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Enquanto IPEA aponta que miséria em MS pode acabar até 2015, na Capital, favela ainda é realidade

14 julho 2010 - 10h41Diego Alves

Levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado hoje, aponta que Mato Grosso do Sul pode acabar com a pobreza extrema em 2015, caso o Estado atinja anualmente os índices apontados pelo estudo. Mas quais políticas públicas seriam necessárias para por fim a esta realidade? Emprego e habitação teriam que estar englobados no plano de ação das prefeituras e governos, mas a realidade parece que contraria o que preconiza os estudos.

Na contramão das projeções dos especialistas no assunto, em Campo Grande, Capital de Mato Grosso do Sul, ao menos 60 barracos da favela Morada Verde abrigam trabalhadores do núcleo industrial, na saída para Cuiabá, que temem perder o emprego. No local, eles enfrentam o frio, a falta de saneamento e esperam pela chance de ter o direito à moradia.

Hoje, eles tentaram na Câmara Municipal frear o despejo anunciado pela Prefeitura, que tem projeto de urbanização naquela área. Foi dado às famílias uma semana para trocar a Morada Verde para a outra favela, a Cidade de Deus, que fica do outro lado da cidade, na região do Lixão do Bairro Dom Antônio, onde mais 200 famílias também aguardam para ter a casa própria em fase de construção naquela região. A disputa pela casa, financiada com recursos federais, pode vir a ser um problema grave, explica Índia Mara.

“O pessoal da Cidade de Deus diz que não cabe mais barraco lá. Não querem a gente lá, não vão aceitar porque eles esperam as casas que estão construindo. Aqui, o pessoal tem emprego perto, mas disseram para a gente que temos uma semana para sair e que vamos ter que adaptar a morar longe do serviço. Como é férias das crianças, disseram pra gente matricular os filhos lá no Dom Antônio”, relata a moradora após reunião com a Emha (Empresa Municipal de Habitação) que prometeu em seis meses por fim ao problema e entregar as casas aos que deixarem a Morada Verde.

Desabafo

Há dois anos, o operário que trabalha na construção de um condomínio em frente à favela Morada Verde, Seu Luiz (), disse que fez o cadastro na Emha, mostrou os números marcados na madeira de seu barraco, onde mora com seis filhos. O tempo passou, outros foram beneficiados e hoje, um novo número na tábua mostra que ele e os filhos e netos ainda sonham com a casinha de alvenaria.

“A gente trabalha, não tem bandido aqui. Eu não tenho condições de pagar R$ 250, R$ 300 de aluguel, mas R$ 30 até R$ 60 eu pago, tenho serviço. Agora querem mandar a gente pra longe. Prometeram uma casa no Cerejeira, que fica aqui perto. Inauguraram e deram as casas pro pessoal das Moreninhas e a gente que está aqui não conseguiu. Por que?”.

Ele já viu pessoas chegarem e partirem dos barracos. A Emha chama o movimento de ‘oportunista’, ou seja, quando acaba uma favela, outros chegam para conseguir casas e depois, as vendem irregularmente.

Para Índia Mara, existe uma falta de fiscalização que prejudica as pessoas que realmente necessitam de habitação.

“Tem gente que chega aqui e monta barraco. Falam que é para a gente não deixar. Mas, como que vamos tocar quem tá precisando que nem nós?”, desabafa Seu Luiz ().

“Tem é que ter padrinho político senão não consegue”, complementa o vizinho Seu Antônio ().

O casal Jaqueline Mendes de Souza, 23, e Mizael Alves Souza, 26, servente de pedreiro, está há dois anos na Morada Verde. Com bebê ao colo e filhos de 3 e 5 anos, os pais estão preocupados em ter que fazer mudança neste frio. “Prometeram que vão ajudar a gente com lona lá [Cidade de Deus]”, disse Mizael enquanto meche no fogão à lenha. Jovem, o casal disse que a única coisa que querem é uma casa para morar.

Para finalizar, a netinha de Seu Luiz (), Gabriele, 7, contraria o avô ao dizer que não quer mais morar ali na favela Morada Verde. “Quero uma casa com quarto para mim e minha mãe da cor rosa”, diz a criança.
 

Vacinne

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