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Entrevista

'Vamos começar a desenrolar esse novelo', diz Coronel David

06 novembro 2011 - 05h34Roberto Medeiros

O coronel e comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto David dos Santos, afirma que o policiamento militar pelos bairros de Campo Grande terá novas estratégias a partir do ano que vem. Momento em que a tropa deve ser aumentada para atender de forma adequada a população de quase 800 mil habitantes. Ainda este ano, ele avisa que alguns bairros serão ocupados, assim como ocorreu na Vila Nhá Nhá coibindo o corredor do tráfico que se formou na região. Confira a íntegra:

Jornal de Domingo - Como foi a operação que desbaratou a quadrilha que contrabandeava cigarros,e que tinha a participação de PMs?

Cel David – Isso é decorrente de denúncias anônimas que chegaram por meio de cartas ao comando da PM (Polícia Militar) no segundo semestre do ano passado. Também coincidiu com as informações que nós já tínhamos a respeito da conduta praticada por esses policiais.

Nós determinamos que o serviço de inteligência da PM apurasse essas denúncias e como elas começaram a se tornar concretas, e pelo número de pessoas exigia um aparato muito grande solicitamos apoio ao Gaeco.

Por meio de algumas ações que foram desenvolvidas pelo serviço de inteligência juntamente com o Gaeco, nós conseguimos detectar então, que esse tipo de conduta estava sendo realmente praticada.

E a partir daí, foram tomadas medidas que foram julgadas necessárias como os mandados de busca e apreensão, mandado de prisão provisória preventiva e espero que agora com a prisão desses policiais militares, e a oitiva que está sendo feita com eles, podemos verificar a extensão dos crimes que estão sendo cometidos e se possível chegar a outros policiais militares.

Jornal de Domingo - Essa operação já acabou?

Cel David – Não. Não acabou. Até entendo que ela está bem no início e em decorrer das apurações que já estão sendo feitas, agora com depoimento desses PMs que foram presos imagino que vamos começar a desenrolar esse novelo e chegar a alguns outros nomes.

Jornal de Domingo - Coronel, essas ações não são demoradas demais? Em algumas cidades do interior, era quase de domínio público algumas participações que caíram? Por que é assim?

Cel David – Primeiro que essa informação não chegou até nós. E eu até pediria àquelas pessoas que tem informações a respeito desse tipo de conduta, eles também possam nos ajudar nesse momento, principalmente agora em que há pessoas que querem resolver essa questão.

Mas posso te assegurar que todas as informações que chegaram ao nosso conhecimento, elas foram repassadas ao serviço de inteligência, que cuida de fazer essas observações para detectar realmente se há ou não esse tipo de conduta errônea praticada por um PM, e, após isso é repassado para a Corregedoria que apura os fatos pelos quais os policiais irão responder.

Jornal de Domingo – A sua gestão fez uma operação grande na Vila Nhá Nhá, mas existem bairros que o traficante ou o "boqueiro" é uma figura conhecida das pessoas e ninguém o prende? Por que?

Cel David – Quando assumi o comando da PM, eu disse logo na primeira entrevista que eu dei que nós vamos praticar o policiamento militar. E quando você diz isso de fato, você estreita o relacionamento com a comunidade.

Estreitando o relacionamento com a comunidade, ela começa a conhecer o policial militar que trabalha na comunidade dela. Porque sem conhecer ninguém vai dar informação. Falta o aspecto confiança nessa relação, então, quando estreitamos essa aproximação, buscamos conquistar a confiança do morador e cidadão.

E partir de então, trazê-lo para dentro da nossa instituição, para que ele não só participe junto com os PMs desse policiamento comunitário que para atender a própria comunidade, mas principalmente nessa questão de informação para saber quem vai traficar droga no bairro é o morador quem fala. Ele é quem sabe de tudo, são os olhos que estão ligados vinte e quatro horas por dia que vão identificar esses pontos criminosos. Fazendo o policiamento comunitário, o que pretendemos é isso, trazer o cidadão para perto da instituição.

Na operação da Nhá Nhá, nós só trabalhamos a questão da informação porque nós sabemos os locais, onde estão sendo ocupados pelo tráfico de drogas. Posso te garantir que infelizmente é algo que cresceu muito nos últimos meses e o grande diferencial é que hoje, o tráfico de drogas dita as ações criminosas que estão ocorrendo em determinados locais.

Aqui no nosso estado e em Campo Grande, não é diferente do restante do país.

Essas informações do serviço de inteligência com mais os profissionais que nos ajudaram, nós traçamos todo um planejamento que dá estratégia adequada para o local e fizemos aquela ocupação e hoje nós coibimos em muito o tráfico de droga. Eles sofreram em grande parte com essa operação da PM. Esse planejamento será implantado em outras regiões do estado. Essas ações não nasceram da minha cabeça. Essa foi uma necessidade que nós sentimos e compartilhamos com o governador [André Puccinelli] e, ele determinou que isso fosse feito e vai ser feito.

Uma outra comunidade daqui de Campo Grande, daqui uns dias, vai amanhecer com os nossos policiais militares.

Jornal de Domingo – Existem alguns bairros em que a PM tem dificuldade de entrar?

Cel David – Quando usamos a terminologia ocupação, é porque temos uma orientação do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais do qual eu sou vice-presidente, usada no Rio de Janeiro, em que a polícia não pode entrar, mas aqui no estado é diferente porque não há nenhum lugar em que a polícia não possa entrar.

Vai continuar sendo assim, as regiões serão dos moradores e o estado vai poder entrar nessas regiões a qualquer momento que for acionado, o que for preciso, mas vamos continuar com esse tipo de ação que deu certo na Vila Nhá Nhá e vai dar certo em outras regiões para que as operações sejam garantidas.

Jornal de Domingo – Como essas operações serão realizadas numa cidade com quase 800 mil habitantes?

Cel David – Primeiro que elas vão ser levadas aos bairros com um conselho comunitário de segurança instalado, e que é um grande parceiro que nós temos. Há grandes líderes comunitários que se preocupam com a questão da segurança.

Eles perceberam que segurança é um item de qualidade de vida.

Todos devem se envolver para que a segurança melhore e dê qualidade de vida aquela comunidade. Quando avaliamos o crescimento de Campo Grande, detectamos quase oito mil ruas, em um número grande de bairros, e eles recebem atenção, não da forma que gostaríamos, mas de uma maneira que dê para controlar a criminalidade que está no limite.

Não como nos grandes centros, mas acaba quebrando aquela impressão de cidade bucólica que Campo Grande tinha. Mesmo sendo a capital do estado, ainda tinha esse aspecto até a alguns anos atrás que por conta do crescimento e do desenvolvimento acabou sentindo os efeitos de cidade grande.

Jornal de Domingo – A questão dos presídios é uma situação corriqueira e tem como ser evitada?

Cel David – Por isso que a autoridade pública, principalmente aqueles ligados a área de segurança, eles precisam, quando adotam qualquer tipo de decisão, verificar a decisão e a extensão que elas trarão ao longo do tempo.

Digo isso, porque em 2006 com os problemas de São Paulo, as nossas autoridades da época acabaram recebendo presos, até porque havia essa necessidade de ter aqui alguns braços do PCC.

Até então, o estado estava livre dessas organizações criminosas, porém como vieram considerando os Maraca que ficaram muito tempo no presídio de segurança máxima, eles acabaram criando tentáculos. Hoje, além de São Paulo e Rio de Janeiro, eles acabaram, tendo uma liderança acentuada de PCC nos nossos presídios.

Desde 2007, no governo de André Puccinelli junto com o secretário Wantuir Jacini, nós não tivemos e não temos notícias de grandes rebeliões ou a existência de rebeliões.

Esse tipo de movimento negativo, ocasionado por essas pessoas são eliminados porque elas são retiradas daquele local, e isso acontece até mesmo no presídio federal. As lideranças são isoladas e ainda é possível manter a normalidade de funcionamento desses presídios.

Essa questão de parte de dentro dos presídios vem sendo combatida exaustivamente. Posso te garantir que ocorre em número muito reduzido em relação a outros locais.

Jornal de Domingo - A PM está muito desfalcada de estrutura de equipamentos e de pessoal?

Cel David - Hoje ela é toda planejada. Foi feito planejamento estratégico e vai até o fim de 2011. A partir do ano que vem faremos um outro tipo de planejamento que vai permitir que nos próximos quatro anos, possamos ter ações que podem ser feitas de forma pontual e já visando o crescimento da cidade que a instituição deve acompanhar esse desenvolvimento.

Desde o início do governo de André, ele disse em seu discurso que priorizaria ações de educação, saúde, e na área da segurança eu posso te garantir que nós nunca tivemos tantos investimentos na questão infra estrutural e de pessoal como nesse governo.

Nós já tivemos a inclusão de mais de 1,3 mil homens na instituição que já supera todo o total de inclusão que foi feito no governo passado em oito anos e infelizmente, essa falta de política que foi adotada no governo anterior, hoje nos prejudica de sobremaneira.

Porque a inclusão de pessoal é algo muito pesado para as contas do estado. Mas já temos conversado com Jacini e com o governador esperamos que no ano que vem tenhamos um novo momento, até que a estrutura que foi criada dentro da instituição, se continuar esses investimentos, vamos precisar de gente para colocar nas viaturas, precisaremos contratar policiais militares para portar pistolas e munições que já foram compradas e, a estrutura para que possamos colocar mais policiais na rua, aumentando a segurança do cidadão.

Jornal de Domingo – O seu 190 não demora muito para atender?

Cel David – Eu não posso falar do 190 porque ele é uma estrutura da Secretaria de Segurança. Ele saiu da PM e foi para o Ciops, coordenado pela Secretaria.

Jornal de Domingo - O senhor chegará ao fim de sua gestão frente a PM com que legado, para a história da PM de MS?

Cel David – Eu sou bem auxiliado dentro do comando para realizarmos essas ações dentro da instituição. E o legado que eu quero deixar é a implantação definitiva do policiamento militar dentro da instituição para que o cidadão ao ver a Polícia Militar, tenha a garantia e a consciência exata de que aquela pessoa servidora do estado, mas antes de tudo, uma pessoa que pratica o policiamento e fique próxima do morador.

Para que o cidadão tenha confiança numa pessoa amiga que vai procurar dar toda atenção à ele em caso de necessidade.

Além de ser necessário para a população, o policiamento pode reduzir os índices de criminalidade, para que a população tenha qualidade de vida. Tenho atuado também em favor da tropa para que todos tenham a garantia que a minha gestão busquei o melhor para a categoria. Procuro fazer isso todos os dias, procuro motivar a minha tropa para que todos trabalhem motivados pela nossa população.

Sesc Novo

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