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Fora da Marussia, Razia ainda sonha com F-1, mas admite estar 'sem chão'

03 março 2013 - 07h56Divulgação

'Batalhar' é uma palavra muito presente vida de Luiz Razia. Neste ano, o brasileiro de 23 anos, que havia começado a competir em corridas em “gaiolas” nas terras da cidade de Barreiras (Bahia), parecia finalmente ter realizado seu maior objetivo: tornar-se piloto de Fórmula 1. Era a superação de um caminho difícil que passava pela falta de apoio de empresas nacionais. Mas o sonho acabou antes mesmo de se tornar realidade. Apenas 23 dias depois de ser anunciado pela Marussia, o vice-campeão da GP2 teve seu contrato rescindido por falta de pagamento de um dos patrocinadores que ele havia trazido para a equipe, e foi substituído por Jules Bianchi. Apesar da decepção, o baiano mostrou serenidade com o episódio e garantiu seguir com o espírito lutador em busca de um lugar na F-1.

- Não vou desistir agora que estou tão perto. Infelizmente, essa oportunidade passou, ficou para trás. No momento, estou realmente sem chão, sem saber o que vou fazer. Mas sei que tenho as qualidades necessárias e sou profissional para estar ali. Não penso em entrar em outra categoria. Meu objetivo sempre foi chegar na F-1. Faço o possível e o impossível para conseguir as coisas na minha vida – disse o piloto.

Anunciado oficialmente no dia 6 de fevereiro, Razia chegou a participar de dois testes de pré-temporada em Jerez de la Frontera (Espanha). Porém, um dos patrocinadores não depositou o pagamento combinado com a Marussia, e o piloto foi sacado das sessões seguintes, em Barcelona. Com a proximidade da temporada (17 de março, no GP da Austrália), a situação ficou insustentável, e a escuderia russa baseada na Inglaterra decidiu substituí-lo por Bianchi.

- Foi um acaso. Não foi por falta de comprometimento ou de profissionalismo da minha parte. Fiz tanto quanto qualquer um faria para conseguir o que queria. Infelizmente, eles me tiraram em razão de um fracasso circunstancial. Tínhamos um contrato e precisávamos cumprir. Infelizmente, ficamos vulneráveis quando nossos investidores não cumpriram a segunda parte do compromisso – lamentou.

Desde que soube da pendência com um de seus patrocinadores, o baiano buscou diversas formas para se garantir na equipe. Primeiro, tentou solucionar a situação com a empresa e, na sequência, correu atrás de novos investidores.

- Tentamos resolver com as pessoas com quem tínhamos assinado o contrato. Depois, buscamos oportunidades que tínhamos tentado antes para consertar a situação. Mas, infelizmente, chegou a um momento muito difícil. Falta pouco tempo para o início da temporada, isso atrapalhou – explicou.

Em tempos de crise econômica mundial, não bastava a bela temporada de 2012, que culminou com o vice da GP2, principal categoria de acesso à F-1, para conseguir o lugar na categoria. Razia precisava levar aporte financeiro, como acontece com diversos outros pilotos do grid. Perguntado se seu substituto também estaria levando dinheiro à Marussia, o baiano foi taxativo:

- Seria piada se alguém pensar que não. Se isso não pesasse, eu estaria sentado no carro agora – emendou.

Sem mágoas com Marussia
Apesar de ter sido sacado a poucos dias de estrear na Fórmula 1, Razia garante que não guarda mágoas da Marussia e afirma que recebeu grande apoio da equipe, mas a situação não pôde ser contornada. Ele eximiu a escuderia de culpa e lamentou o não cumprimento do contrato por parte do patrocinador.

- A equipe me deu a oportunidade de que eu precisava, correram atrás de mim até o último momento. O contrato era até generoso da parte deles. Mas chegou um momento em que eles precisavam tomar uma atitude. Eles tentaram me ajudar, gostavam de mim como piloto. A equipe fez a parte dela até quando podia. Nós nos esforçamos ao máximo, mas, infelizmente, eles tomaram essa decisão. Não conseguimos nos manter porque nossos apoiadores não cumpriram o que prometeram. O que eles fizeram foi muito chato. Vamos conversar com eles e ver o que aconteceu – concluiu.

Dificuldade na carreira como lição
Vice-campeão da GP2, Razia se espelha em exemplos que ele mesmo enfrentou para manter acesa a esperança de competir na categoria máxima do automobilismo mundial futuramente. No início do ano passado, decepcionado após três anos em equipes pouco competitivas na GP2, pensou até em abandonar a carreira. Entretanto, ganhou a oportunidade de guiar na equipe Arden, de Adrian Newey (chefe da RBR na F-1) e agarrou a chance com unhas e dentes, fazendo uma bela temporada e chamando a atenção de algumas escuderias da F-1, realizando testes para jovens pilotos por Force India e STR.

- Aprendi muito na carreira. Em 2012, tive uma grande lição. Consegui mostrar talento para todos e adquiri respeito. Cresci muito como pessoa e como profissional. Sou muito mais forte e determinado. Preciso também aprender essa nova lição, para enfrentar 2013 com ainda mais força e determinação. Sinto que tudo que está acontecendo tem sido uma jornada espiritual - avaliou o piloto que também participou dos treinos de novatos da F-1 em outras duas ocasiões, em 2010 pela própria Marussia (na época Virgin) e em 2011 pela Team Lotus, atual Caterham.

País fica com apenas um representante pela primeira vez desde 1971
Com a saída de Razia e a ausência de Bruno Senna (que segue para o Mundial de Endurance), o país contará apenas com um brasileiro: Felipe Massa, da Ferrari. A última temporada em que o Brasil contou apenas com um representante foi em 1971, com Emerson Fittipaldi. O ano de 1978 começou somente com Emerson, mas teve a estreia de Nelson Piquet na 11ª etapa. A temporada 2013 da F-1 começa no dia 17 de março, com o GP da Austrália.

Via G1

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