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Governo divulga 'meias-verdades' em campanha sobre Copa; conheça sete

12 fevereiro 2014 - 12h15Via Uol
Após protestos contra a Copa do Mundo voltarem às ruas no início deste ano, o governo federal resolveu intensificar uma campanha de divulgação sobre os possíveis benefícios do torneio em redes sociais. Dados sobre o investimento em infraestrutura, a sustentabilidade ambiental dos estádios do Mundial e até estimativas sobre o ganho econômico do setor turístico, tudo passou a ser tema de posts em perfis governamentais marcados com a hashtag #CopadasCopas.

Acontece que nem todas as informações divulgadas pelo governo federal transmitem uma ideia clara de tudo o que tem a ver com o Mundial da Fifa. Segundo o site Uol, sete "meias-verdades" vêm sendo postadas pelo governo. Leia abaixo e saiba um pouco mais sobre a preparação do Brasil para o torneio.

1 - Gasto com estádios já ultrapassou investimento em mobilidade
O governo federal afirma que a maior parte do investimento da Copa é em infraestrutura. Para chegar a essa conclusão, ele compara o que foi aplicado em estádios com o investido em aeroportos, portos e outros projetos incluídos na Matriz de Responsabilidades do Mundial juntos. Isso porque, considerando todos os tipos de investimentos contidos nessa mesma matriz separadamente, o gasto com estádios já é o maior de todos.

O custo oficial das arenas da Copa é de R$ 8 bilhões. Já o custo de todos os projetos de melhoria no transporte público é R$ 7 bilhões. Na imagem que o governo divulga, o valor das obras de mobilidade está em R$ 8 bilhões porque nisso está incluído o que está sendo investido no entorno dos estádios. Entretanto, a própria matriz da Copa discrimina o que é obra de mobilidade "pura" e o que é obra de entorno.

Vale lembrar também que o custo dos estádios continua subindo. Responsáveis pela obra da Arena da Baixada, em Curitiba, já anunciaram que o estádio saíra R$ 54 milhões mais caro do que o que está informado hoje na matriz. Já outros investimentos em infraestrutura podem ser retirados da lista de projetos da Copa devido a atrasos. O VLT de Cuiabá, por exemplo, não deve estar 100% pronto até o Mundial.

Procurado, o Ministério do Esporte ratificou que mais de R$ 17 bilhões serão investidos em "melhorias que ficarão para a população". Ressaltou ainda que, em nome da transparência, divulga todas as informações sobre os preparativos no site www.copa2014.gov.br.

2 - Economistas alertam que benefícios foram superestimados
A Embratur divulgou um estudo no qual informa que turistas que viajarão pelo Brasil na Copa do Mundo de 2014 devem gastar R$ 25,2 bilhões por aqui. O valor compensaria os R$ 22,5 bilhões que governos estariam investindo para organizar o torneio.

É bom lembrar, entretanto, que um estudo da Unicamp e outro da UFMG já concluíram que as estimativas divulgadas por governos sobre a Copa são superestimadas. Ressalta-se também que o investimento público no torneio ainda pode aumentar. Portanto, não é possível dizer ainda que essa conta vai fechar.

A própria lista de projetos necessários para a realização do Mundial não inclui gastos já anunciados com o torneio. Para receber jogos da Copa, cidades-sede vão precisar instalar as chamadas estruturas temporárias em volta de seus estádios. Na Copa das Confederações, isso custou R$ 200 milhões aos cofres públicos. No Mundial, isso pode chegar a R$ 1 bilhão, segundo o Ministério Público.

Na Copa das Confederações, Brasília foi sede do jogo de abertura. O governo do Distrito Federal gastou R$ 42 milhões com o evento. A partida foi a única sediada pela capital federal. Segundo o próprio governo, o jogo movimentou R$ 22 milhões no DF. Ou seja, prejuízo de 19,8 milhões com o torneio.

Segundo o Ministério do Esporte, porém, os próprios estudos da Unicamp e UFMG reconhecem benefícios econômicos da Copa. Citam que os investimentos realizados para o torneio trazem impacto positivo a longo prazo para as cidades.

3 - Iria 'nacionalizar', mas seleções concentraram-se em 9 estados
O governo investiu na reforma e construção de centros de treinamento ou estádios Brasil afora com o objetivo de "nacionalizar" a Copa do Mundo de 2014, ou seja, levá-la a lugares em que as partidas não chegarão. A ideia era que locais que não serão sede do torneio acabassem se beneficiando ao hospedar um time participante.

No entanto, as 32 seleções resolveram ficar em CTs disponíveis em nove estados, número menor do que o de estados-sede da Copa do Mundo (12). Nenhum time optou por concentrar-se para o torneio em algum CT das regiões Centro-Oeste e Norte, por exemplo.

Só em CTs que não receberão nenhuma equipe durante a Copa do Mundo, o governo federal investiu R$ 149 milhões. O Ministério do Esporte voltou a afirmar que esse investimento faz parte da missão do órgão de fomentar a prática esportiva no país.

4 - Retorno de estádios é bem menor que divulgado
O governo federal usou informações de uma reportagem da Agência Brasil para afirmar que os estádios da Copa do Mundo 2014 inaugurados no passado já estariam dando retorno financeiro. De acordo com o texto, seis arenas teriam arrecadado R$ 176,5 milhões com a venda de ingressos durante o Campeonato Brasileiro de 2013.

Acontece que o site Máquina do Esporte, especializado em economia e mercado esportivo, fez um estudo sobre a renda dos estádios e chegou à conclusão que o dado divulgado está errado. Segundo o site, a renda informada diz respeito à receita acumulada em todos os estádios do Brasil durante o Campeonato Brasileiro.

Os seis estádios do Mundial usados no torneio geraram uma receita de R$ 99 milhões. Descontados os impostos e taxas, a receita líquida foi de R$ 34,7 milhões.

Vale ainda ressaltar que a maior parte desse dinheiro não retornou para quem investiu na reforma ou construção dos estádios, os governos locais. No caso do Maracanã, por exemplo, cuja obra custou mais de R$ 1 bilhão, a receita gerada ficou com os clubes que ali jogaram e com o atual administrador do estádio, já que ele foi concedido à iniciativa privada. Nos primeiros dois anos de operação, o concessionário não paga nada ao governo do Rio.

O Ministério do Esporte reconheceu o equívoco nos dados. No entanto, informou que um estudo feito pela consultoria BDO apontou que a receita gerada com a venda de ingressos do Campeonato Brasileiro cresceu 48% de 2012 para 2013 por causa das novas arenas.

5 - Investimento em catadores de recicláveis não sai do papel
A presidente Dilma Rousseff disse no fim de 2013 que o governo está investindo na inclusão de catadores de recicláveis em cidades-sedes da Copa do Mundo. O problema é que esse investimento não dá resultado.

Para apoiar a ampliação da coleta seletiva de lixo em sedes do Mundial, o BNDES se ofereceu a pagar, a fundo perdido, iniciativas com esse objetivo. Todas as cidades que receberão partidas da Copa tinham acesso a recursos do banco federal. Das 12, só cinco decidiram tomar os recursos: Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. A decisão não significa, porém, que algo está sendo feito.

Brasília pediu R$ 21 milhões ao BNDES para apoiar catadores. São Paulo, R$ 40 milhões. Segundo o próprio banco, nenhum centavo desse dinheiro chegou aos trabalhadores. Os desembolsos são feitos à medida que os projetos são realizados.

O Rio de Janeiro conseguiu R$ 22 milhões para apoiar projetos de reciclagem. Na época em que firmou contrato com o BNDES, o banco informou que visava a melhorias até a Copa do Mundo. A conclusão dos projetos já foi adiada e a prefeitura, agora, mira melhorar a coleta seletiva da cidade para Olimpíada.

O Ministério do Esporte informou que a realização dos projetos é responsabilidade das cidades-sede da Copa. Ainda segundo o órgão, outras quatro sedes já consultaram o banco sobre a linha de crédito para catadores. Não informou quais.

6 - Investimentos em energia para a Copa estão pela metade
O governo diz que a Copa do Mundo de 2014 serve para, entre outras coisas, acelerar investimentos no setor energético do Brasil. Na imagem divulgada em redes sociais, o governo informa que 142 obras para reforçar o suprimento de energia estão ligadas ao Mundial. Porém, faltando cinco meses para o torneio, só 80 delas estão prontas.

O Brasil teve um apagão neste mês. Onze Estados, de quatro regiões ficaram sem luz. Cerca de 3,5 milhões foram afetados. Desde 2011, o Brasil já sofreu com 181 apagões segundo um levantamento feito pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura. O nível dos reservatórios para geração de energia por hidrelétricas está em seu pior nível desde 2002.

Após o apagão do início do mês, o Ministério de Minas e Energia divulgou uma nota oficial. Nela, informou que o fornecimento de energia está garantido no Brasil.

7 - Estádio é sustentável, mas não atende novo 'padrão Fifa'
Castelão, de Fortaleza (CE), foi o primeiro estádio da Copa do Mundo de 2014 a receber um certificado de sustentabilidade Leed (Leadership in Energy and Environmental Design). Segundo Raphael Mesquita, gerente Engenharia e Operação da arena, o estádio obteve 47 pontos em sua avaliação e ficou com a certificação básica.

A Fifa já decidiu exigir que a partir da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, todos os estádios também tenha certificado de sustentabilidade. De acordo com o diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social da entidade, Federico Addiechi, só estádios que tiverem mais de 49 pontos na certificação Leed ou equivalente poderão receber jogos do torneio. Portanto, apesar de ser considerado verde pelo governo, o Castelão não atenderia padrões de sustentabilidade da próxima Copa.

Para o Ministério do Esporte, essa observação é "descabida". O órgão ressaltou que a exigência da Fifa só recaíra sobre estádios da Copa do Mundo de 2018 porque o governo brasileiro resolveu exigir a certificação para financiar obras para o Mundial.
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