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Cancelamento: passageiros reclamam e motoristas justificam

Plataformas de corridas se posicionam sobre atrasos e cancelamentos frequentes em Campo Grande

14 maio 2021 - 13h34Sarah Chaves

Os cancelamentos de corridas por motoristas de aplicativo vem se tornando cada vez mais frequentes, relatos não só de passageiros indignados como de motoristas apontam que vários fatores vem influenciando na espera excessiva por carros de viagem.

O cineasta Roberto Leite, passou por vários momentos em que a espera o prejudicou na locomoção. “Porque eu moro no Rita Vieira, em uma parte do bairro que não é asfaltado ainda, a cada quatro pedidos três são cancelados”, afirmou.

Roberto também já percebeu um padrão, quando a espera é maior ainda “ Geralmente acontecem às 18h, a noite pra sair pra qualquer lugar é um sofrimento para conseguir algum carro, e se estiver numa região central e eles souberem que é pra minha casa eles também cancelam. Eu já ouvi reclamação de motorista falando que se fosse para o meu endereço ele não teriam aceitado”, disse.

“Viagens curtas também geram muitos cancelamentos”, completou Roberto.

Outro relato foi do atendente Bruno Malaquias, que mora no Aero Rancho que passou pelo mesmo problema no último sábado (8), ao usar o aplicativo Uber. “Como fiz destino centro-bairro por ser caminho de volta para casa. Na ida, já estava com preço dinâmico, ficou um tempão chamando e não aceitavam, quando aceitaram o motorista ficou um tempo e quando estava próximo ele cancelou, e novamente a plataforma cancelou depois de um tempão tentando buscar motorista e eu tive que refazer o pedido. Refiz e aí consegui um motorista mas ele ficou um tempo parado sem andar com o carro, fiz o que um outro motorista me ensinou, enviei uma mensagem na caixa de mensagens avisando o motorista que eu estava a espera dele. Aí sim ele veio”, alegou.

Bruno assegura que no mesmo dia, na viagem de volta pra casa ele esperou 15 minutos tentando chamar um carro. “Depois desse tempo um motorista aceitou e estava a 10 minutos de mim, a menos de duas quadras depois ele cancelou, de novo a plataforma ficou tentando buscar e não aceitaram, cancelou e eu tive que refazer, aí novamente mais um aceitou com 10 minutos de distância aí eu tive que mandar mensagem e ele finalmente apareceu. Eu perguntei e ele me falou que estavam no dinâmico e que pra eles era mais lucrativo ficar no centro, por isso aceitavam e cancelavam”, ressalta que o motorista “só aceitou porque eu mandei mensagem na caixa de mensagens”.

O que dizem os motoristas

Alfredo Palhano que atualmente trabalha em três aplicativos nas ruas de Campo Grande, explica os cancelamentos pela falta de motoristas, devido aos prejuízos que os trabalhadores estão tendo, tanto por parte da plataforma de serviço, quanto pelo preço da gasolina.

“É consequência da precarização do serviço, estamos a cinco anos sem reajuste no valor das corridas, eu sai da rodagem, e agora trabalho em uma oficina e só faço corridas às 3h da madrugada, pois há cinco anos a Uber e a 99 paga R$ 0,82 centavos por quilometro e 0,11 centavos por minuto, então em 1 km, eu ganho em média R$ 1,15 com o passageiro dentro do carro, sem levar em consideração a corrida que o motorista vai até o passageiro e a taxa de deslocamento”, explicou.

Segundo Alfredo, há cinco ele pagava R$ 3 no litro da gasolina e agora paga em média R$ 5,50 e a “conta não fecha”, pois o custo que o motorista tem nesses cincos anos mais que dobrou, e a consequência disso afeta diretamente o passageiro. “Se eu rodar só pela Uber eu passo fome, então sou cadastrado em todos os aplicativos que rodam em Campo Grande, assim como a maioria dos motoristas. Então quando cai uma corrida do Uber para embarcar o cliente a 2km, eu aceito ai a 200 metros cai uma corrida da 99 pagando mais que a Uber, qual o motorista faz ? A que ele vai gastar menos”.

De acordo com o motorista os trabalhadores são obrigados a fazer “leilão com o passageiro”. “No final da corrida o motorista está pagando para trabalhar, pois gasta R$ 1,15 por quilometro rodado, dependendo do carro, o motorista que andou 2km para embarcar o cliente, gastou dois reais, para recuperar esses dois reais que ele gastou, ele tem que andar uma corrida de 20 km pra recuperar, equivalente a uma viagem do Shopping Ypê ao Moreninhas, viagem que pouca gente faz”, contou também que participa de grupos onde os motoristas ajudam aqueles que estão com problemas financeiros.

O que acontece com o motorista que cancela

Segundo relato do motorista, após o segundo cancelamento a Uber deslogava o motorista da plataforma por minutos, porém a pratica que implica na caracterização de vinculo de relação de trabalho rendeu alguns processos a plataforma. E hoje em dia a Uber não interfere mais, e o motorista não perde estrelas e nem é punido se não aceitar a corrida.

Já a plataforma da 99, bloqueia o motorista por dias. “precisa ter no mínimo 50% de aceitação, se tiver  40% a 50 %, eles bloqueiam por um dia, de 30% a 40%, são dois dias, de 20% a 30 % são quatro dias, mas os motoristas param de rodar pelo app, logo o cliente demora mais pra encontrar carros disponíveis, porque não tem ninguém rodando”.


Atualmente motorista em três plataformas de viagens, Fuad Salanemi afirma que a maioria dos cancelamentos ocorre em horário de pico das 6h da manhã às 9h e das 17h às 19h. Isso acontece porque as vezes uma corrida de um passageiro fica em um valor, mas outro aplicativo oferece a mesma quilometragem com um valor superior, ai o motorista cancela o de menor valor e pega o de maior valor, é a livre concorrência”, fala.

Segundo Fuad, atualmente o preço justo seria o valor médio de  R$ 1,50 por quilômetro. “Na hora do pico tem plataforma que oferece ao motorista até R$ 3 por quilômetro, porque existe muita demanda de corrida e pouca oferta. Nessas horas existe a corrida dinâmica, ai é livre concorrência pelo aplicativo que pagar melhor”.

Fuad ainda levantou a questão dos apps que dão a opção do cliente escolher o preço da viagem, o que segundo ele configura Dumping (prática comercial que consiste no ato da empresa vender seu produto, ou serviço por preços muito abaixo do valor justo).

Esse é um dos motivos que levaram a vários motoristas saírem da rodagem, conforme o Fuad. “O aumento abusivo dos combustíveis tem gente que parou, principalmente os que faziam viagem com carro alugado, pois gastam muito mais do que recebem”.

UBER

Em contato com a Uber, a companhia informou que está acompanhando de perto a situação em Campo Grande e “trabalhando para preservar o equilíbrio entre oferta e demanda que é fundamental para a Uber”. 

A plataforma também confirmou que a espera por um carro está maior, devido a maior adesão de passageiros devido a pandemia da Covid-19, e disponibilidade de motoristas. “A demanda alta significa que o app da Uber está tocando sem parar. Conforme o que os próprios motoristas parceiros nos relatam, essa é a uma situação que os deixa mais confortáveis para cancelar viagens (porque sabem que virão outras na sequência, possivelmente com tarifas ainda mais altas, por conta do preço dinâmico)”.


Questionados sobre o que podem fazer para melhorar, a Uber esclarece a disponibilidade do preço dinâmico e promoções para parceiros. “O preço dinâmico é uma ferramenta muito útil porque, por um lado, faz alguns usuários adiarem as suas viagens e, por outro lado, atrai mais motoristas parceiros para uma determinada região ou horário”. 
De acordo com a Uber, a plataforma está pagando R$ 500 a motoristas parceiros que indicarem um novo motorista parceiro e o ajudarem a realizar 100 viagens pela plataforma, como forma de ajudar os motoristas com dificuldades.

99

Ao JD1 Notícias, a 99 relatou que companhia trabalha para equilibrar a oferta e demanda para facilitar o deslocamento de quem precisa sair de casa. “De acordo com os Termos de Uso da 99, em casos de cancelamentos constantes ou atos discriminatórios, o motorista parceiro está sujeito a sanções que vão desde orientações educativas a bloqueio temporário ou definitivo do aplicativo”.

Sobre os repasses aos motoristas parceiros, a 99 informa que viabiliza parcerias e condições especiais nos preços dos combustíveis, manutenção de carros e locações com agências para reduzir os gastos dos parceiros. “Um exemplo disso é o desconto de 10% nos postos Shell, em parceria com a Raízen, em todo o Brasil, em pagamentos com Cartão99, no aplicativo Shell Box, válido até 08 de junho. Após este período, o desconto volta a ser de 5%”.

Genetica 1

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