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Isenção do IR até R$ 5 mil injeta dinheiro no varejo, mas cria distorções, aponta CNC

A análise destaca o impacto imediato no consumo e os riscos de desequilíbrio fiscal e desestímulo à formalização

14 novembro 2025 - 13h25Sarah Chaves, com CNC

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil deve colocar mais dinheiro em circulação e movimentar o varejo já nos primeiros meses. Segundo a CNC, mais da metade do valor que o governo deixará de arrecadar, cerca de R$ 17 bilhões, deve voltar para a economia por meio do consumo imediato.

Esse dinheiro deve se concentrar principalmente em compras básicas: supermercados, combustíveis e farmácias devem absorver quase 80% desse impulso. Como as famílias enfrentam inadimplência recorde e juros altos, o impacto será maior em itens essenciais e menor em bens duráveis, que dependem de crédito.

Ao mesmo tempo, cerca de um terço do ganho com a desoneração será usado para pagar dívidas, e outra parte ficará guardada, para consumo futuro. A mudança beneficia especialmente quem está nas classes C, D e E. Para quem ganha exatamente R$ 5 mil, a economia mensal pode chegar a R$ 500.

Apesar dos efeitos imediatos positivos, a CNC chama atenção para problemas estruturais. Para compensar a perda de arrecadação, o projeto cria dois novos impostos para altas rendas: a taxação de dividendos em 10% e o chamado IR Mínimo, que garante que pessoas com renda anual acima de R$ 600 mil paguem ao menos 10% de imposto, independentemente de deduções. A entidade critica especialmente a tributação de dividendos, que considera uma “cobrança dupla”. Isso porque o lucro da empresa já paga imposto antes de ser distribuído ao sócio, o que pode tornar o investimento produtivo mais caro no Brasil.

Outro ponto sensível é a forma como a nova isenção foi desenhada. A faixa de transição (entre R$ 5 mil e R$ 7.350) aumenta a tributação de forma brusca, criando a chamada “armadilha da renda”. Nesse intervalo, pequenas aumentos salariais podem resultar em perda de benefícios, desestimulando promoções, horas extras e até incentivando a informalidade.

Para a CNC, a medida traz alívio imediato para o consumo e justiça para as faixas mais baixas, mas ainda levanta dúvidas sobre sustentabilidade fiscal, distorções tributárias e possíveis efeitos indesejados no mercado de trabalho.

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