Na busca em aprimorar seus conhecimentos na área da medicina, o campo-grandense Lucas Bitencourt de 28 anos, acabou em uma das principais cidades em situação de calamidade pública no Rio Grande do Sul, em decorrência das chuvas que ocasionaram enchentes nos rios do estado.
Ao JD1 Notícias, Lucas contou que tem experiência em atuar na área de urgências e emergências após anos trabalhando no Hospital de Trauma em Assunção no Paraguai. “Fiquei como chefe de cirurgia menor no hospital que é o maior do pais, é referência na América Latina e lá é uma zona de guerra, a maior parte da minha experiência eu tive lá”.
Filho de pai sul-mato-grossense e mãe gaúcha, Lucas que já é médico, foi para Porto Alegre na sexta-feira (3) para fazer um curso na área, quando chegou na região e soube dos voos cancelados e o aviso de inundação. “Fiquei num Airbnb a quatro quadras na beira do rio, quando começou a alagar, a primeira coisa que começou a ficar submersa foram as bombas de água e a galera que trabalha na energia ficou ilhada. O local começou a ficar sem água e na segunda-feira (6), ficou sem energia. Eu consegui sair de la e alugar um espaço em Gravataí, um dos poucos com água e luz”, contou ao JD1.
Antes mesmo de ir para Gravataí, Lucas começou a ajudar no centro de Porto Alegre com alimentação e atendimento, no entanto, agora em outra cidade, o médico conseguiu contato da brigada militar e junto com colegas, decidiram continuar ajudando.
Para isso, todos os dias, os voluntários fazem uma viagem de quase 5 horas de barco de Gravataí a Porto Alegre, sendo 1h30 para ir e 3h para voltar, realizando resgates, atendimentos, levando medicamentos e mantimentos para a população.
Um dos desafios é passar pelas zonas de conflito, o qual os voluntários fazem sob escolta na travessia do Rio Guaíba. “Tem muita zona que passamos de perrengue para entrar na cidade, as vezes a correnteza é muito forte e acaba caindo gente do barco, ontem mesmo o pessoal foi pegar alguns animais e levar medicações e teve gente que começou a dar tiro nos meninos, então tem muito perigo dependendo da região, sem falar nos entulhos de fios e postes que podem machucar alguém”.
Outro obstáculo é a resistência de alguns moradores em deixar o seu lar. “A maior dificuldade para mim como médico, é conseguir convencer as pessoas a saírem, pois a maioria é de idade, e tem medo de alguém entrar para saquear o imóvel quando eles não estiverem lá, por mais que recebam água e comida, a maioria possui alguma patologia, ou é hipertenso, diabético, com problema cardíaco e com o tempo acabam ficando sem medicação. É bem difícil, para tratar eles bem, temos que tirar de lá, mas eles não querem sair, então ficamos monitorando, para levar medicação, as vezes nem se consegue medicação”.
Um dos perrengues descritos por Lucas é a proibição de algumas atividades voluntárias. "O Pontal é a base da galera, lá tem combustível de doação, atendimento médico, veterinário, e medicação, mas quando fui levar os remédios para a população em casa, me barraram, pois segundo o protocolo só quem poderia era a autoridade, mas se estão pedindo, é porque está faltando, doação é pra isso”.
Sem conseguir distribuir os medicamentos doados, os voluntários fazem vakinha e tiram do bolso para comprar. “Esse ponto era para ser referência e não estão sendo”.
O médico ressaltou que agora uma das preocupações são com os animais domésticos, cães e gatos em cima de telhados e em meio a entulhos, pois com a previsão de novas chuvas, todos podem acabar morrendo.
Lucas fala ainda que os itens mais necessários que não estão chegando com tanta frequência, são materiais de higiene básica e roupas íntimas. Com a situação no Rio Grande do Sul, não há previsão de quando o voluntariado vai acabar e ainda há possibilidade da equipe de Lucas ir a Pelotas, município que pediu ajuda de voluntários.
Balanço
No boletim da Defesa Civil divulgado neste sábado (11), Rio Grande do Sul chegou ao número de 136 mortos, estado ainda contabilizava 125 desaparecidos e 756 feridos.
Já foram 273.335 produtos entregues desde que a mobilização nacional e internacional começou a enviar doações. Os municípios de Canoas, Caxias do Sul, Eldorado, Esteio, General Câmara, Gravataí, Guaíba, Itati, Lajeado, Marques de Souza, Montenegro, Novo Hamburgo, Pântano Grande, Pejuçara, Pelotas, Piratini, Porto Alegre, Rio Grande, Rolador, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, São Sebastião do Caí, Sapucaia do Sul, Taquara, Taquari e Vale do Sol já receberam os itens que mais necessitavam.
Água, leite, alimentos diversos, cestas básicas, colchões, material de higiene pessoal, material de limpeza, roupas, itens de cama, mesa e banho são alguns dos donativos já entregues pela Defesa Civil do Estado a 27 municípios atingidos pelas enchentes.
Quer ajudar? Veja os pontos de doações
- Escolas da Rede Estadual de Ensino
- Unidades das forças de segurança estadual (Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros)
- Centro De Convenções Albano Franco - Av. Mato Grosso, 5017
- Edifício da Fiems - Av. Afonso Pena, 1206 - 7h30 às 17h30
- Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores - Rua das Garças, 2320 - 8h às 11h e das 14h às 17h
- Fly Company - Rua 15 de Novembro, 1010 - 8h às 22h
- Casa de Apoio à Família - Rua 15 de Novembro, 1093 - 8h às 20h - Igreja O Brasil para Cristo - terça-feira, sexta-feira e domingo, das 19h às 21h
- Transportadora Perin - Av. Tamandaré, 08 - 6h às 18h
- Torcida C.D. Pavilhão Nove Subsede - Av. Salgado Filho, 1910 (Somente água mineral)
- Instituto LCM, Centro Empresarial The Place - Av. Afonso Pena, 4785, Sala nº 103 - 8h às 12h e das 13h às 18h
- Mariáh Emporium Shoes - Av. Rachid Neder, 1727, Sala 3 - 9h às 19h
- Espaço Hora do Play - Rua Cardoso de Almeida, 430 - 12h às 13h e das 19h às 20h
- Drogaria Atefarma - Rua Naviraí, 689 - 8h às 19h30
- Gaucheria CG - Rua Brilhante, 3466 e Rua Pedro Celestino, 2089 - de segunda-feira a domingo, menos quarta-feira, das 17h à 00h
- CTG (Centro de Tradição Gaúcha) Tropeiros da Querência - Rua Miguel Sutil, 445 - 13h às 19h
- Famasul - Rua Marcino dos Santos, 401, bairro Chácara Cachoeira, Campo Grande (MS).
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