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Mulheres: última fronteira da F1 moderna deve cair em breve

07 março 2014 - 11h47Via Terra
A Fórmula 1 é um mundo curioso. Ao mesmo tempo em que é o maior celeiro global para inovação técnica, também é o parque de diversões de velhas marcas que querem estar associadas ao glamour e tantos outros atributos da categoria. O que move a F1 de um lado é a altíssima tecnologia, de outro a tradição e reverência ao passado.

Essa dualidade gera efeitos estranhos nas pistas. Um deles é o fato de que nenhuma mulher jamais obteve sucesso em um monoposto da categoria. Como explicar isso? Será uma questão de tempo até alguma aparecer? Na véspera do Dia Internacional da Mulher, duas delas estão próximas de assumir um posto como piloto titular de equipe.

A escocesa Susie Wolff, 31 anos, é piloto de desenvolvimento da Williams desde 2012. Antes disso, teve uma longa carreira na DTM (prestigiada categoria de turismo alemã). Nas sete temporadas na competição, seus melhores resultados foram dois 7ºs lugares. Ela é casada com Toto Wolff, diretor executivo da equipe Mercedes e detentor de 16% das ações da Williams.

Ela será a primeira mulher a participar de um final de semana da Fórmula 1 desde 1992, quando Giovanna Amati treinou, mas não conseguiu classificar a sua Brabham para o GP do Brasil daquele ano. Antes dela, fizeram história a italiana Maria Teresa de Filippis, que largou em 3 GPs, em 1958. Também natural do país da bota, Leila Lombardi disputou 12 corridas e conseguiu o único ponto feminino ao chegar em 6º lugar na Espanha, em 1975. A sul africana Desiré Randall Wilson chegou a vencer uma prova “amistosa” com carros de F1 em 1980.

Wolff vai guiar a Williams nos primeiros treinos livres dos GPs da Alemanha e da Grã-Bretanha. Uma grande oportunidade para a piloto, e uma ótima chance para a F1 começar a debater a questão feminina nas corridas com mais solidez.

A outra mulher que pleiteia uma vaga na F1 é Simona de Silvestro. Ex-Indy, ela foi recém contratada pela Sauber para participar de um longo programa de treinamento com o objetivo de correr em 2015. Aos 25 anos, apesar de “ficar de molho” neste ano, a suíça tem mais chances do que Wolff de conquistar uma vaga no grid para o próximo ano.

Vale lembrar que a Sauber teve a primeira mulher como chefe de equipe, Monisha Kaltenborn. Talvez daí tenha surgido o plano de investir no talento feminino, para que a equipe seja a pioneira também dentro das pistas.

Mulher na F1: como pode ter demorado tanto?
Como isso pode ter demorado tanto para acontecer? Vale lembrar quando Lewis Hamilton estreou com a alcunha de “primeiro negro” da F1, em 2007. Foram precisos 57 anos de história, escritos pelos cerca de 700 pilotos que disputaram corridas desde então, para que finalmente um negro surgisse como um grande piloto.

A Fórmula 1, ao contrário de outros esportes que a distinção entre gênero jamais poderá ser eliminada, não apresenta qualquer impedimento para que os dois sexos possam competir entre si. Ao contrário de uma luta de boxe, de uma corrida de 100 m ou de um jogo de futebol – esportes onde dificilmente seria leal uma disputa entre homens x mulheres, o automobilismo se caracteriza por uma competição muito mais cerebral do que física.

Um piloto profissional de uma categoria de ponta do automobilismo precisa combinar diversas aptidões que não são todas exclusivas de algum sexo em particular, como bom preparo cardiovascular, força, concentração, capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, conhecimento técnico, boa comunicação interpessoal e muito mais.

Em termos de força física, homens de forma geral têm vantagem sobre as mulheres. Mas o preparo físico necessário para um piloto combina habilidades de força muscular combinados com resistência cardíaca. Embora muito puxado, não é nada que muita dedicação e um bom preparador físico não possam resolver, independente do sexo. Definitivamente a falta de mulheres na F1 não passa pela questão física.

Por outro lado, mulheres podem ser melhores que homens na capacidade de realizar multitarefas – algo cada vez mais necessário na F1, na medida em que volantes se transformaram praticamente em computadores de bordo. Verdade ou não, o fato é que em termos de concentração, capacidade de lidar com pressão, etc, em nada disso há subsídios que possam justificar a falta de mulheres na F1.

O único fator que sobra é o cultural. Esse provavelmente é o responsável pelo preconceito com mulheres ao volante. Se no Brasil há piadinhas infelizes de que elas são o “perigo constante” no trânsito, em outros países a situação é muito pior. Na Arábia Saudita, por exemplo, elas sequer podem dirigir carros de passeio, nas ruas.

A explicação termina aí, mas ela nasce muito antes, vem de berço. A máxima sexista de que carrinho é brinquedo de menino e boneca, de menina, acaba se refletindo no número de jovens que se interessa pelo automobilismo. Basta visitar pistas de aluguel de kart por aí e perceber que a maioria de pilotos de final de semana ou de crianças que treinam para ser profissionais são homens.

Como inverter a roda? Já que a luta contra o sexismo é global e algo muito acima da F1, o papel da categoria poderia ser quebrar este ciclo no final dele: colocando uma mulher realmente capaz de guiar em alto nível junto a homens. Seria histórico, um grande favor que o esporte faria.
Girafa

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