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Líder de barras bravas engana polícia e vai à Arena Corinthians disfarçado de suíço

02 julho 2014 - 11h45Via ESPN
Bebote Álvarez. Um dos mais temidos barras bravas argentinos aprontou das suas de novo. Chefe da organizada do Independiente e um dos nomes proibidos de entrar em jogos de futebol pela polícia federal de seu país, Pablo - como realmente se chama - simplesmente se disfarçou de suíço e foi à Arena Corinthians para assistir à Argentina vencer a Suíça por 1 a 0, pelas oitavas de final da Copa do Mundo nesta terça-feira. Depois, ainda tirou sarro das autoridades.

"Agradeço aos que me confiaram os ingressos para o jogo de hoje. Conseguimos essas entradas para celebrar: Bebote 2 x 0 Polícia Federal Argentina", disse ele por meio de seu Facebook. Sua advogada confirmou a veracidade das fotos e a ida do barra brava à Arena Corinthians. O 2 do "placar", no caso, é também porque ele já tinha driblado as autoridades no jogo contra a Nigéria - na ocasião, segundo relatos, vestiu uma peruca celeste como disfarce para entrar no Beira-Rio.

Bebote é o líder dos barras bravas Los Diablos Rojos, a mais temida torcida do Independiente de Avellaneda, maior campeão da Copa Libertadores com sete troféus. Os barras bravas argentinos causaram preocupação em querer vir ao Brasil em grande número para acompanhar a Copa do Mundo. Um forte esquema de segurança foi elaborado em parceria pelos governos dos dois países, só que mesmo assim vários deles vieram e arrumaram confusão.

Conforme apurou o ESPN.com.br, Raúl Daniel Paz, o "Negro Fiorucci", chefe da organizada do Tigre, por exemplo, foi detido no Brasil quando se aproximava de uma das Fan Fests da Fifa. Ele era um dos 2100 barras bravas com antecedentes criminais e restrições a estádios de futebol que integram a lista cedida pelo governo argentino às autoridades brasileiras. Os envolvidos na relação têm suas vidas dificultadas por aqui, já que podem ser deportados por qualquer incidente se detidos.

Pablo Álvarez era um deles, mas não só ingressou em solo vizinho tranquilamente como ainda foi em duas partidas. A mesma sorte não teve o Negro Fiorucci, acusado de envolvimento na morte de Adrián Vázques, em 2013, razão pelo qual foi detido e mandado embora. Dos que vieram ao Brasil até agora e já foram deportados seis são membros da La Gloriosa Buteler, mais perigosa torcida do San Lorenzo. Um era Cristian Evangelista, o Sandokán, líder da organizada.

Na semana passada, um grupo arrumou briga antes do jogo contra a Nigéria, no Estádio do Beira Rio. Um brasileiro foi espancado e teve vários ingressos furtados. Curiosamente, a barra brava do Independiente estava em bom número em Porto Alegre. Bebote e sua turma foram hospedados por uma organizada do Internacional, a Guarda Popular, ao lado também da Peste Blanca, do All Boys. Os barras bravas conseguiram mais de duzentos ingressos com extrema facilidade.

Bebote, aliás, entrou no Brasil de forma inusitada. Segundo o jornal La Nación, Pablo Álvarez está sendo procurado pela polícia brasileira por ter enganado a imigração com um documento ilegal. Para ingressar no país, o argentino usou seu próprio passaporte, mas com um número adulterado e que não constava na lista dos 2100 torcedores com antecedentes criminais. Seu fiel escudeiro Hernán Palavecino não teve a mesma sorte, foi identificado e barrado na fronteira junto a outros 31 barras bravas.

Ainda de acordo com o periódico, Bebote não estava satisfeito em apenas enganar os policiais do Brasil. Junto à cúpula do Independiente, o barra brava terminou o jogo contra a Nigéria no Beira-Rio e, com a ajuda de um membro da Fifa que estava com a credencial de nome Domingo Miguel, entrou em áreas exclusivas para dirigentes e membros da organização, onde uma caminhonete o aguardava estacionada para ir embora. Só isso.

Mas quem é Bebote?
O histórico de Pablo "Bebote" Álvarez é peculiar. É o chefe da Hinchadas Unidas Argentinas (HUA), que reúne as organizadas do país para torcer pela seleção. Prometeu se candidatar à presidência do Independiente. Dizem ter sido o responsável pela inexplicável cena de cachorros enforcados nas redondezas do Estádio Libertadores da América com a queda inédita do clube à segunda divisão, em ameaça aos jogadores.

Para alimentar a fama, constantemente aparece com máscaras ou de capuz. Em outra oportunidade, abordou o secretário administrativo do Independiente, Claudio Cancio, dizendo que a torcida queria "pegá-lo". Na semana seguinte, o dirigente viu sua família ser mantida refém por uma hora, em roubo que lhe tomou 5 mil dólares. Cancio culpou os barras bravas. É Bebote quem controla a venda de ingressos do clube no mercado paralelo.

Pablo Álvarez negocia com ambulantes nos arredores do estádio do Independiente e permite o trabalho dos flanelinhas. Possui vasta coleção de camisas graças à amizade com jogadores. Medalhas de competições só dadas ao elenco também vão parar em suas mãos, como presentes. É investigado em seu país por acusação de coagir atletas. E certa vez jurou dar três tiros - dois na perna direita e um nos testículos - em Fabián Vargas se este fosse atuar no arquirrival Racing.

Em outras palavras, este é Bebote, personagem barra brava de passagem no Brasil para a Copa do Mundo.

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