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Alunos de baixa renda são 36% nas federais do Centro-Oeste, diz Andifes

04 agosto 2011 - 10h53Arquivo

Pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostra que, na região Centro-Oeste, 35,92% dos estudantes matriculados nas universidades federais pertencem às classes C, D e E. Em nível nacional, esse índice chega a 44%. A pesquisa foi feita em 2010 e ouviu 22 mil alunos de cursos presenciais.

O acadêmico de filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Hélio Garone, disse que tem visto mais gente das classes mais baixas na instituição. "A gente vê aqui na UFMS que as classes C, D e E estão muito presentes. Têm muitos alunos que enfrentam dificuldades financeiras, quando têm necessidade de tirar xérox de texto, por exemplo, e não tem dinheiro."

A classe B é maioria nas federais do Centro-Oeste brasileiro, aproximadamente 42%. O acadêmico de Direito, Murilo Silveira da Cunha, contou que nos cursos de Medicina e Direito, por exemplo, os estudantes são de famílias que têm dinheiro para bancar cursinhos, ou seja, teoricamente vieram de classes mais altas.

"Muitas vezes, eles acabam tomando a vaga de quem veio de escola pública. Para quem estudava em escola pública, acaba sobrando as vagas da faculdade particular e, quem estudava em escola particular, pega as vagas da universidade pública."

O meio de transporte também foi um dos ítens estudados durante a pesquisa. 56% dos entrevistados em todo o Brasil disseram usar o transporte público para ir à aula. O estudante de Filosofia, Gabriel Henrique Oliveira, é um desses exemplos e pega quatro ônibus todos os dias. "O percurso a noite é bem difícil, pois são dois ônibus para ir e dois para voltar. A maioria deles é lotada."

Segundo os pesquisadores, o desafio das instituições é fazer com que o Ministério da Educação aumente o repasse dos recursos destinados à assistência estudantil, como a bolsa permanência e os programas que custeiam a alimentação.

A acadêmica de História, Janaína Braga, foi uma das beneficiadas pela bolsa. "A gente tem a bolsa permanência e a bolsa alimentação que ajuda muito o acadêmico. Antes ajudava mais os acadêmicos de cursos diurnos, agora está vindo para os cursos noturnos. Isso está facilitando muito."

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