O cenário sombrio foi descrito ao blog do Perrone, do Uol, por três dirigentes alvinegros que preferem ficar no anonimato. O clube calcula que irá gastar pelo menos R$ 1 bilhão para pagar o estádio, outrora orçado em R$ 820 milhões. Boa parte do aumento se deve a juros bancários causados por empréstimos feitos por causa da demora no financiamento do BNDES.
Ninguém no Parque São Jorge duvida de que a arena irá gerar receitas robustas, mas isso não significa um caminho fácil até a dívida ser quitada. Uma das principais preocupações está relacionada a uma mudança na forma de pagamento da obra.
O clube aceitou pagar prestações maiores do que planejado inicialmente para diminuir os riscos da Caixa, que é tomadora do empréstimo de R$ 420 milhões do BNDES usados para cobrir parte das despesas. Assim, sobrará menos dinheiro por mês nos cofres do Corinthians, o que significa fôlego reduzido para contratações. Existe receio de que o clube leve duas ou três décadas para quitar o débito sem poder investir em grandes craques. Além disso, as categorias de base têm sido pouco aproveitadas atualmente.
O aperto financeiro aumenta com o projeto de ampliar o número de ingressos que a direção chama de populares na nova arena. O plano é de Andrés Sanchez, responsável pelo estádio. Inicialmente, os bilhetes mais baratos seriam vendidos apenas para atrás dos gols, locais sem assentos, ao gosto das torcidas organizadas. Porém, agora o setor Leste também terá ingressos na faixa mais baixa de preço. Nas palavras de um dos dirigentes ouvidos pelo blog, o setor Leste teria tíquetes para membros da classe B, mas agora terá para torcedores das classes C e D. Há na diretoria quem acredite numa queda de receita entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões anuais com a ampliação dos tíquetes mais baratos. Desde o começo está previsto que o estádio terá cerca de um terço de seus lugares destinados para a classe A.
A bola de neve fica maior com a demora na venda de propriedades da arena. O plano de negócios elaborado por Luis Paulo Rosenberg, vice-presidente do clube e que se afastou dos trabalhos no estádio, previa o início da venda de camarotes em fevereiro de 2013. Mas até agora a comercialização não começou. Isso faz com que a arena demore mais para gerar receitas.
Outra negociação que o clube custa a concretizar é a venda dos naming rights. Em fevereiro de 2012, Sanchez disse que estava perto de concluir a comercialização do nome da arena, mas até agora isso não aconteceu.
No pacote de preocupações também estão questões referentes à Copa do Mundo. Entre elas, os custos com as estruturas complementares do estádio. Segundo o Blog do Rodrigo Mattos, Sanchez admitiu recentemente que elas são de responsabilidade do clube. Essas estruturas provisórias são necessárias para os jogos do Mundial, como locais ampliados para a imprensa, mas considerados exagerados para as necessidades da arena após a Copa. No governo do estado, a estimativa é de que as obras complementares custem entre R$ 70 e R$ 84 milhões. Também segundo o Blog do Rodrigo Mattos, no entanto, a conta ficará entre R$ 50 e R$ 60 milhões.
Houve resistência do Corinthians para pagar essa despesa, e o clube ainda procura patrocinadores para a empreitada. Indagada se o Corinthians já havia feito as contratações relativas às estruturas complementares, a assessoria do COL (Comitê Organizador Local) disse que ainda não tem informações sobre os prazos referentes à execução dessas obras.
“As estruturas complementares estão planejadas em todas as sedes e os processos de contratação em andamento, porém, em São Paulo, o cronograma ainda não foi confirmado. Permanecemos trabalhando de forma integrada com as sedes para garantir contratação e montagem das estruturas entre abril e junho de maneira gradativa”, afirmou a assessoria do COL.
Tanto no clube como no Comitê Paulista da Copa há o temor de atrasos nos trabalhos de acabamento da arena. Entre os dirigentes, o receio não é nem de que o estádio não fique pronto no prazo combinado com a Fifa, 15 de abril. O medo é de que acabamentos luxuosos ganhem formas mais simples para acelerar os trabalhos.
A assessoria de imprensa da Odebrecht não comentou se havia atrasos nos trabalhos de acabamento. Por sua vez, o COL respondeu que em seu entendimento o cronograma de obras do estádio segue o estabelecido após a queda de uma parte da cobertura da arena.
Há ainda problemas com o Corpo de Bombeiros. Fonte que acompanha o caso diz que a corporação pediu escadas que permitam o acesso dos torcedores ao campo em situações de emergência. Para evitar invasões ao gramado, elas não estavam previstas no projeto original.
De acordo com a assessoria de imprensa do COL, “no dia 24 de março, haverá uma visita dos especialistas de estádios da FIFA e do COL em que será conferido o andamento do cronograma em relação à finalização da cobertura, acabamento, entorno imediato, arquibancadas provisórias e instalações complementares, a fim de alinhar as expectativas do término dos trabalhos''.Reportar Erro
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