o Sicredi hoje, elas são acionistas de um banco que é chamado banco Sicredi que tem uma sede em Porto Alegre e que não aparece no contexto. Ele é um banco de propriedade das cooperativas. Veja o seguinte: se nós conseguimos através das nossas cooperativas levar todos os produtos e serviços para os nossos associados que são mais de um milhão e setecentas mil pessoas, porque que nós vamos ter agências de banco? Nós temos um banco que é de propriedade dessas cooperativas e que eventualmente faz aqueles serviços que nós como cooperativas não podemos fazer, esse banco aqui faz para nós. Por exemplo, compensação de cheques e documentos; esse é um serviço que as cooperativas por sua característica técnica e jurídica não podem fazer. Então, quem faz o serviço? O banco Sicredi que é de propriedade dessas cooperativas.

Jornal de Domingo – A entidade parece ter apresentado bons resultados, quais as próximas perspectivas?

Celso Figueira – Estamos experimentando nos últimos anos, um crescimento tanto nos negócios quanto na expansão territorial. Nós éramos aqui no Estado 16 ou 17 unidades das nossas cooperativas e hoje nós já ultrapassamos 40 unidades de atendimento no Estado. A expansão geográfica é muito forte. Além disso, há a nossa presença no estado de Goiás, Tocantins e Bahia sob a nossa jurisdição em Campo Grande. Estamos experimentando uma gama muito grande de produtos e serviços que comumente os bancos comerciais estão oferecendo aos seus clientes. Nós temos hoje, desde conta corrente até uma aplicação financeira por mais complexa que seja e, nós podemos fazê-la dentro do Sicredi. Todos os produtos sejam eles: imobiliários, poupança, do crédito rural, cartão de crédito, transação de cobrança, pagamento de boletos, enfim, tudo que nós imaginarmos possível de se ter numa agência bancária, nós podemos ter nas nossas unidades dentro das cooperativas de crédito.

Jornal de Domingo – O Sicredi hoje é mais comercial que cooperativista?

Celso Figueira – Não. Nós temos que preservar nossas raízes cooperativistas. Manter esse diferencial cooperativo é que nos dá essa sustentabilidade de crescimento. Uma das coisas que nós fizemos que deixa muito presente isso em nós é no final de cada exercício, e fim de ano, reunimos os associados, fazemos a prestação de contas e devolvemos a eles aquilo que foi o resultado da sua cooperativa. Nós experimentamos fazer isso esse ano. Só que no nosso estado foram mais de R$ 17 milhões que devolvemos aos nossos associados. Eles participam dos trabalhos conosco o ano todo, no final do ano fechamos os negócios e prestamos contas ali. Daí, uma diferença que temos no sistema bancário convencional.

Jornal de Domingo – Quantas agências o Sicredi tem hoje? Qual a perspectiva desta malha ser aumentada?

Celso Figueira – Nós fizemos no fim do ano passado e início desse ano, o nosso planejamento estratégico para os próximos cinco anos. E dentro desse planejamento está lá contemplado abertura de novas áreas; novas unidades de atendimento; plano de negócios e plano de metas para o atingimento dos próximos cinco anos. Nós crescemos em 2010, 27%. Estamos planejando continuar nesse mesmo patamar de crescimento nesse ano e no ano que vem. Não é muito fácil de acontecer numa economia igual a nossa. Mas, planejamos esse crescimento. Estamos hoje com 80 mil associados no estado, e devemos chegar daqui há cinco anos ao dobro de associados. Então, o nosso crescimento é realmente estrondoso. O levantamento é semestral e o fechamento do ano fazemos no fim do exercício que finda o ano. Temos um projeto para o estado de Goiás onde o dividimos em 19 regiões, e dentro de cada uma colocamos uma agência. Em Mato Grosso do Sul estamos em estudo em Mundo Novo, Eldorado, Corumbá e Figueirão se houver acessibilidade.

Jornal de Domingo – O que é preciso para ser um associado do Sicredi?

Celso Figueira – Precisa se dirigir a uma de nossas unidades na capital ou interior, integralizar o capital normalmente com valor muito simbólico e a partir desse momento, passa a ser sócio da cooperativa e pode usufruir de todos os serviços e produtos da cooperativa. É muito simples.

Jornal de Domingo – Quais as vantagens do Sicredi em relação a um banco comercial?

Celso Figueira – As vantagens é que nós trabalhamos com todos os produtos e serviços de um banco convencional e na forma desburocratizada de trabalhar. Outro diferencial é poder distribuir recurso e retornar aos sócios que produziram resultados nas cooperativas e ser reconhecida hoje como sendo a instituição do município. O Sicredi, onde nós estamos é hoje a instituição financeira do município. Porque que eu estou te dizendo isso? Nós temos unidades em Ponta Porã, Maracaju, Campo Grande. Todos os recursos que giram em torno da unidade, ao final do ano, esses resultados, obrigatoriamente tem que voltar para a comunidade e para as pessoas que ajudaram a levantar. Então, tudo que for hoje fruto do trabalho dos associados de uma determinada comunidade tem que ser obrigatoriamente revertido para aquela comunidade.

Jornal de Domingo – Em relação ao momento que o senhor assumiu o Sicredi, indique a evolução e qual sua meta para o futuro?

Celso Figueira – Ser dono. Nós iniciamos o trabalho no Sicredi numa época muito difícil. Inflação alta, controle da economia um momento muito complicado. Reduzimos os números de unidades de atendimento , fizemos fusões de cooperativas, enxugamos ao máximo a nossa máquina administrativa e a partir daí nós começamos a reorganizar para fazer desenvolvimento. Buscamos novos produtos e serviços, tecnologia adequada a demanda do mercado e daí não tivemos mais problemas de crescimento. Então, só efetivamente crescemos. Eu estou te falando fatos de 12 anos pra cá é que atingimos um patamar de crescimento bastante significativo. Nós deveremos ter ao final do ciclo de planejamento estratégico uma administração de pouco mais de R$ 4 bilhões aqui no estado, juntando Goiás, Tocantins e Bahia. A perspectiva de crescimento é muito boa.

Jornal de Domingo – O fato da cooperativa poder operar dá margem ao crédito especulativo?

Celso Figueira – A legislação permite que as cooperativas de crédito não sejam associação de capital. A legislação não permite que cerca de quatro pessoas formem uma cooperativa de crédito especulativa. É uma sociedade de pessoas, e por isso, cada um de nós é limitado em colocar o capital aqui dentro. Essa sociedade de pessoas limita também os entes jurídicos que fazem parte disso. Pessoas físicas, jurídicas que tenham afim a mesma atividade que o grupo que a compõe, a mesma classe. Há algum tempo as cooperativas funcionam muito fortemente. Por exemplo, a de funcionários públicos só com profissionais ligados ao grupo. Segmentou-se mesmo as classes econômicas.

Jornal de Domingo - Como é feita a administração das comunidades de associados?

Celso Figueira - Nós temos percorrido muitos estados brasileiros hoje, muitos municípios e nós temos uma proposta diferente de fazer a administração financeira de pessoas que compõe uma determinada comunidade. Um exemplo que ocorre hoje: o funcionário trabalha o mês inteiro e o patrão determina em qual banco eu devo sacar o meu dinheiro e ainda dá o seu dinheiro para um terceiro administrar. E esse terceiro tem administrado tão bem que os lucros estão publicados nos jornais. Administram tão bem que emprestam com juros de 3%, 4% ao mês, a 12%, 15% na taxa de cartão de crédito, a 7%, 8% a taxa do cheque especial, e eu não estou falando mau dos bancos. Nada disso. Esse é o DNA das entidades capitalistas, é assim que eles trabalham. O que devemos fazer? Ao invés de pegar o nosso dinheiro e dar para alguém administrar, nós mesmos devemos fazer a nossa administração. Nós quatro podemos escolher quem vai administrar nosso dinheiro e isso se faz numa cooperativa de crédito. Se sobra o dinheiro no fim da administração, o dinheiro não fica para um terceiro ou quarto, fica entre nós. Então, decidimos dividir esse dinheiro entre nós. Podemos investir na sociedade e colocar mais capital, em suma, é isso que nós fizemos nas cooperativas pegamos o grande bolo que cerca as comunidades e administramos isso. Devolvendo de acordo com o que foi investido.

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