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Esportes

Governo de Minas 'barra' Paulistão; BH entra na 'Onda Roxa' com mais restrições

FPF tenta volta do futebol, mas ouve 'não' de Doria e do MP

16 março 2021 - 11h49Marcos Tenório, com informações da ESPN

Mesmo com as tentativas de conversas com governo e Ministério Público, a Federação Paulista de Futebol não conseguiu reverter a decisão de paralisação do Paulistão. E uma das saídas encontradas para manter a competição nas datas previstas ficou fora de cogitação nesta terça-feira (16).

Conforme o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, estão proibidas as partidas de futebol de clubes de outros estados em solo mineiro a partir desta quarta-feira (17), quando terá início a chamada 'Onda Roxa', que prevê maior restrição no programa de enfrentamento à COVID-19 promovido pelo governo local.

“Seria muito incoerente a gente tomar uma medida tão dura e tão restritiva, como essa que estamos tomando no estado, e permitir que jogos de outros estados acontecessem aqui em Minas Gerais”, disse Baccheretti.

“Lembrando que, na Onda Roxa, os hotéis não podem receber turistas, então fica inviável o recebimento de jogos de outro estado. A própria Onda Roxa, por definição, não vai permitir que haja essa circulação. Qualquer circulação, entre estados, as barreiras sanitárias irão impedir essas pessoas e ver se elas estão indo para serviços essenciais. Se estiverem indo para serviços essenciais, eles poderão prosseguir, senão serão notificados para retornar”.

Além de vetar partidas de clubes de fora de Minas Gerais em seu território, o governo ainda debaterá uma possível paralisação do Campeonato Mineiro.

Com a decisão, três partidas previstas para acontecerem nesta semana ficam em xeque: São Bento x Palmeiras, pelo Paulistão (Independência) e Marília x Criciúma, pela Copa do Brasil, estão marcadas para quarta. Na quinta-feira está agendado o confronto entre Palmas x Avaí (Independência), também pelo mata-mata nacional.

A assessoria de imprensa da FPF disse que só vai se manifestar sobre as ações que tomará, inclusive sobre a realização do jogo entre Palmeiras e São Bento, que a mesma anunciara para o estádio Independência, em Belo Horizonte, capital mineira, após uma reunião da entidade com os clubes paulistas que está marcada para a tarde desta terça-feira (16).

A decisão de manter paralisado o Campeonato Paulista aconteceu mesmo após uma série de reuniões de membros da Federação Paulista de Futebol com representantes do governo e do Ministério Público Estadual.

Agora, a FPF irá se reunir com os clubes nesta terça (16) para discutir alternativas para o torneio. A possibilidade de as partidas, durante este período, serem disputadas em outro estado não estão fora do debate.

A delegação do São Bento tem previsto um voo saindo de Guarulhos rumo a Belo Horizonte agendado para 15h30.

O campeonato foi paralisado por decisão do governo na última quinta-feira (11) por conta das medidas para conter o avanço da pandemia de coronavírus. O número de infectados em São Paulo e no Brasil aumentou nas últimas semanas e o Ministério Público recomendou que as atividades esportivas fossem paralisadas.

Veja abaixo a nota emitida pela Federação Paulista de Futebol:

A Federação Paulista de Futebol comunica que se reuniu nesta segunda-feira (15) pela manhã com o Governo do Estado de São Paulo e, à noite, com o Ministério Público Estadual para tratar da paralisação do esporte na Fase Emergencial.

Nos dois encontros, a FPF apresentou um estudo e uma proposta baseada em critérios médicos e científicos, que embasavam o pedido de liberação parcial do futebol neste período, com menos jogos, menos pessoas envolvidas, testes antes e depois de cada partida e uma "bolha de segurança" para atletas e comissões técnicas. Para conhecimento público, abaixo listamos os argumentos:

1- Assim como os restaurantes, que estão impedidos de receber clientes em seus salões e têm funcionado com sistema de delivery, o futebol segue sem público nos estádios, entregando ao torcedor, na sua casa, os jogos por meio de transmissões. No entanto, o futebol é a atividade econômica que possui um rigoroso e inédito protocolo de saúde, com testagens semanais de seus colaboradores e acompanhamento médico diário. Com a paralisação, mais de 3.000 atletas, membros de comissões técnicas e funcionários das agremiações param de ter esse controle médico;

2- O rígido controle faz com que o futebol tenha uma taxa de positividade de 2,2% —15 vezes inferior à taxa do Estado de São Paulo e menor do que a metade do que o número recomendado pela OMS para controle da pandemia (5%). E, como a grande maioria dos atletas que contraíram COVID-19 são assintomáticos, esta testagem ativa permite identificar e isolar imediatamente o profissional, evitando a contaminação de mais pessoas;

3- Na apresentação de quinta-feira (11/3), em que anunciou a Fase Emergencial, o Governo do Estado de São Paulo utilizou um slide em que citou como exemplo países que adotaram medidas restritivas. Em nenhum dos países listados pelo Governo, o futebol foi paralisado na segunda onda de COVID-19, o que demonstra que não há qualquer referência científica internacional que embase a decisão de paralisação do futebol para combate à doença;

4- A partir do anúncio da paralisação do futebol, a FPF estudou alternativas e elaborou, com base em dados científicos, um protocolo ainda mais rigoroso para proteger atletas, comissões técnicas, árbitros e os profissionais do futebol. O documento prevê a redução de 56% da quantidade de partidas disputadas no período da Fase Emergencial, com a suspensão temporária da Série A3 e parcial da Série A2 do Campeonato Paulista —a Série A1 teria seus 24 jogos realizados. Para assegurar ainda maior segurança aos profissionais, o novo protocolo criava novamente o conceito de “Bolha de Segurança”, com todas as delegações testadas e isoladas em hotéis ou centros de treinamento até o fim deste período. Sem qualquer contato externo, os clubes se deslocariam apenas para os estádios (totalmente desinfetados) e retornariam para seus alojamentos, com testagens antes e depois das partidas. Além disso, o número de profissionais de operação de jogo nos estádios seria reduzido em 70%, com um esforço coletivo de comunicação para conscientizar torcedores da necessidade do isolamento social.

A FPF esclarece que, embora todas as medidas tenham sido bem recebidas pelo Governo de São Paulo e pelo Ministério Público, o pleito foi rejeitado sob argumentos que fogem de qualquer conceito médico e científico já visto mundialmente no combate à COVID-19. Nesta tarde (16), a FPF e os clubes das Séries A1, A2 e A3 se reunirão novamente para discutir as medidas que serão tomadas, garantindo a conclusão das competições em suas datas programadas.

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