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Comovida com despejo de família, professora acolhe alunos em casa

18 abril 2012 - 12h01João Garrigó

Comovida com o despejo de uma família no bairro Santa Emília, em Campo Grande, a professora de uma escola pública abrigou em sua própria casa dois alunos gêmeos de 9 anos.

A educadora conta que após perceber que os alunos estavam faltando na escola, resolveu ir atrás para saber o que havia acontecido. Quando chegou ao endereço, se deparou com a casa da família demolida e as crianças encolhidas em um cômodo passando por necessidades.

Professora da Escola Municipal Maria Tereza Rodrigues há três anos, Alexandra Nazário relata que vem acompanhando a história das duas crianças desde o começo do ano. Os gêmeos, que estão cursando a 3º série, sofrem de uma leve deficiência mental.

“Eu já tinha tido um contato maior com a família depois que um dos meninos teve uma infecção na perna. Agora não só eu, como a escola toda, está empenhada para ajudar as crianças e a família que não tem pra onde ir”, disse, acrescentando que no relento e fome as crianças não vão ficar.

A mãe dos garotos que trabalha com reciclagem, Rosimeire Bezerra da Silva, 32 anos, tem cinco filhos, uma de 16,14, 11 e os dois gêmeos de 9 anos. Rosimeire disse sentir pena de ver os filhos espalhados, cada um em uma casa, mas não teve alternativa depois que foi despejada pela prefeitura.

Há seis anos, conta, tem cadastro na Ehma (Agência Municipal de Habitação). “Até agora não fomos contemplados com uma casa. Nós não queremos ficar em uma área que é da prefeitura, só queremos ter uma casa e morar com dignidade”, finaliza.

Despejo
Em uma área grande, do tamanho de um campo de futebol, na rua Antônio Inácio de Souza, no bairro São Conrado, moram quatro famílias, todas parentes de Rosimeire.

A catadora de reciclagem relata que na quinta-feira passada um fiscal da prefeitura foi até o local solicitando que as famílias deixassem a área no prazo de 24 horas, porque senão a máquina iria demolir tudo.

“Nós ficamos preocupados e começamos nós mesmos a tirar as coisas e principalmente tentar reaproveitar algum material de construção”, conta.

Sem ter para onde ir, as famílias estão em barracos improvisados no próprio terreno. “Nós estamos com medo, não temos para onde ir”, relata Raimundo Lendo de Castro, 58 anos, que também mora no local e afirma que comprou o direito há 20 anos.

Em resposta, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que em toda área invadida, o órgão solicita ao invasor que deixe o local. Se não aceitar, a prefeitura entra na justiça com o pedido de reintegração de posse.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, toda pessoa que invadir uma área vai ser impedida de receber o benefício da Ehma (Agência Municipal de Habitação) durante quatro anos, contando a partir do momento da ocupação.

Amanhã a Ehma vai mandar uma equipe no local para fazer uma visita às famílias e identificar o perfil socioeconômico delas. A ação de reintegração de posse foi feita pela Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), mas no momento a Ehma informa que não tem casas disponíveis.

Via Campograndenews

Vacinne

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